Economia

21 de dezembro de 2011

Notícias – Máquinas estrangeiras faturam abaixo da meta

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Empresas importadoras de bens de capital devem movimentar US$ 2,4 bilhões em 2011, valor cerca de 10% superior ao do ano passado. Os números são da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), entidade criada em 2003 que congrega 80 associados, responsáveis por mais de 80% dos principais participantes do setor no Brasil.

    O resultado deste ano é inferior à previsão da associação, que projetava crescimento entre 15% e 20%. O setor foi prejudicado pela queda das vendas verificada a partir de setembro, momento em que eclodiu com maior força a crise da Grécia e da Itália. O valor está aquém do melhor período vivido pelas empresas do setor, o de janeiro a setembro de 2008, quando foram negociados US$ 2,6 bilhões. No último trimestre daquele ano, a crise econômica internacional prejudicou bastante os negócios.

    “Para 2012, as previsões são indefinidas”, analisa. Entre os aspectos que alimentam o otimismo do dirigente, encontra-se o esforço do governo para manter o mercado interno em alta. Medidas como a queda dos juros ou a redução de IPI dos produtos de linha branca são muito úteis para a retomada dos investimentos nas linhas de produção.

    Apesar de apresentar restrições à medida, o aumento do IPI de carros importados também pode ajudar os clientes dos associados da Abimei a adquirir novos equipamentos. “Ainda não temos uma visão clara de quanto o aumento de tributação dos automóveis pode colaborar com o crescimento de nossos negócios”, avalia. Por outro lado, o presidente demonstra preocupação com o possível agravamento da crise econômica internacional, que pode gerar incertezas e atrapalhar o desempenho do PIB nacional.

    De acordo com Ennio Crispino, presidente da Abimei, a importação de máquinas de transformação de plástico manteve os níveis de 2010, considerados muito bons pelos importadores. O “boom” da chegada de equipamentos para plástico, no entanto, ocorreu em 2009, quando foi batido o recorde do setor. “Não calculamos o valor exato das importações para a indústria do plástico, não sabemos agora o quanto elas representam do total movimentado pelos importadores”, ressalta.

    Ainda em relação ao mercado de máquinas para plástico, o presidente se mostra otimista em relação a 2012. “A venda de peças plásticas costuma se elevar com a melhora do poder aquisitivo da população. Além disso, o plástico vem ganhando espaço, passando a ser usado em aplicações antes restritas a outros materiais”, justifica.

    Crispino não concorda com a acusação feita pelos fabricantes nacionais de bens de capital de que a importação desenfreada provoca a desindustrialização nacional do setor. “A importação é atividade reguladora do mercado, fundamental para equilibrar a oferta de máquinas operatrizes e equipamentos industriais no país”, alega. Para o presidente da Abimei, o Brasil precisa importar equipamentos para tornar suas empresas mais produtivas em tempos de crescimento do PIB. “Se todos os interessados passassem a adquirir apenas equipamentos brasileiros, o tempo de entrega das máquinas seria muito superior”, diz.

    Ele reconhece que a desvalorização do dólar motivada pela conjuntura econômica internacional afetou a competitividade dos fabricantes nacionais. Mas faz uma ressalva. “Dados da própria Abimaq revelam crescimento de 9,7% no faturamento real da indústria de bens de capital mecânicos nos oito primeiros meses de 2011, somente 3,1% abaixo dos níveis de 2008”, diz. Para o presidente, os fabricantes nacionais, nos anos em que eram mais protegidos, perderam a oportunidade de se modernizar, não se prepararam tecnologicamente para fazer frente aos importados quando a concorrência se acirrou.

    Crispino concorda com uma constatação feita pela indústria de base brasileira e também defende a adoção de uma política industrial voltada para estimular a produção e a redução do chamado “custo Brasil”, além de maiores investimentos em infraestrutura e logística.

     

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