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24 de janeiro de 2010

Notícias – Produtor de resina investe em projeto piloto de reciclagem

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    O grupo petroquímico Bras­kem ingressou oficialmente no “Projeto Inserção Produtiva de Catadores e Fortalecimento de Unidades de Reciclagem no Rio Grande do Sul”, uma parceria pilotada pelo grupo Vonpar – leia-se: franquias industriais e comerciais dos produtos Coca-Cola para a Região Sul do país, com o apoio de entidades governamentais. O programa, ainda embrionário, integra uma ideia ambiciosa denominada “Brasil Recicle”, por meio do qual as instituições envolvidas pretendem transformar, aos poucos, os galpões de separação de materiais pós-uso em usinas de reciclagem, em todo o país.

    O anúncio oficial ocorreu em 2 de dezembro último, em Porto Alegre, por ocasião do Simpósio Recicla Brasil Sul. O evento reuniu a troca de experiências entre integrantes dos pontos de triagem e separação de materiais pós-uso do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o propósito de reforçar o conceito da sustentabilidade na ponta mais frágil da cadeia da reciclagem: a atividade de coleta e separação.

    A adesão da Braskem ao projeto ocorre na segunda etapa e irá promover o apoio tecnológico aos centros de reciclagem. Até o momento, o projeto contou com o aporte de R$ 1,2 milhão do governo estadual, além dos recursos financeiros provenientes dos próprios galpões e dos municípios, e beneficia 38 galpões. O apoio da Braskem, por meio de equipamentos, permitirá agregar ainda mais valor aos materiais separados e a consequente melhoria de condições de trabalho e renda dos associados.

    Plástico Moderno, Notícias - Produtor de resina investe em projeto piloto de reciclagem

    Freire: projeto muda o panorama dos galpões

    A primeira etapa do projeto consistiu na melhoria das instalações dos galpões, equipamentos de triagem e segurança no trabalho, capacitação em gestão e processo produtivo. As unidades de reciclagem beneficiadas apresentaram indicadores econômicos e de produção animadores, atingindo 28% de incremento na renda média dos associados dos galpões apoiados e a expansão de 7% no número de vagas de trabalho, além do aumento também de 7% no volume de materiais processados.

    O grupo petroquímico promete investir R$  378  mil, em 2010, em três dessas unidades de beneficiamento  de  plástico  reciclado,  para  atender sete galpões, contemplados para inaugurar a segunda fase, localizados nas cidades de Canoas, Esteio, Nova Hartz e Sapiranga, na região metropolitana de Porto Alegre, onde irão ocorrer as experiências piloto da transformação dos galpões de coleta em pontos de reciclagem.

    O estudo prevê a montagem de um sistema com máquinas de tecnologia de ponta para lavar, moer e aglutinar o plástico separado do lixo. Outra atribuição da Braskem consiste em catalogar os galpões e produzir um diagnóstico das necessidades tecnológicas e de como introduzir conceitos inovadores de produção. “Após este processo, a matéria-prima estará em plenas condições de ser adquirida diretamente pelas transformadoras, sem a necessidade de um atravessador”, afirma João Freire, diretor de relações institucionais da Braskem para o Rio Grande do Sul.

    Conforme Freire, a Braskem irá introduzir sua excelência em processos petroquímicos em galpões de reciclagem, pois é um sonho da empresa contribuir para que pessoas das camadas mais simples da população transformem lixo em resina de valor agregado com possibilidades concretas de mudarem seus estilos de vida por meio do aumento significativo da renda. A Braskem conseguiu a parceria do Instituto Federal Rio-grandense, a principal escola técnica de formação de mão-de-obra desde o chão de fábrica até tecnólogos de nível superior para a transformação de termoplásticos, da região metropolitana de Porto Alegre.

    Por intermédio dos professores do instituto, ocorrerá a escolha dos equipamentos e o treinamento dentro das cooperativas. “É um projeto que em longo prazo irá contribuir decisivamente numa mudança substancial, no sentido positivo, do perfil econômico do país, tirando centenas de milhares de famílias pobres da atual situação e colocando-as dentro da chamada classe média”, acredita Freire.

    Antes da entrada da Braskem no projeto, a consultoria Maxiquim, especializada na aferição do cenário e do ambiente de negócios na indústria petroquímica, entrou em cena e realizou uma pesquisa. O estudo mostrou que o beneficiamento de materiais recicláveis somente nas três primeiras etapas de processo (lavagem, moagem e aglutinação) pode elevar o valor da resina entre 100% e 300%.

    Os analistas avaliam que a procura por materiais reciclados atualmente é puxada por papel branco, polietileno de alta e de baixa densidade, PET e polipropileno, na ordem de importância. Vidros e metais perdem força no mercado do reaproveitamento com 14% de participação. Com efeito, os valores do material reciclado podem subir de R$ 0,60 para R$ 1,80, tendo por base o preço do polietileno, filme enfardado, comercializado usualmente nos centros de triagem, e o valor pago pela indústria de transformação de plástico, lavado, moído e aglutinado.

    A Maxiquim indica ainda que o ponto crítico da separação de lixo no país diz respeito ao entendimento da realidade social dos galpões, nos quais operam grupos de cooperados com nível muito baixo de escolaridade e sem condições de, no curto prazo, empregar técnicas de administração, gestão de negócios e de tecnologia. Por isso, há a necessidade de melhorar a separação por resinas, pois ainda existe a cultura de separar o plástico por produto, garrafa, sacola, balde, recipiente de iogurte, de requeijão, enfim, sem uma segregação capaz de evitar a contaminação entre resinas.

    Outra sugestão é criar consórcios de galpões para melhorar a triagem e permitir a elaboração de sistemas de comercialização e logística. Segundo sugeriu a Maxiquim, nesta primeira etapa, em que separadores de lixo se tornarão recicladores, os processos de lavagem, moagem e aglutinação são os mais interessantes para introduzir a cultura da reciclagem num ambiente até então desprovido de qualquer tecnologia industrial.

     

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