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17 de janeiro de 2008

Notícias – Plástico reciclado compõe coletores de energia solar

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Água Quente para todos” e “Água quente combina com economia e preservação ambiental”. Por trás desses dois conceitos, o primeiro adotado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Paraná e o segundo pelo setor de responsabilidade social das Centrais Elétricas de Santa Catarina, está a abnegação de José Alcino Alano e sua família, moradores de Tubarão, localizada a cerca de 200 quilômetros de Florianópolis. Há cinco anos, Alano, a esposa, Elizete, e seus quatro filhos, começaram a construir coletores de energia solar em que a matéria-prima provinha de garrafas de PET, embalagens tetra pack e tubos de PVC provenientes do lixo. Até 2002, Alano se recusava a descartar as garrafas de refrigerante e as caixas de leite consumidas em sua casa por conta do passivo ambiental gerado em um período no qual a coleta seletiva ainda não havia desembarcado nas cercanias de Tubarão. Ele recorda a alta do preço do gás, que dificultou o uso de aquecedores de água por combustão. Durante muitos anos, a família Alano armazenou, lavou e aprendeu a acondicionar milhares dessas embalagens, de tal forma que economizassem espaço; trabalho esse a cargo de dona Elizete. Foi quando surgiu o projeto dos coletores. Ainda em 2002, ao colocar em prática sua idéia, Alano construiu um coletor solar com cem garrafas de PET, igual número de tetra packs de um litro, dispostas em 25 colunas com quatro garrafas cada, em uma área útil total de absorção térmica de 1,80 m². Como reservatório, Alano usou uma caixa de água plástica de 250 litros revestida com isopor de 20 milímetros. “Vale ressaltar que essa espessura de isolamento térmico não é suficiente para manter ou armazenar a água quente em regiões frias por muito tempo”, observa o inventor e construtor.

    Como foi instalado praticamente no verão, e com uma exposição solar em torno de  seis horas, a água aquecia na parte superior da caixa até 52ºC, sendo necessário misturar com água fria. Mas ao chegar o inverno em Tubarão, a temperatura da água fria na caixa, que no verão fica em torno de 22ºC a 25ºC, no inverno fica entre 13ºC e 16ºC. Em conseqüência dessas diferenças entre as estações do ano e a redução da incidência da radiação solar no inverno, a eficiência térmica caiu dos 52ºC no verão para no máximo 38ºC na estação fria, e com um volume muito pequeno de água nessa temperatura. Mesmo no inverno, garante o construtor, em dias ensolarados, os dois coletores suprem a demanda de água quente, em consumo normal de quatro pessoas, se usada até às 20 horas, mas com temperatura máxima de 38ºC. Em 2004, Alano publicou um artigo técnico de 500 mil exemplares. Não havia um manual.

    Plástico Moderno, José Alcino Alano, Notícias - Plástico reciclado compõe coletores de energia solar

    Alano idealizou o projeto e o tornou realidade

    Hoje existem duas publicações técnicas produzidas pelas Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) e uma mais detalhada, editada no Paraná, com patrocínio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente daquele estado. A produção ocorre em oficinas e por meio de ações de voluntariado. Daí em diante, Alano perdeu as contas de quantos equipamentos construiu ou ensinou a produzir entre as populações carentes, instituições universitárias, entidades filantrópicas espalhadas por Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A proposta é filantrópica e os beneficiados não pagam nada pelos coletores. Já não se conta mais nos dedos o número de entidades contempladas com a água quente proporcionada por Alano. São orfanatos, creches e associações de moradores. Somente uma creche comunitária de Tubarão distribui cem banhos por dia para crianças da população de baixa renda. No Paraná, eram três mil coletores instalados até o final do ano passado, isto é: 600 mil garrafas PET e igual número de tetra packs retiradas do ambiente. Até junho de 2008 serão mais dois mil coletores. Em média, cada garrafa aquece um litro de água, e uma família de quatro pessoas demanda duzentas garrafas em num painel. Em alguns presídios já foram criadas oficinas como terapia ocupacional para criminosos de baixa periculosidade, uma vez que a operação envolve objetos cortantes como estiletes ou guilhotinas. Com o seu invento, Alano abocanhou diversos prêmios relacionados com melhores práticas ambientais e concorre em um concurso patrocinado pela Unesco, em Dubai, com mais 42 projetos relacionados com alternativas inteligentes para a preservação do meio ambiente. “A energia solar convencional é cara e com o aproveitamento de material é possível fazer um coletor para famílias de quatro pessoas com apenas duzentos reais”, ensina Alano.

    Os projetos não param de pipocar. Em Florianópolis. com uma verba de R$ 25 mil, doada por organizações não-governamentais, um grupo de moradores de um conjunto habitacional popular irá montar os coletores PET/tetra pack do seu Alano em 418 casas. “É muito gratificante ver pessoas sem alternativa de renda aprendendo a empregar uma tecnologia sofisticada para aquecer a água de casa ao mesmo tempo em que aprendem como economizar energia elétrica”, se emociona o inventor. Existem ainda programas de multiplicação de construtores nos 16 escritórios regionais da Celesc. O processo de produção dos coletores solares é simples. Alano desenvolveu um manual e um sistema de cursos de capacitação para formar grupos multiplicadores da tecnologia. Por meio de oficinas que duram dois dias, ele ensina os novos instrutores que irão repassar a técnica adiante. O serviço é repetitivo e as ferramentas como guilhotinas, prensas e dobradores foram projetadas a fim de melhorar a ergonomia. Em uma residência de classe média, a redução de energia chega a 30%. Em residências populares é ainda maior: 50%. Em linhas gerais, o modo de produzir os coletores solares ecologicamente corretos obedece um projeto de engenharia bem detalhado por Alano.


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