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3 de maio de 2011

Notícias – Itália desenvolve sistemas para combater pirataria

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Publicado por: Anelise Sanches de Roma
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    O que indústrias de diferentes segmentos como têxtil, alimentar, discográfico e farmacêutico têm em comum? Um problema transversal, que não conhece crises nem fronteiras: o fenômeno da falsificação.

    Segundo os recentes dados divulgados pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), graças à pirataria, no ano passado o Brasil deixou de arrecadar US$ 24 bilhões em impostos, além dos prejuízos para as empresas nacionais. Estima-se que, em 2010, essa atividade ilegal tenha impedido a geração de 2 milhões de empregos formais no país.

    No entanto, engana-se quem acredita que a pirataria provoque danos irreparáveis apenas nas economias das nações em via de desenvolvimento. De acordo com a Comissão Europeia, a indústria da falsificação fatura, anualmente, no mundo todo, cerca de 350 bilhões de euros.

    Plástico Moderno, Notícias - Itália desenvolve sistemas para combater pirataria

    Técnica produz polímeros com características de luminescência

    A globalização e a expansão da União Europeia representam fatores decisivos nas estatísticas alarmantes sobre a pirataria e, no Velho Continente, estuda-se a criação de uma eventual agência única para combater a falsificação.

    Entre os países europeus, quem lidera o ranking do mercado da falsificação comercial é a Itália, com 7,5 bilhões de euros, provenientes, sobretudo, de produtos de vestuário.

    No território italiano, as principais vítimas do fenômeno não são as multinacionais, mas os 4 milhões de pequenas e médias empresas que, raramente, dispõem do know-how necessário para defender a própria marca.

    Com a cumplicidade de organizações criminosas, a importação de produtos alimentares falsificados se tornou um negócio rentável para a máfia italiana e, recentemente, o site Wikileaks revelou, por exemplo, a preocupação do cônsul americano, em Nápoles, sobre as irregularidades nas etiquetas de alimentos como maçãs recobertas de pesticidas, importadas da Moldávia, e sal marroquino contaminado por bactérias.

    Do ponto de vista legal, a Itália propôs, no final de janeiro, a adoção de uma nova norma que prevê a obrigatoriedade de uma etiqueta que revele, detalhadamente, a origem de todas as matérias-primas empregadas na produção e conservação dos produtos alimentares comercializados no país. No entanto, a medida – chamada pela imprensa de “decreto salva made in Italy” – ainda não foi colocada em prática e os comissários da saúde e agricultura da União Europeia, John Dalli e Dacian Ciolos, consideram “inoportuna” a iniciativa italiana.
    Com a pressão dos lobistas de grandes multinacionais, o governo italiano teme que os líderes das instituições europeias possam dificultar a aplicação da normativa em nome da livre concorrência. “Sabemos que essa lei contrasta as normas europeias porque as etiquetas alimentares são uma competência da União Europeia, portanto não podemos excluir a hipótese de que a Itália seja sancionada”, explica Silvia Biasotto, responsável pela segurança alimentar do Movimento de Defesa do Cidadão (MDC).

    Enquanto em âmbito institucional a luta contra a falsificação de rótulos e etiquetas gera conflitos, o mundo acadêmico estuda soluções tecnológicas para combater a indústria da pirataria, cada vez mais sofisticada.

    Atualmente, o mercado dispõe de diferentes soluções para combater esse tipo de crime, como a identificação por radiofrequência, hologramas, tintas especiais como aquelas termocrômicas, etiquetas termossensíveis, tintas invisíveis UV, selos de segurança autodestrutíveis ou rótulos com uma imagem revelada somente com o uso de uma lente especial, entre outras inovações.
    Nos últimos anos, uma das técnicas antifraude mais estudadas por pesquisadores europeus é a fluorescência de alguns materiais quando eles são expostos a radiações ultravioleta ou outros tipos de radiação. Essa propriedade sempre foi considerada estratégica no combate à falsificação e muitos produtos de uso comum como os cartões de crédito, selos, notas de dinheiro e passaportes empregam essa tecnologia.

    Agora, para garantir o respeito ao conceito de propriedade industrial, o mundo acadêmico aposta em tecnologias e materiais ainda mais avançados. Algumas das mais renomadas universidades italianas, por exemplo, estão investindo no desenvolvimento de uma nova classe de aditivos para polímeros termoplásticos capazes de transformá-los em materiais altamente luminescentes.

    Gianfranco Carotenuto, professor do Istituto per i Materiali Compositi e Biomedici do Centro Nazionale di Ricerca (CNR), de Nápoles, explica que, geralmente, as substâncias fluorescentes são imperceptíveis pelo olho humano. No entanto, se forem estimuladas por radiações de alta energia, emitem luz graças à presença de grupos funcionais chamados fluoforos.

    Essa particularidade, obviamente, poderia desempenhar um papel central no mercado da autenticação se existisse a possibilidade de modular a frequência de emissão do material; garantir que as emissões de luz acontecessem somente quando o material fosse exposto a uma radiação UV de um específico comprimento de onda; e, enfim, obter uma


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