Plástico

21 de dezembro de 2011

Notícias – Importações ameaçam a transformação nacional

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    A boa notícia: a demanda brasileira por transformados plásticos em 2011 cresceu 6,4% sobre o ano passado, porcentagem que também baliza a evolução do faturamento do setor. A indústria nacional faturou R$ 50,6 bilhões neste ano, contra R$ 47,6 em 2010. O consumo aparente de transformados plásticos, que considera a soma da produção mais as importações e menos as exportações, expandiu de R$ 48 bilhões de janeiro a dezembro de 2010 para R$ 52 bilhões em período idêntico neste ano. A má: além de não levar nada desse aumento, o transformador brasileiro ainda perdeu espaço, abocanhado pelos produtos importados. A produção física brasileira, ou volume em toneladas, de transformados plásticos em 2011 ficou 1,5% abaixo do fabricado em 2010. Caiu de 6,0 milhões de toneladas em 2010 para 5,9 milhões, neste ano. Quem mais perdeu mercado em 2011 foram os segmentos de embalagens, cuja produção encolheu 4,1%; e de laminados, com queda de 3,2%.

    Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, Notícias - Importações ameaçam a transformação nacional

    Roriz: crescimento de demanda foi atendido pelas importações

    Os resultados ruins continuam, com o déficit da balança comercial do setor em ascensão. O saldo negativo subiu de US$ 1,36 bilhão/FOB em 2010 para US$ 1,89 bilhão/FOB neste ano. A conta fica mais assustadora considerando-se os últimos três anos, de 2008 a 2011 o déficit dobrou de tamanho. Em reais, o montante chega neste ano a R$ 3,3 bilhões. Os números, divulgados pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, consideram dados consolidados de 2011 de janeiro a setembro, e estimados, de outubro a dezembro. “A demanda brasileira por plásticos cresceu, mas foi atendida pelas importações; quem está capturando a expansão da indústria plástica é a importação”, lamentou.

    Os números da Abiplast indicam alta de 20% nas importações, elevadas de US$ 2,83 bilhões/FOB, no ano passado, para US$ 3,39 bilhões neste ano. Em contrapartida, as exportações brasileiras avançaram apenas 2%, de US$ 1,48 bilhão/FOB para US$ 1,50 bilhão/FOB, no período comparado. “Perdemos competitividade e nossa capacidade de exportar”, ressaltou Roriz.

    Segundo ele, o forte avanço dos produtos importados desencoraja o empresário brasileiro a investir em sua fábrica, temeroso de encalhar sua produção. E, sem investimentos, perde produtividade e competitividade. O Plano Brasil Maior, de incentivo à compra de novos equipamentos (renovado para 2012), surtiu pouco efeito entre as pequenas empresas, que continuam com dificuldades de acessar o BNDES. Segundo os dados da Abiplast, os desembolsos da instituição pelo setor de transformados plásticos em 2011 sofreram redução de 15% em relação a 2010, quando foram utilizados R$ 1,123 bilhão.

    Mas, além da necessidade de substituir muitas máquinas obsoletas ainda em operação no parque industrial brasileiro de transformação de plástico, o que mais tira a sua competitividade? Além de questões macroeconômicas, como tributação, câmbio, juros altos, infraestrutura cara etc, um dos vilões apontados por Roriz é o custo da resina brasileira, entre 30% e 40% acima dos preços internacionais. “Esperávamos que os ganhos de custo com a alta escala fossem repassados para a cadeia, mas isso não aconteceu”, constatou. Outra questão refere-se à proteção oferecida às resinas (antidumping para o PE e o PVC). “O mercado de resinas é mais protegido que o de transformados.”

    Mesmo diante de tantas dificuldades o setor investiu em 2011. Por conta do desempenho negativo, menos. Mas investiu. Em máquinas e equipamentos o montante atingiu R$ 4,9 bilhões (4,7% comparado a 2010). Em pesquisa e desenvolvimento, a injeção também foi menor (-38%), com desembolso de R$ 130 milhões. Em contrapartida, os recursos em inovação subiram 16% e alcançaram R$ 730 milhões.

    E o setor que se prepare para mais um ano de forte concorrência dos importados, facultada pelas crises econômicas que assolam Estados Unidos e Europa. “Os asiáticos devem atacar com mais força o mercado brasileiro”, prevê.

    Até por essa razão, ele não tem esperanças de modificações positivas na balança comercial do setor. O quadro sugere que o déficit deve aumentar outros 20% em 2012. Até pela melhora econômica da população brasileira, o consumo aparente de transformados plásticos deve crescer no próximo ano. Mas a participação dos importados idem. “A importação está tomando o lugar da indústria brasileira, estamos exportando matéria-prima e importando produtos acabados, estamos perdendo nossa capacidade de produzir para os nossos consumidores.” A situação perversa fortalece uma indústria estrangeira, em detrimento de uma produção local, que representa o terceiro maior setor empregador da economia nacional, e que poderia se beneficiar das riquezas do petróleo e do pré-sal, matéria-prima abundante que deveria agregar valor ao produto nacional.

     

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