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29 de dezembro de 2008

Notícias – Nanociência impulsiona a indústria do plástico

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    É muito bom o potencial de mercado oferecido pela nanociência à indústria do plástico. Compostos formados pela associação de resinas com nanopartículas de materiais como argilas, prata ou nanotubos de carbono apresentam características especiais, capazes de permitir o uso do plástico em aplicações impensáveis. Esses compostos podem ter várias propriedades, como grande resistência mecânica, barreira à transposição de odores e gases, resistência térmica, maior estabilidade dimensional, propriedades bactericidas e antimicrobianas e/ou a possibilidade de obtenção de peças plásticas com condutividade elétrica.

    Outra vantagem: enquanto os compósitos tradicionais utilizam, em média, 30% de cargas em sua formulação – em alguns casos chega próximo dos 50% –, os nanoparticulados necessitam de apenas 5% ou 6%. Por isso, são mais leves e fáceis de moldar. A menor presença de cargas também possibilita maior facilidade de reciclagem, propiciando à indústria se adaptar com maior facilidade às legislações voltadas para a proteção do meio ambiente, que prometem se tornar mais rigorosas a cada dia.

    As muitas possibilidades do uso de nanocompostos foram temas de várias palestras apresentadas durante a quarta edição da Nanotec, congresso e exposição de nanotecnologia, realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, em São Paulo. O evento foi organizado pela Promove Eventos e contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, do Finep, Inmetro, ABNT e das entidades patronais Fiesp, Abiquim (indústria química), Abiplast (plásticos), Abit (indústria têxtil), Abinee (elétrica e eletrônica), Abimaq (máquinas) e Sindipeças (autopeças).

    Academia e indústria – Nos debates, alguns temas mereceram destaque. Um deles ficou por conta da falta de uma constatação positiva para as empresas brasileiras. Ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, a área acadêmica no Brasil se encontra muito distante do setor produtivo. Para se ter uma idéia dessa distância, por aqui 80% dos cientistas fazem carreira no mundo acadêmico. No exterior, esse índice é o oposto, 80% estão empregados na iniciativa privada.

    A nanotecnologia espelha bem essa realidade. No Brasil, calcula-se que houve investimento em pesquisa e desenvolvimento de nanotecnologia de R$ 200 milhões nos últimos quatro anos. A cifra é bastante modesta perante os vultosos investimentos feitos por outros países, até mesmo pelos demais participantes do BRIC – Rússia, Índia e China.

    Em torno de 75% dessa cifra foi disponibilizada pelo governo federal, que conta com programa nacional para desenvolver o tema. No exterior, as empresas investem somas muito mais expressivas do que as governamentais. Em termos acadêmicos, muitos estudos de qualidade estão sendo desenvolvidos por aqui. Esses estudos são, na maioria das vezes, ignorados. O número de produtos brasileiros com tecnologia “nano” disponíveis no mercado ainda é pífio.

    O tema resultou em debates acalorados. Por um lado, defensores da aproximação entre academia e indústria fizeram ardorosa defesa da necessidade de maior investimento por parte das empresas. Por outro, representantes empresariais dos mais variados segmentos da economia jogaram a culpa do cenário para a falta de financiamento para a realização de pesquisas, excesso de carga tributária e outras mazelas que há anos geram queixas da indústria.

    Os promotores do evento encontraram uma forma para que as discussões não morressem sem qualquer avanço: pela primeira vez, durante a realização da Nanotec, representantes das instituições de ensino e pesquisa tiveram a oportunidade de apresentar projetos desenvolvidos no campo da ciência diretamente para representantes da indústria. “Quem sabe, dessa aproximação, surjam novos produtos brasileiros”, resumiu Ronaldo Marchese, presidente da Promove.

    Projetos em andamento – Não existem números oficiais que dimensionem com exatidão o mercado mundial de nanocompósitos. Estima-se que hoje ele deva superar a casa das 100 mil toneladas em todo o mundo, movimentando uma cifra de US$ 180 milhões. Vários produtos já se encontram no mercado.

    Entre as empresas brasileiras, a Quattor (ex-Suzano Petroquímica) é a pioneira no país no lançamento de um composto do gênero. Graças a uma parceria com a Suggar, há cerca de três anos a fabricante de matérias-primas passou a investir no desenvolvimento de um composto antimicrobiano e bactericida enriquecido com nanopartículas de prata.

    Outros projetos da empresa estão em curso e envolvem o lançamento de compostos resistentes às chamas, com maior resistência mecânica e aos riscos, entre outros. Representante da empresa no congresso, o tecnologista Adair Rangel demonstrou a grande vantagem do desempenho dos nanomateriais em relação aos compostos hoje utilizados.


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