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29 de dezembro de 2008

Notícias – Pesquisa mostra evolução da reciclagem brasileira

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Mesmo com o parco apoio do poder público, a revalorização brasileira dos plásticos avançou a passos largos nos últimos anos. A atividade, considerados rejeitos industriais e pós-consumo, registrou crescimento médio anual de 9,2%, no espaço de 2003 a 2007. A avaliação específica da reciclagem mecânica de material pós-consumo exibe salto maior: 13,7%. O cálculo do índice de reciclagem mecânica de plástico pós-consumo resulta da divisão do volume de plástico reciclado pelo plástico gerado. Essas taxas posicionam o país em oitavo lugar no ranking mundial, liderado pela Alemanha (31,0%), Bélgica (27,7%) e Suécia (26,2%). Os dados, baseados em 2007, constam de pesquisa da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, divulgada no final de novembro, elaborada pela Maxiquim Assessoria de Mercado.

    Plástico Moderno, Francisco de Assis, presidente da Plastivida, Notícias - Pesquisa mostra evolução da reciclagem brasileira

    Assis defende a implantação da reciclagem energética no país

    A quantidade de recicladoras apresentou crescimento anual de 14,6%. Por conta dessa alta, a geração de empregos diretos cravou 17,3% de aumento anual. O faturamento bruto cresceu 12,1% ao ano e atingiu R$ 1,8 bilhão em 2007. Os resultados do estudo apontam liderança absoluta da região Sudeste em número de empresas – concentra 464 revalorizadoras, de um total de 780 distribuídas pelo país. Só essa região recupera 577.540 toneladas de plásticos.

    No ano-base do levantamento, o mercado brasileiro reciclou quase um milhão de toneladas de plástico, 556 mil das quais referentes a material de pós-consumo, com predomínio do PET, que sozinho responde pelo volume de 289 mil toneladas. Bem distribuído, os mercados consumidores

    são variados. Os bens de consumo constituem os maiores usuários das resinas revalorizadas. Os semiduráveis (utilidades domésticas, segmento têxtil, brinquedos, descartáveis, limpeza doméstica, calçados e acessórios) absorveram 52,3% dos plásticos reciclados em 2007. Os bens de consumo duráveis (automobilístico, eletroeletrônico, móveis e outros) responderam por 18,7%. Agropecuária, construção civil e outras aplicações dividem o restante.

    A capacidade instalada subiu 9,6% ao ano e atingiu quase um milhão e quinhentas mil toneladas em 2007, evidenciando a existência de grande capacidade ociosa. Na opinião do presidente da Plastivida, Francisco de Assis, a ociosidade resulta da falta de ações efetivas por parte dos municípios com respeito aos resíduos sólidos. “Apenas 7% dos 5.564 municípios brasileiros dispõem de coleta seletiva, ou seja, só 405 cidades contam com o sistema”, disse.

    Privilegiar a coleta seletiva significa melhorar a qualidade da sucata, pois um dos principais entraves à reciclagem reside no fato de os descartes plásticos se encontrarem contaminados com resíduos orgânicos. Outro problema é a separação dos diferentes tipos de resina, muitas vezes incompatíveis entre si.

    Plástico Moderno, Notícias - Pesquisa mostra evolução da reciclagem brasileira

    Uma das soluções defendidas por Assis consiste na adoção no país da reciclagem energética, que recupera a energia contida nos resíduos sólidos urbanos na forma de energia elétrica ou térmica, tendo no material plástico a fonte combustível (ver PM 395, de setembro de 2007, pág. 13).

    A opção não substitui a reciclagem mecânica, o melhor caminho para o reaproveitamento do plástico proveniente da coleta seletiva. O processo mecânico de reciclagem efetua a conversão dos descartes industriais ou de pós-consumo em grânulos, reutilizados na produção de outros produtos, de qualidade próxima à obtida com resinas virgens. A favor dos produtos reciclados também conta o fato de boa parte das aparas plásticas serem reutilizadas na própria indústria que as gerou. Esses descartes da produção pouco perdem de suas propriedades.

    Plástico Moderno, Notícias - Pesquisa mostra evolução da reciclagem brasileira

    A reciclagem energética constitui uma importante alternativa para o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos e o plástico direcionado para esse tipo de processo seria aquele contaminado com resíduos orgânicos e, portanto, impróprio para reciclagem mecânica, além de dar uma destinação a produtos como laminados e co-extrudados, pela impossibilidade de separação dos materiais, inviabilizando-os para o sistema mecânico de reaproveitamento.

    Entre as ações para impulsionar a reciclagem energética, Assis destacou que a Plastivida está desenvolvendo um projeto nas petroquímicas com a finalidade de implantar o sistema na unidade da Quattor no Rio de Janeiro, nas fábricas da Bahia e do Rio Grande do Sul da Braskem, e, ainda, no futuro complexo do Comperj, no Rio de Janeiro.

    A pesquisa divulgada pela entidade dá seqüência a uma série de estudos empreendidos pela Plastivida, iniciados por censos regionais e divulgados desde 2000. Os levantamentos mais recentes, realizados pela Maxiquim (o último datava de 2005), como o deste ano, se basearam em metodologia do IBGE. A intenção da Plastivida é de caracterizar, dimensionar e analisar o desenvolvimento da reciclagem dos plásticos no país.



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