Borracha

8 de agosto de 2008

Notícias – Inaugurada nova planta para borracha

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    A DSM Elastômeros do Brasil inaugurou em dez de junho a primeira planta da América Latina para o processo denominado extrusão reativa (REX). O sistema será empregado na industrialização do EPDM (etileno-propeno-dieno terpolímero) e de outras variações da borracha, bem como de aditivos para a indústria de termoplásticos de óleos lubrificantes. A solenidade de apresentação do novo ativo do grupo holandês ocorreu junto ao parque industrial da empresa, localizado no pólo petroquímico de Triunfo-RS.

    Plástico moderno, Jan Paul D´Wries, presidente mundial da DSM Elastomers,  Notícias - Inaugurada nova planta para borracha

    D’Wries: Triunfo foi escolhida por ser um ponto estratégio

    O investimento da fábrica é estimado em cerca de R$ 16,6 milhões. A expectativa é de que a nova linha de produtos possa gerar uma receita adicional de cerca de R$ 54 milhões. Com a nova máquina, a produção da DSM terá um acréscimo de 30%.

    O fácil acesso à matéria-prima no pólo gaúcho favoreceu a opção pelo local da planta, construída em um ano. O presidente mundial da DSM Elastomers, Jan Paul D´Wries, assinalou que Triunfo foi escolhida para acolher a unidade pioneira porque é um ponto estratégico capaz de cobrir os mercados do Mercosul e das demais regiões da América Latina e do Norte. De acordo com o CEO, em termos de caracterização, o melhor EPDM produzido na DSM também sai de Triunfo.

    Colocada em operação em 1985, a fábrica gaúcha é a mais nova e detém os equipamentos mais modernos do grupo. Com 24 mil metros de área construída e 148 funcionários, está capacitada a produzir 80 mil toneladas/ano. Em 2006, produziu 68 mil toneladas de 16 tipos de borracha. A unidade é a única a produzir a borracha nitrílica, utilizada para a fabricação de mangueiras para motores, e borracha em pó, muito usada pela indústria calçadista.

    Conforme D´Wries, a DSM Elastomers é um fornecedor global da borracha EPDM e borrachas termoplásticas (TPVs), com forte atuação em todos os continentes. Por meio da organização global de vendas e rede de distribuição, a empresa pode prover uma extensa linha de grades de alta qualidade para clientes por todo o mundo.

    “O seu posicionamento dinâmico e de liderança de mercado permite assegurar um suprimento constante, gerenciado por uma logística sofisticada, o que garante entregas em qualquer lugar do mundo. A DSM tem atividade global em produtos farmacêuticos e nutricionais, materiais de desempenho e químicos industriais”, assinalou o presidente mundial.

    Tecnologia inovadora – A extrusão reativa é uma tecnologia de ponta que incorpora, numa mesma linha de produção, um reator petroquímico de segunda geração e a extrusora. Com isso, é possível alterar quimicamente o produto e promover a extrusão em processo contínuo.

    A máquina foi projetada por engenheiros da DSM em conjunto com um fabricante alemão. Está patenteada, não podendo ser replicada por concorrentes. O centro de pesquisa da DSM levou mais de cinco anos para desenvolver o processo.

    Por conta da tecnologia inovadora, a REX permite aplicações como a modificação de plásticos e a confecção de adesivos. Com isso, a DSM planeja se expandir no mercado latino-americano com novos nichos de atuação. Segundo o diretor de vendas, Marcos Esteves de Oliveira, os produtos derivados do processo servem para acrescentar novos valores aos transformadores de EPDM e do copolímero de etileno-propileno (EPM).

    Até então, o EPM não era produzido na América Latina. É utilizado, principalmente, como controlador do índice de viscosidade de óleos lubrificantes de motores na proporção de 1%. Permite a produção de uma formulação de viscosidade capaz de sofrer alterações de acordo com as variações de temperatura do motor e de manter as propriedades em temperaturas extremas, positivas ou negativas. Com isso, é possível alterar o chamado Índice de Variação da Viscosidade.

    Outra alternativa é produzir o EPM como aditivo de pára-choques, painéis e escovas de dentes. “Vai atingir melhor o mercado de plásticos para criar novos compósitos. Vão aumentar as chamadas aplicações biônicas. O EPM será o produto básico”, projetou Oliveira.

    Com base na linha REX, os diretores da DSM projetam ainda o surgimento de uma nova família de EPDMs, com aplicações diferenciadas, provenientes da multiplicação de possibilidades de composição, por enquanto inexploradas. A estratégia da DSM consiste em acelerar o crescimento da lucratividade por meio de um portfólio de especialidades inovadoras.

    Os fatores-chave desse projeto são as inovações combinadas com a maior presença em economias emergentes. O grupo tem vendas anuais acima de 8 bilhões de euros e emprega 22 mil pessoas por todo o mundo. A DSM é líder de mercado em muitos dos seus segmentos de atuação.

    A matriz da empresa está localizada na Holanda, com presença fabril e comercial na Europa, Ásia, África, Austrália e nas Américas. Os produtos da DSM são usados em larga escala em mercados como nutrição humana e animal, cuidados pessoais, farmacêuticos, automotivos e transporte, tintas e revestimentos, construção civil, elétricos e eletrônicos.

    Clariant aposta em sopro para 3 camadas

    A busca do mercado por novas formas de criar embalagens distintas e com menores custos envolve a incorporação de cores e efeitos especiais em diferentes camadas de um recipiente, proporcionando profundidade e complexidade visual adicionais. Esse é o entendimento da gerente do segmento de embalagens da Clariant Masterbatches América Latina, Alessandra Funcia. Nesse contexto, a tecnologia de sopro de múltiplas camadas co-extrudadas oferece opções interessantes aos transformadores.

    O processo permite ao moldador economizar na coloração ao incorporar materiais de cores e efeitos especiais em uma camada superficial relativamente fina, e utilizando resinas de menor custo em outras partes da parede da embalagem. Ao mesmo tempo, possibilita conferir às peças benefícios funcionais como barreira e propriedades de resistência ou, ainda, facilitar o maior uso de plásticos reciclados. O material revalorizado pode ser usado como recheio entre duas camadas (externa e interna) de material virgem, utilizando diferentes receitas de cores e efeitos para cada camada.

    Para estreitar as relações com os clientes e facilitar o desenvolvimento de produtos nessa categoria, a Clariant vem instalando novas sopradoras de duas e três camadas em unidades suas espalhadas no mundo. Nos últimos doze meses, foram instaladas sete máquinas, que contemplaram as fábricas da Argentina, Brasil, México, China, Indonésia, Tailândia e França. Os novos equipamentos complementam as capacidades de outras sopradoras de uma e de múltiplas camadas que já operam pelo mundo. No Brasil, a empresa dispunha de sopro monocamada e agora passa a contar também com a tecnologia para três camadas.

    Os investimentos ampliarão a capacidade da empresa de oferecer aos clientes amostras moldadas a sopro, uma vez que a cor é muito mais representativa da aparência do produto final, em vez de placas moldadas por injeção. De acordo com informações da Clariant, os seus especialistas em embalagem são qualificados nas técnicas de última geração de processamento de plásticos com múltiplas camadas e podem não apenas auxiliar os projetistas na seleção de desenhos e cores, mas também trabalhar nas indústrias de transformação para assegurar o cumprimento das especificações mecânicas e estéticas, bem como manter os tempos de ciclos baixos.

    M. A. S. R.

    Brasil investe pouco em nanotecnologia

    No mercado mundial, se estima existirem mais de 500 produtos de consumo com algum tipo de benefício incorporado pela nanotecnologia. No ano passado, o mercado de produtos “nano” movimentou mais de US$ 88 bilhões somente nos Estados Unidos. Projeções do conceituado instituto norte-americano Lux Research apontam uma movimentação de US$ 2,4 trilhões nas vendas mundiais de produtos do gênero.

    No Brasil, calcula-se que houve um investimento em pesquisa e desenvolvimento de nanotecnologia de R$ 200 milhões nos últimos quatro anos. A cifra é bastante modesta perante os vultosos investimentos feitos por outros países, até mesmo pelos demais participantes do BRIC – Rússia, Índia e China. Em torno de 75% desse montante foi disponibilizado pelo governo federal, que conta com programa nacional para desenvolver o tema. No exterior, as empresas investem somas muito mais expressivas do que as governamentais. Em termos acadêmicos, muitos estudos de qualidade estão sendo desenvolvidos por aqui. O número de produtos brasileiros com tecnologia “nano” disponíveis no mercado, no entanto, ainda é pífio.

    Esses foram alguns dos temas debatidos durante a solenidade de lançamento da quarta edição da Nanotec, feira e congresso internacional de nanotecnologia, o maior evento do gênero na América Latina, a ser realizado este ano entre os dias 12 e 14 de novembro, no Centro de Eventos Imigrantes, em São Paulo. A Nanotec 2008 conta com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, do Finep, Inmetro, ABNT e das entidades patronais Fiesp, Abiquim (indústria química), Abiplast (plásticos), Abit (indústria têxtil), Abinee (elétrica e eletrônica), Abimaq (máquinas) e Sindipeças (autopeças).

    No lançamento, Ronaldo Marchese, diretor da Promove Eventos, organizadora do evento, explicou que as discussões realizadas durante o congresso serão centradas em três pilares: oportunidades de negócios que a nanotecnologia pode oferecer aos empresários brasileiros, quais estratégias devem ser adotadas para a indústria brasileira ganhar competitividade nos cenários nacional e internacional e o que está disponível hoje em termos de nanotecnologia. Na feira, os visitantes terão a oportunidade de conhecer os estudos e produtos desenvolvidos no Brasil, além de entrar em contato com novidades internacionais.

    Polêmica – As discussões realizadas no evento de lançamento da Nanotec geraram debates acalorados. Em um aspecto, houve unanimidade. Ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, a área acadêmica no Brasil se encontra muito distante do setor produtivo. É preciso haver uma aproximação. Para se ter uma idéia da distância entre a realidade nacional e a do exterior, por aqui, 84% dos cientistas se dedicam às academias. No exterior, esse índice é de 20%, os 80% restantes estão empregados na iniciativa privada.

    Diante da constatação de que os investimentos feitos em nanotecnologia por aqui pela iniciativa privada deixam muito a desejar, representantes das entidades apoiadoras do evento demonstraram visões diferentes. Pierangelo Rosseti, coordenador de infra-estrutura e capacitação tecnológica da Abit, reconheceu a falta de apoio, apesar de ter verificado alguns avanços. Ele ressaltou o Programa de Desenvolvimento Produtivo (PNP) apresentado pelo governo federal recentemente, que traz incentivos para as empresas interessadas em investir em tecnologia.

    Ricardo Max Jacob, presidente do Conselho da Abiplast, discordou. Ele lembrou das dificuldades proporcionadas pelo cenário econômico às empresas brasileiras nos últimos anos. Também reclamou da carga tributária e da burocracia gigantesca enfrentada pelas empresas interessadas em obter financiamentos para pesquisa e desenvolvimento.

    Em tom conciliador, Cláudio Marcondes, membro da comissão de tecnologia da Abiquim, ficou no meio de campo. Ele afirmou que a contratação de cientistas pelas empresas traz bons resultados e deveria ser adotada em maior escala. Em relação aos problemas do cenário industrial, defendeu o diálogo para a descoberta de novas fórmulas para se contornar o problema. Por fim, questionou: se em outros países a integração universidade/empresa ocorre, aqui também pode acontecer.

    Discussões à parte, Mário Norberto Baibich, coordenador geral de micro e nanotecnologia do MCT, falou dos planos do governo para a área. Revelou que as verbas investidas no desenvolvimento do setor pelo governo no período entre 2001 e 2007 ficaram na casa dos R$ 150 milhões e devem evoluir nos próximos anos. Falou sobre o apoio que o governo dá a dez redes de desenvolvimento, cada uma delas envolvendo vários centros de pesquisa e universidades. De quebra, anunciou: este ano, o governo irá apoiar até cem projetos de pesquisas, entre outras iniciativas.

    Por fim, uma triste constatação, feita por Marchese. A nanotecnologia aumenta a qualidade e reduz os custos dos produtos, os torna mais competitivos. A falta de investimentos pode deixar a indústria nacional em dificuldades. Não só para as empresas exportadoras. As que atuam no mercado local passarão a enfrentar maior concorrência por parte dos importados.

    J. P. Sant’Anna

     



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