Plástico

3 de julho de 2012

Notícias – O mercado de reciclagem do PET cresce no país

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O total de garrafas PET produzidas no Brasil em 2011 alcançou o peso de 515 mil toneladas. Desse número, 294 mil toneladas, em torno de 57,1% do total, foram recicladas. O número representa crescimento de 4,25% sobre o total de garrafas reaproveitadas em 2010. O setor de reciclagem do PET movimenta no Brasil R$ 1,3 bilhão, valor próximo de um terço da indústria nacional do PET. O preço da matéria-prima revalorizada, conforme a aplicação, custa 20% menos que o equivalente de material virgem.

    Os dados são da oitava edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, estudo realizado por encomenda da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Eles foram apresentados durante a realização da 1ª Conferência Internacional da Indústria do PET, realizada entre os dias 11 e 12 de junho em São Paulo.

    “A quantidade de reciclados é bastante significativa, uma vez que a produção de resina virgem para esse mercado

    Plástico, Auri Marçon, presidente da Abipet, O mercado de reciclagem do PET cresce no país

    Marçon: falta matéria-prima para abastecer recicladoras nacionais

    cresceu 2%”, avalia Auri Marçon, presidente da Abipet. Ele lembra que a média de reciclagem norte-americana é de apenas 22% e a europeia é inferior a 40%.

    O presidente reconhece que alguns países avançados recolhem porcentagens superiores. São os casos, por exemplo, da Alemanha, onde a porcentagem se aproxima dos 90%, e do Japão, com 78%. “Em muitos desses países, no entanto, o material coletado não é reciclado”, acusa. De acordo com Marçon, são comuns os envios de contêineres de garrafas utilizadas recolhidas por países ricos para países africanos. O propósito do envio é o de ajudar as regiões mais pobres a desenvolver a economia. Não se tem certeza, no entanto, se esse material é reaproveitado.

    “No Brasil utilizamos toda a matéria-prima reciclada”, garante. Ele lembra que a indústria brasileira conta com 294 mil toneladas de capacidade de reciclagem e atua com ociosidade de 26,4%. “A toda hora recebo consultas de empresários interessados em investir em reciclagem. Não temos mais plantas especializadas na operação por falta de matéria-prima”, explica.

    Entraves – O cenário favorece a expansão da atividade. Há, no entanto, alguns “gargalos” que precisam ser solucionados. Para melhor compreender onde se encontram as barreiras, a Abipet avalia o negócio em quatro etapas. Na primeira, ela estuda o hábito do consumidor de descartar as garrafas com propriedade, em separado de outros tipos de resíduos. Caso o descarte seja feito junto com o lixo orgânico, por exemplo, a dificuldade de recuperação é bem maior. Para o dirigente, esse não chega a ser um grande problema, há o interesse manifesto por parte da maioria das pessoas em colaborar com o meio ambiente.

    Na segunda etapa, chamada de logística reversa, ocorre o envio das garrafas usadas para a indústria da reciclagem. “Aí está o grande problema. Muito material é perdido por não existir política pública de coleta seletiva”, analisa. No país, menos de 10% das cidades contam com a operação. Um exemplo ocorre na capital paulista. “A falta de coleta seletiva leva São Paulo a ter o maior desperdício da América Latina, talvez do mundo.” Essa falha tem sido reduzida com a colaboração da iniciativa privada, que conseguiu montar uma rede alternativa de coleta. O esforço, no entanto, não se mostra suficiente.

    O terceiro passo envolve a atuação dos centros de triagem e do parque industrial de reciclagem. “Isso não é problema, estamos bem estruturados”, resume. O quarto é o da demanda do material reciclado. Também nessa etapa, a indústria nacional se mostra preparada. “Há quinze anos, a indústria via o uso do PET recuperado com alguma resistência. Hoje grandes indústrias multinacionais nos procuram para aproveitar esse material”, informa. Marçon aponta, por exemplo, os casos de todas as indústrias automobilísticas, da Unilever, Coca-Cola, Bombril e Natura, entre outras marcas muito conhecidas dos brasileiros que aproveitam a resina recuperada.

    Em torno de 39,3% do PET reciclado é aproveitado pela indústria têxtil. Desse total, 43% vai para o segmento de não tecidos, 30% para os de tecidos e malhas e 27% para monofilamentos, usados em linhas de produção de cerdas e cordas. O setor em segundo lugar entre os maiores usuários dos reciclados, com 18,7%, é o de resinas insaturadas e alquídicas. Essas resinas são usadas na fabricação de compostos enriquecidos com fibras de vidro, como os presentes em bancos de ônibus, por exemplo, e pelas indústrias de tintas e vernizes.

    Em terceiro lugar, aparece a indústria de transformação de garrafas usadas em garrafas novas, com 18% de aproveitamento do material reciclado. “Nessa operação não se costuma usar 100% de PET reciclado”, ressalta. Em seguida, surgem os segmentos de chapas e laminados (7,9%), fitas para arquear (6,7%), tubos (1,9%) e outros (7,5%). “Temos aplicações voltadas para a produção de peças nobres, como os puxadores de fogão”, lembra Marçon.

    Virgem – Durante a realização da Conferência, um dos assuntos mais discutidos foi o da produção do PET virgem no Brasil. Hoje, a única fabricante da resina no país é a empresa de origem italiana Mossi & Ghisolfi (M&G), com capacidade de produção em torno de 550 mil toneladas por ano. No primeiro semestre de 2013 entra em operação a planta da petroquímica Suape, em Pernambuco, fruto de investimentos da Petrobras. Quando estiver em pleno funcionamento terá capacidade para 400 mil toneladas/ano. Ao todo, a capacidade saltará para mais de 900 mil toneladas/ano, enquanto o consumo no ano passado foi de 515 mil toneladas/ano.

    “Nos últimos dez anos, o crescimento médio do uso do PET virgem ficou em torno de 7,5% ao ano”, diz. Vale lembrar: em 2011, o consumo cresceu apenas 2%. “Isso se deu pelo avanço da tecnologia, nos últimos dois anos as garrafas ficaram mais leves. Se levarmos em consideração o número de embalagens fabricadas, o crescimento se manteve entre 7% e 10%.” De qualquer forma, o índice de crescimento dificilmente se manterá no patamar verificado na última década. “Acredito em 4% em 2012.”

    Pode parecer que a capacidade instalada ficará muito maior do que o necessário. Marçon não acredita nisso. Para ele, o mercado absorverá em prazo não muito longo o novo potencial de fabricação. O presidente da Abipet justifica sua expectativa. No ano passado, por problemas técnicos em sua fábrica, a M&G produziu apenas 376 mil toneladas. Outras 92 mil toneladas da matéria-prima virgem foram importadas. Também chegaram ao Brasil milhares de toneladas de pré-formas já injetadas.

    “No ano passado, a produção nacional deixou de atender um consumo de quase 200 mil toneladas”, resume. Não bastasse o mercado interno, a petroquímica de Suape também tem planos de abastecer os países vizinhos. “Na Argentina, a demanda é de 230 mil toneladas/ano, Paraguai e Uruguai juntos usam mais 150 mil toneladas/ano”, lembra.

    Some-se ao cenário otimista, a evolução da participação das embalagens de PET em mercados nos quais atuam de forma incipiente no Brasil. Podemos citar os segmentos de leite e derivados, higiene, cosméticos e cerveja. “O PET ainda atua de forma insignificante nesses setores, mas existe o interesse de investimentos de transformadores para atender esses nichos. Não se fazem grandes plantas industriais do dia para a noite, mas a matéria-prima é muito competitiva, deve ganhar espaço nos próximos anos”, acredita.

    “Loira” no PET – Na Polônia, 1,5% do volume de cerveja é vendido em embalagens PET. Na Bulgária, esse número chega a 76%. No Brasil, a Kaiser está fazendo a primeira experiência de utilização da resina em embalagens da bebida. A marca acaba de lançar um barril com capacidade de 3,5 litros, motivo de campanha publicitária na televisão.

    Um dos palestrantes da conferência, Paulo Macedo, vice-presidente da Heineken, detentora da marca Kaiser, acredita na evolução do uso da matéria-prima nessa finalidade. A ausência do PET para embalar cervejas no Brasil é explicada por alguns fatores. Macedo não fala abertamente. Para ele, no entanto, a principal dificuldade é a falta de interesse da Ambev, principal fabricante do país. A presença do PET poderia facilitar a entrada no mercado de pequenas cervejarias, aumentando a concorrência existente hoje. Algo que ocorreu com o mercado de refrigerantes, detentor de várias novas marcas depois da adoção de embalagens da resina.

    O vice-presidente da Heineken fala sobre as dificuldades de implantação do PET pelas empresas do setor. Um dos obstáculos foi uma campanha publicitária assinada pela ONG OndAzul, veiculada na televisão aberta há alguns anos. A campanha falava que a adoção do PET pelas cervejarias iria “inundar” o meio ambiente com dez bilhões de garrafas plásticas. “Não podemos afirmar nada, mas quem pagou essa campanha?”, pergunta. Por conta da ameaça explicitada pela publicidade, o poder judiciário passou a exigir algumas ações burocráticas que invalidaram a fabricação das embalagens por aqui. Para se ter uma ideia da dificuldade, os barris da marca Kaiser por enquanto são fabricados no exterior.

    Apesar dos obstáculos, a expectativa de Macedo é positiva. “O uso do PET vai ocorrer. É difícil estimar quanto, devemos ficar entre Polônia e Bulgária”, brinca. De qualquer forma, o potencial do mercado é impressionante. Em 2013, o país deve produzir algo em torno de 2 bilhões de hectolitros de cerveja.

    Para rebater as justificativas dos “adversários” da resina, Macedo lembra alguns benefícios ambientais gerados pelo PET. A emissão de poluentes gerada pelo transporte em caminhão de garrafas retornáveis é um exemplo. “O peso do vidro é de 48% da carga, enquanto o do PET é de 2%.” Outra vantagem: o vidro retornável exige entre cinco e seis litros de água para ser lavado. O de PET gasta dois litros de água.



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