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12 de fevereiro de 2012

Notícias – País ganhará nova fábrica de compostos de poliamida

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Publicado por: Rose de Moraes
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    A companhia holandesa DSM planeja erguer uma fábrica de compostos de poliamidas no Brasil com o objetivo de atender à demanda da América Latina. A unidade deve entrar em operação em um prazo de 12 a 24 meses e, provavelmente, será instalada no estado de São Paulo. Além disso, a empresa deu início aos preparativos para constituir um centro local de desenvolvimento de produtos. As informações são de Koen Devits, presidente para as Américas da divisão Plásticos de Engenharia do grupo, que, por ora, prefere não divulgar o investimento e a capacidade produtiva previstos. “Serão substanciosos”, limita-se a dizer. Hoje a companhia atende o mercado brasileiro por meio de importações e pela produção terceirizada de um parceiro local, cujo nome é mantido em sigilo.

    Devits esteve em São Paulo em janeiro e fechou parceria com quatro distribuidoras que serão responsáveis pelas vendas e suporte técnico dos plásticos DSM no Brasil. São elas a Entec-Ravago e a Resinet, que terão atuação nacional, e a

    Plástico

    Devits (esq.) e Serturini: maior presença em países emergentes

    Polyfest e a DealerPlast, que se dedicarão a regiões específicas. A visita também serviu para o executivo acompanhar de perto o trabalho de estruturação regional da companhia que hoje mantém um escritório na capital paulista com dez membros e que deverá ser triplicado até 2013. Outra meta é estabelecer escritórios regionais no México, Argentina, Chile e Colômbia em um prazo de três anos. Foto: Cuca Jorge

    Em 2011, as vendas de plástico de engenharia da DSM na América Latina somaram US$ 60 milhões, sendo a metade proveniente do Brasil. Uma parcela pequena dentro do contexto global de faturamento da companhia, de aproximadamente 10 bilhões de euros, sendo 1,4 bilhão de euros da divisão de plásticos de engenharia, que tem sede em Cingapura e fábricas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, onde recentemente inaugurou uma indústria com capacidade para 50 mil toneladas anuais na China. Uma nova fábrica de proporções idênticas às chinesas também está sendo projetada para os Estados Unidos. A participação da DSM é tímida no mercado latino-americano de poliamidas, região que consome por volta de 200 mil toneladas anuais do material, o que gera um movimento financeiro na casa de US$ 1 bilhão, segundo os cálculos dos holandeses. Um mercado onde há fortes concorrentes globais estabelecidos como Basf, Rhodia e Lanxess e no qual a meta da DSM é estar entre os dois primeiros. “É a posição que ocupamos nos mercados em que já estamos com nossa participação amadurecida”, diz o executivo.

    A decisão da DSM de ampliar sua participação no mercado latino-americano de poliamidas, relata Devits, ocorreu na última reunião quinquenal de planejamento estratégico do grupo, em 2010. “Concluímos que precisávamos aumentar nossa presença nos mercados dos países em desenvolvimento que apresentam forte expansão. Desde então compramos um concorrente na Rússia, inauguramos em 2011 nossa segunda fábrica na Índia e agora chegou a vez de desenvolver nossos negócios na América Latina”, diz o executivo. A escolha do Brasil como sede da unidade produtiva que atenderá a região, informa, se deve ao mercado nacional, responsável hoje por 70% da demanda latino-americana.

    Segundo Andréa Serturini, vice-presidente da divisão para a América Latina, a estimativa é que o mercado brasileiro de poliamidas cresça entre 5% e 6% ao ano até 2020, numa projeção classificada por ele como conservadora. “O potencial é ainda maior. Se os investimentos projetados em infraestrutura e habitação realmente se realizarem, o mercado pode crescer 10% ao ano”, diz. Devits pondera, porém, que o custo de produção brasileiro, resultado de uma infraestrutura cara e ineficiente e também da alta carga de impostos e encargos trabalhistas, faz com que a empresa mantenha em aberto a opção de deslocar o investimento para outro país da região. “O que está influenciando a favor do Brasil na nossa decisão de investir é o fato de nossos clientes globais estarem aqui ou estarem se instalando no país. E queremos estar perto deles”, afirma o executivo.

    Linha de produtos – O grupo DSM atua nos segmentos de ciências, saúde e plásticos de engenharia. No Brasil, mantém uma unidade de produção de vitaminas. A companhia também manteve uma fábrica de elastômeros em Triunfo, no Rio Grande do Sul, onde produzia borracha sintética de monômeros de etileno propileno dieno (EPDM), sob a marca Keltan. Desde dezembro de 2010, a unidade é operada pela alemã Lanxess, que adquiriu os negócios globais de elastômeros da DSM por 310 milhões de euros.

    No negócio de poliamidas, relata Serturini, uma das grandes vantagens estratégicas da DSM é dominar toda a cadeia produtiva, fabricando a caprolactama e outros insumos básicos. No caso da fábrica brasileira, estas matérias-primas serão trazidas de outras unidades da DSM no exterior. Outro ponto importante considerado pelo executivo é a estratégia da companhia de formar equipe de funcionários dedicados a cada produto, responsáveis por atender à expectativa não só dos clientes diretos, mas também dos usuários finais dos bens de consumo produzidos com os plásticos da DSM.

    O carro-chefe da divisão de plásticos de engenharia da companhia holandesa, origem de 70% das vendas no Brasil, é o Akulon, uma poliamida 6 produzida por meio de policondensação de caprolactama. O principal destino do produto é a indústria automobilística, com 60% das encomendas, mas também se aplica na indústria de eletroeletrônicos e de bens de consumo. Outros produtos tradicionais da empresa são a poliamida 4.6 (marca Stanyl), os copoliésteres elastoméricos (TPC), comercializados sob a marca Arnitel e o poliéster termoplástico Arnite (uma blenda de PET/PBT).

    Entre as novas apostas da DSM no Brasil estão o Novamid, uma copoliamida para extrusão de aplicação na indústria de embalagens e filamentos, produto adquirido pelos holandeses da japonesa Mitsubishi e lançado no mercado latino-americano em agosto de 2011. Outro é o EcoPaxx, uma poliamida 4.10, biopolímero, que usa na sua formulação 70% de material renovável, no caso o óleo de mamona, com aplicação na indústria automobilística e de bens de consumo. O produto, informa Serturini, já é utilizado na Europa e está em fase de lançamento no Brasil. “Acreditamos que clientes globais do EcoPaxx, como Ford e Fiat, tendem a usar o material aqui também”, diz. O produto, segundo o executivo, pode reduzir em até 30% o tempo de injeção, diminuindo o consumo de energia na produção. Além disso, pode reduzir a espessura das paredes dos produtos finais em até 50%. O lançamento mais recente é o Akulon Fuellock, um polímero que, aplicado em tanques de combustível de carros, motos ou cortadores de grama, tem a capacidade de diminuir a evaporação da gasolina, reduzindo assim o impacto ambiental. Segundo Devits, a meta da divisão de plásticos de engenharia da DSM até 2015 é obter 20% de seu faturamento de produtos inovadores com características sus­tentáveis.



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