Máquinas e Equipamentos

12 de fevereiro de 2012

Notícias – Moldes importados ja detém 70% da demanda

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Os fabricantes nacionais de moldes chegam a perder 70% da demanda interna para as importações, que continuam crescentes no setor. A informação é da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, entidade que não poupa esforços para reverter essa tendência.

    “De acordo com nossas avaliações, 70% dos moldes utilizados em vários setores que transformam plásticos são oriundos de importações”, informou o presidente dessa câmara setorial, Alexandre Fix. Presidente da Polimold, uma das maiores empresas nacionais do setor, o empresário, recentemente reeleito para um segundo mandato na presidência dessa câmara setorial, afirmou que continuará lutando em prol do fortalecimento do setor de moldes, levando em conta ainda outros agravantes. Um deles dá conta de que esse percentual sobe para 90%, em se tratando da importação de moldes de alta tecnologia, ou seja, moldes mais sofisticados para injeção, confeccionados para a fabricação de para-choques automotivos, por exemplo, e também de moldes com mais de 50 cavidades para sopro, destinados a suprir as necessidades do setor de embalagens para águas e refrigerantes. A lista é bastante ampla e inclui também os moldes destinados a atender a produção de peças de alta precisão, como componentes eletrônicos.

    As importações de moldes, segundo Fix, se acentuaram principalmente nos últimos anos, em razão das consequências decorrentes da portaria, baixada pelo Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, que concede alíquota zero para a importação de ferramentais de conformação usados, fabricados em outros países.

    “Nós temos que estabelecer uma política industrial para a produção de moldes e ferramentas no país, tomando como exemplo várias iniciativas que estão sendo implementadas em vários países”, afirmou Fix. De acordo com o empresário, os japoneses desenvolvem os projetos de moldes, mas estabelecem parcerias com fabricantes de países asiáticos, como a China e a Tailândia, para a sua produção. Já os chineses posicionam as ferramentarias como um setor estratégico, concedendo prioridade às suas atividades, incluindo aquelas previstas nos planos quinquenais de desenvolvimento, enquanto os europeus incluem as atividades realizadas pelas ferramentarias em programas especiais de proteção de clusters.

    “No Brasil, pretendemos oficializar a criação do polo de desenvolvimento de ferramentarias na região do grande ABCD”, antecipou Fix. O novo polo, que terá como objetivo fortalecer o setor e combater as importações de moldes, deverá implementar maior vulto às atividades das ferramentarias nacionais. De acordo com o empresário, a intenção é transformar o Brasil, em poucos anos, num dos mais avançados centros de ferramentaria do mundo, tanto do ponto de vista tecnológico como da oferta de moldes com maior valor agregado, abrangendo desde a concepção dos projetos até as execuções finais.

    Uma das prioridades do novo polo será estimular a implementação de novas tecnologias de conformação de moldes, ferramentas de estampo, modelos de fundição por gravidade, entre outras, atividades que estão sendo previstas para a sua criação. Ao novo polo também caberá promover a interligação com outras regiões do país nas quais se observa a formação de clusters, como em Joinville-SC e em Caxias do Sul-RS, respectivamente o segundo e o terceiro maior polo de ferramentarias do país. “A nossa intenção é estimular parcerias para os fornecimentos em nossa cadeia produtiva com o objetivo de trazer de volta a competitividade para o nosso setor no país”, resumiu Fix.

    A maior participação das ferramentarias nacionais na produção de moldes destinados à fabricação de autopeças que irão compor os novos modelos de automóveis também está sendo pleiteada e deverá ser resgatada por meio dos esforços empresariais. Essas serão as principais prioridades dessa câmara setorial da Abimaq nessa próxima gestão liderada pelo empresário.

    “Precisamos reverter a tendência de substituição de moldes e ferramentas nacionais por moldes e ferramentas produzidas na Ásia, seja por preço ou por imposição de contratos mundiais”, considerou Carlos Manoel de Carvalho, vice-presidente empossado recentemente nessa câmara setorial.

    Iniciativas em prol das ferramentarias são observadas e consolidadas em várias partes do mundo. Na China, investe-se de forma intensiva na formação de mão de obra, com a criação de ferramentarias-escolas e a promoção de intercâmbio tecnológico obrigatório para as empresas estrangeiras que resolvem se instalar lá.

    Em decorrência dessas ações, a China se tornou em 2010 o terceiro maior parque produtor de moldes e ferramentas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. “Estima-se, hoje, a existência de 6 mil ferramentarias em atividade na China, que faturam cerca de US$ 17 bilhões e empregam mais de 417 mil trabalhadores diretos”, informou o vice-presidente da câmara setorial de moldes.

    As metas perseguidas pelos chineses, de acordo com o último plano quinquenal (2006-2010), segundo Carvalho, preveem elevar o nível tecnológico na fabricação de moldes aos mesmos padrões de precisão já alcançados pelos japoneses.

    Naquele país também já foram previstas outras medidas para aumentar a competitividade no setor, como reduzir em 30% o tempo de manufatura de moldes, dobrar o uso de máquinas CNC e de programas de CAD/CAM, atendendo, no mínimo, entre 80% e 85% da demanda interna, além de elevar de 30% para 40% a produção de moldes e de ferramentas de alto nível de tecnologia, e aumentar de 50% para 70% a produção de aços especiais para a fabricação de moldes e ferramentas.

    Outra iniciativa do governo chinês, segundo lembrou Carvalho, com o intuito de destacar os avanços alcançados nesse setor, foi regionalizar a produção do setor de moldes e ferramentas em quatro polos de desenvolvimento de tecnologia e de formação de clusters.

    Ao comentar algumas medidas governamentais mais recentes tomadas para aliviar a tensão observada entre os fabricantes nacionais de moldes, Carvalho afirmou: “A elevação da alíquota de importação de moldes de 14% para 30%, adotada pelo governo brasileiro, é apenas um atenuante, pois não é o suficiente para que as ferramentarias voltem a investir em tecnologia e treinamento de mão de obra, iniciativas que são muito necessárias, pois enquanto a produção de veículos no Brasil vem crescendo a taxas significativas, desde 2008, o volume de autopeças produzido pelas indústrias nacionais tem se mantido estável, o que denota estar ocorrendo uma crescente participação de componentes importados nos veículos fabricados no Brasil”, observou o especialista.



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