Compósitos

17 de janeiro de 2008

Notícias – Nanopartículas avançam no mundo dos compósitos

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Criar, produzir e transformar compósitos dotados de partículas com dimensões nanométricas continua a ser um grande desafio para as empresas que atuam dentro da indústria do plástico. O campo desses compostos cresce a cada dia nas mais distintas aplicações e a possibilidade de retorno anima todos os nomes de peso do setor a pesquisar e desenvolver soluções.

    Plástico Moderno, Ricardo Jacob, Notícias - Nanopartículas avançam no mundo dos compósitos

    Jacob se entusiasmou com a possibilidade de negócios

    O tema suscita mais emoções no exterior, em especial nos países desenvolvidos. Por aqui, investir em soluções de nanotecnologia não tem sido atividade vista com muito entusiasmo pelos empresários. Mas há exceções. Algumas empresas do ramo com capital totalmente nacional descobriram o filão e estão animadas com os resultados que vêm obtendo em suas iniciativas. As maiores novidades geradas por essas abnegadas companhias ganharam destaque na NanoBusiness 2007, terceira edição do congresso Nanotec. O evento, organizado pela RJR Eventos, foi realizado nos dias 12 e 13 de novembro no Hotel Meliá Mofarrej, em São Paulo, e contou com a participação de alguns dos principais nomes do Brasil especializados em nanotecnologia. De acordo com uma pesquisa divulgada no evento, realizada pela consultoria Lux Research, pioneira no mundo no campo da nanotecnologia, o mercado global de produtos dotados de algum tipo de material nanoparticulado em sua composição pode movimentar a bagatela de US$ 2,4 trilhões em todo o mundo no ano de 2014. O setor de plásticos deve participar de maneira significativa nessa soma. É o que todos os especialistas dizem, baseados nos milionários investimentos realizados pelas gigantes multinacionais que lideram o mercado mundial do fornecimento de resinas, sem falar no esforço das empresas transformadoras e também das usuárias de peças plásticas.

    Transformador na área – Nas duas edições anteriores da Nanotec, algumas empresas nacionais fornecedoras de matérias-primas se destacaram. Entre elas, a Braskem e a Suzano Petroquímica, esta última recém-adquirida pela Petrobras. Ambas contam com algumas patentes registradas e, mais do que isso, comercializam variedades de nanocompostos no mercado nacional. Nesta edição, a maior novidade da indústria brasileira de plásticos no evento ficou por conta da exposição dos investimentos feitos por uma das mais conhecidas transformadoras do país, a Plásticos Mueller. No mercado desde 1935, a empresa conta com três fábricas no Brasil e mais de 160 máquinas injetoras, desde 25 até 30 mil toneladas de força de fechamento. O presidente da empresa, Ricardo Jacob, contou a maneira curiosa como decidiu apostar nessa empreitada.

    Ao assistir as palestras da Nanotec 2006, o dirigente ficou impressionado com as possibilidades de negócios oferecidos pela nanotecnologia. Logo em seguida, convidou os organizadores do evento e alguns especialistas para falar sobre o tema na empresa. No final da apresentação, o executivo prometeu para 2007 um projeto desenvolvido pela Mueller. E cumpriu a promessa. Paulo Rodi, gerente do centro tecnológico da Mueller, fez um resumo do trabalho realizado pela transformadora. Foi escolhida uma peça fabricada em metal, a barra do teto do Fiat Idea Adventure. A partir daí, o objetivo da pesquisa foi direcionado para reproduzir essa peça em náilon reforçado com nanopartículas de argila. Uma vez confeccionada em plástico, a peça apresentaria muitas vantagens, como forte redução de peso, possibilidade de reciclagem e menor custo de produção. “E nós teríamos a vantagem competitiva que o mercado dá para as empresas que incorporam inovações em seus produtos”, emendou Rodi. O projeto foi posto em prática em parceria com a Rhodia, fornecedora do náilon. Depois de vários estudos, chegou-se ao objetivo com resultados surpreendentes. Com 33% a menos de peso, a peça apresentou rigidez e resistência comparáveis às de metal, maior resistência ao impacto, melhor acabamento superficial e novas possibilidades de design, entre outras características. O projeto foi apresentado à Fiat, que gostou da alternativa e deve adotá-la em breve. Os bons resultados levaram a empresa a um segundo projeto, este iniciado em 2007 e posto em prática em parceria com a então Suzano Petroquímica. A idéia foi produzir tubos de ventilação de polipropileno para aparelhos de ar condicionado de automóveis enriquecidos com nanopartículas de prata, antibacterianas. O uso do composto nessa aplicação evita o mau cheiro dentro dos veículos proveniente da contaminação do ar que circula pelo sistema de ar condicionado. Esse é outro projeto bem recebido pelas montadoras e que pode se tornar realidade em um prazo curto.

    De acordo com Jacob, a empresa investiu, nesses primeiros estudos, R$ 3 milhões em recursos próprios. Em um futuro próximo, ele espera investir outros R$ 7 milhões para desenvolver novas aplicações de compostos. O presidente da Mueller acredita que iniciativas como essas são fundamentais para a sobrevivência das empresas interessadas em no futuro ganhar espaço no mercado e defendeu uma maior aproximação entre as empresas nacionais e as universidades. “Nas universidades existe muita gente dedicada que merece uma chance”, resumiu.


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