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3 de julho de 2007

Notícias – PET reciclado pode ser biodegradável

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    O raciocínio é mais ou menos assim: se o polietileno tereftalato (PET) existisse há 500 anos e a frota de Pedro Álvares Cabral tivesse utilizado recipientes dessa resina para armazenar água e cachaça ao singrar o Atlântico e descobrir o Brasil, as garrafas estariam começando a desaparecer nas praias da Bahia nos dias de hoje e até teriam se espalhado pelo oceano e chegado a outros pontos do planeta como acontece com os demais dejetos que bóiam.

    O tempo estimado de decomposição do polietileno tereftalato na natureza é de cinco séculos, no entanto, por meio de uma pesquisa da área de mestrado do curso de química da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) em parceria com a Univille, de Joinville, Santa Catarina, começa a surgir no Brasil uma possibilidade de reação química capaz de combinar a reciclagem do PET com sua biodegradabilidade, em condições de industrialização.

    As pesquisas começaram em 2002 com o convênio entre as duas instituições e uma entidade da França, onde a tecnologia já está patenteada e resultou em um PET capaz de produzir colônias de degradação. Segundo Sandra Mara Einloft, coordenadora do curso de química da PUC-RS, o processo consiste em lavar, picar e produzir a mistura do PET com um segundo poliéster alifático, proveniente do ácido cebácico e posteriormente produzir a reação de laboratório entre polímero e copolímero a 240ºC.
    A manipulação em laboratório durante as pesquisas de síntese na PUC ficaram por conta de Deise Cristina da Silva, estudante de química e bolsista em iniciação científica. Ela chegou a produzir alguns protótipos simples de manufaturados em formas como brinquedos empregados em educação infantil.

    Neste momento, diante da possibilidade de degradação em um mês e meio, Sandra Einloft considera que a pesquisa atingiu os objetivos em termos de tempo. Contudo, para chegar ao estado-da-arte, ela gostaria de encontrar um copolímero não fóssil com as mesmas propriedades do poliéster alifático advindo do ácido cebácico, esse último de origem fóssil. “O interessante seria chegarmos a um produto sem emissão de CO2.”
    Ana Paula Testa Pezzin, pesquisadora em Joinville, revela como ocorrem os testes de biodegradabilidade. De Porto Alegre, o material é enviado à cidade catarinense em amostras de 100 gramas. Os ensaios ocorrem em uma composição de um terço de areia, outro de solo fértil, e mais um terço de esterco de cavalo desfibrado, preparado segundo uma norma técnica que favorece o crescimento dos microrganismos. Solo retirado de aterro sanitário também serve como material.

    A caracterização das amostras deve ocorrer em tempo zero de degradação. As análises definem pH, temperatura e manejo do solo. Um teste de viabilidade é realizado em tecido de algodão, o qual deve perder 50% de suas propriedades para mostrar que as condições da terra estão corretas. Com os microrganismos em condições adequadas, as amostras são enterradas em copos de becker de um litro de 17 centímetros, em obediência às normas e na temperatura de 30ºC.

    Plástico Moderno, Notícias - PET reciclado pode ser biodegradável

    Deise (esq.) e Sandra buscam produto sem emissão de CO2

    Ana Paula Pezzin explica que, posteriormente, ocorrem análises complementares visuais e levantamento das características por meio de microscopia eletrônica de varredura, análise termogravimétrica, perda de massa, calorimetria exploratória diferencial, a qual aponta mudanças no grau de cristalinidade, e cromatografia por permeação em gel, responsável pelo fornecimento de uma série de informações interessantes.

    A mais importante das análises é denominada GPC e aponta a massa molar e distribuição da mesma.“O polímero é uma macromolécula e essa técnica aponta se realmente ocorre a degradação. Porque pode ocorrer uma corrosão superficial”, complementa Ana Paula.

    Por enquanto, os inventores do PET biodegradável sugerem sua aplicação em produtos de baixa propriedade mecânica como embalagens de mudas de plantas, as quais iriam direto para a terra durante o plantio, onde o polímero desapareceria. Outra aplicação estudada para o PET, neste caso sem buscar a degradação biológica, é sua transformação em resina para tintas, pois o ácido teraftálico confere propriedades melhores do que as formulações tradicionais, principalmente na formação de barreiras contra intempéries.

    Ana Paula revela que atualmente a Univille com sua tecnologia ajuda a Petrobrás no desenvolvimento de outros copolímeros biodegradáveis utilizando resinas virgens, mas que ainda estão sob sigilo porque podem resultar em soluções inovadoras passíveis de requisição de patente. Alguns estudos, adianta Ana Paula, visam a tornar as resinas virgens biodegradáveis por interesse de pesos pesados da petroquímica como a Basf e a Braskem e de consumidores como o Grupo Pão de Açúcar. “Reciclagem é solução fim de tubo. O ideal é chegarmos ao plástico 100% biodegradável no primeiro uso”, defende Ana Paula.

     

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