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22 de abril de 2010

Notícias – Integração petroquímica é tema de reunião no Sul

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    O tema da nova Braskem, alçada ao posto de gigante latino-americana do setor petroquímico ao adquirir a Quattor, foi o ponto alto da reunião mensal do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho – Simplás. O evento aconteceu em primeiro de março, em Caxias do Sul, e o vice-presidente corporativo do braço petroquímico do grupo Odebrecht, Rui Chammas, foi o porta-voz das decisões do grupo para a cadeia petroquímica.

    As palavras de um executivo da primeira linha diretiva da Braskem podem ter aliviado a preocupação dos transformadores gaúchos relacionada com o surgimento do novo monopólio na cadeia produtiva do plástico, o que na visão desses empreendedores os tornaria atrelados a uma política de preços sem a lei da oferta e da procura dentro de um ambiente de competição, pois, com a aquisição, a Braskem ocupará 73% do mercado de resinas no país – antes eram 52%. Segundo Chammas, a Braskem permanece como empresa privada e preocupada com o crescimento de seus clientes.

    O vice-presidente corporativo destacou o comprometimento corporativo com todos os elos da cadeia petroquímica, oferecendo soluções diferenciadas e possibilitando o crescimento em conjunto, um dos pilares de sua estratégia. A mesma filosofia operacional vale para os novos clientes que serão herdados por conta da compra da Quattor.

    Para Chammas, a integração petroquímica é natural porque os antigos players não ofereciam mais condições de operar na nova configuração da escala global firmada com as megacorporações, como é o caso da Braskem, que passo a passo vem construindo uma superestrutura capaz de colocá-la na disputa da liderança mundial. Ele assegurou que o portfólio de produtos Quattor será mantido no mercado pelo menos por enquanto. “Não existe intenção de eliminar grades de produtos”, assegurou.

    O vice-presidente enalteceu a pesquisa tecnológica em busca de novas matérias-primas de fontes renováveis a ser reforçada. “A Braskem é a empresa com maior volume de investimentos em matérias-primas como é o caso do polietileno verde que sairá aqui do Rio Grande do Sul pela rota do etanol”, enfatizou o executivo.

    Ao mesmo tempo, revelou que a Braskem abortou o projeto inicial para a produção do polipropileno verde, mas contratou uma empresa para tentar uma tecnologia capaz de atender às expectativas do grupo com relação à qualidade do produto e em condições de competitividade. Ele não quis comentar as razões da decisão. Nem a empresa contratada para recomeçar as pesquisas.

    Diretrizes e reconfiguração – Diversificação das matérias-primas, aumento de escala e complementaridade geográfica, fortalecimento e competitividade de toda a cadeia produtiva, equilíbrio da estrutura de capital, valor agregado aos seus acionistas, e consolidação das participações da Odebrecht e da Petrobras nas atividades do setor, essas são as principais diretrizes traçadas pela diretoria da Braskem nesta etapa pós-aquisição do conglomerado Quattor.

    De acordo com Chammas, a aplicação dessas diretrizes começa por assegurar a liderança da corporação nas Américas como direcionamento estratégico. O vice-presidente esclareceu ainda como fica a recomposição de ativos com a aquisição em curso da Quattor. Confirmou que 50% da Carbocloro e 33,3% da Polibutenos serão da Braskem. Os 60% da Quattor Participações serão igualmente da organização e os outros 40% ficarão sob controle da Petrobras. O braço petroquímico da Odebrecht abocanha ainda 100% da Unipar Comercial, 94,11% da Quattor Química – 5,89% serão Petrobras –, 65%, 98% da Riopol e 99,30% da Quattor Petroquímica. Vinte e cinco por cento da Riopol permanecem com a BNDESpar.

    Quanto ao caminho a ser percorrido, Chammas confirmou: para a conclusão da transação, a Braskem terá um aumento de capital de R$ 1 bilhão, originário da Odebrecht, R$ 2,5 bilhões ficam a cargo da Petrobras, e entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão estão sob controle dos acionistas minoritários. Com isso, a Odebrecht deterá mais de 50% do total de ações ordinárias.

    Enquanto a integração acionária não ocorre, Braskem e Quattor operam independentes. Na recomposição diretiva, a Petrobras aumenta a quantidade de representantes no Conselho de Administração da empresa de três para quatro. Atualmente a Braskem conta com 4.600 funcionários, 17 plantas com integração entre 1ª e 2ª geração petroquímica – BA, RS, AL, SP (não-integrada). Detém ainda 52% do mercado brasileiro de resinas com capacidade total de 3 milhões e 585 mil toneladas de resinas: 510 mil t de PVC, 1 milhão de t de polipropileno e 1 milhão, 995 mil t de polietilenos.

    Com a aquisição da Quattor, a produção irá crescer para 5,5 milhões de toneladas de resinas: 510 mil toneladas de PVC, 1,9 milhão de t de polipropileno e 3 milhões de t de polietilenos. O número de pessoal envolvido sobe para 6,3 mil funcionários, passa a contar com 26 plantas industriais integradas e 73% de ocupação do mercado. Na rota da internacionalização, Rui Chammas lembrou a aquisição de 100% da planta de polipropileno do grupo norte-americano Sunoco Chemicals por US$ 350 milhões com três plantas capacitadas a produzir 950 mil toneladas por ano de polipropileno.

    Outro aspecto importante é a diversificação da matriz de matérias-primas com a integração do gás natural e do propeno de refinaria e etanol aos crackers de processo para nafta. Os novos ativos resultarão em aumento de escala combinada com a complementação geográfica entre plantas de Alagoas, Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, além da diversificação das matérias-primas básicas para a obtenção de produtos petroquímicos.


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