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4 de junho de 2007

Notícias – Fórum debate novas tecnologias na Bahia

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Publicado por: Jose Valverde
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    Duas evidências marcaram o 23º encontro anual da Polymer Processing Society (PPS) ocorrido entre 27 e 31 de maio em Salvador – o primeiro realizado na América Latina por esta entidade, fundada em março de 1985, na Universidade de Akron (Ohio/EUA), com o propósito de promover o intercâmbio científico e tecnológico entre professores e pesquisadores universitários do seu ramo de conhecimento. As evidências foram: o foco crescente nos dois temas inovadores, nanotecnologia e biotecnologia, esta em razão do desenvolvimento de polímeros com base em fontes renováveis (green polymers); e a presença, pela primeira vez considerada numericamente significativa, de engenheiros vinculados à indústria, situação diferenciada em relação aos encontros anteriores, restritos quase exclusivamente ao pessoal do meio acadêmico.

    Plástico Moderno, Notícias - Fórum debate novas tecnologias na Bahia

    Vlachopoulos, o chairman, (esq.) e Luis Pessan

    “A PPS percebeu a necessidade de atrair a indústria para o seu ambiente”, explicou o chairman, o grego-canadense da Universidade McMaster, John Vlachopoulos.

    Conduzindo a organização, além de Vlachopoulos, estiveram os professores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Luiz Antônio Pessan e Elias Hage Jr., presidente e co-presidente do comitê organizador nacional. Estiveram presentes professores e pesquisadores de mais de 40 países.

    O PPS-23, como o evento foi apresentado, levou à Bahia autores que se movem como celebridades no meio acadêmico, entre eles o professor de Cleveland, Ica-Manas Zloczover, autor de um best-seller sobre mistura de polímeros; e o engenheiro do Toyota Tecnological Institute, Massami Okamoto, que desenvolveu um festejado nanocomposto com 5% de nanoargila em matriz de nylon, tão resistente à tensão e acentuadamente mais leve que o compósito tradicional, com 40% de fibra de vidro.

    Vlachopoulus, Pessan e Hage avaliaram que os dois temas dominantes foram a nanotecnologia e produção de compósitos – razão de 78 dos 230 trabalhos registrados (keynotes, apresentações orais e pôsteres) – e os polímeros de fontes renováveis ou biopolímeros. Vlachopoulus fez uma previsão: tal linha de pesquisa deve crescer com força no Brasil, até com base na tradição do etanol e nos primeiros trabalhos que estão sendo apresentados. “Precisamos desenvolver polímeros de fontes renováveis com as propriedades dos polímeros base petróleo”, proclamou. Entre os pesquisadores do primeiro mundo que estão se destacando no desenvolvimento dos polímeros alternativos, o mais visível foi o canadense Michel Huncault, um dos oito conferencistas – falou em plenário sobre os desafios e oportunidades neste novo campo de pesquisa e investimento. Admitir, que em 2050, 50% dos polímeros procederão de fontes renováveis foi um dos consensos entre os participantes.

    Plástico Moderno, Luís Cassinelli, diretor de Tecnologia e Inovação das Unidades de Poliolefinas,Notícias - Fórum debate novas tecnologias na Bahia

    Cassinelli: é preciso avaliar os riscos de cada pesquisa

    Pela ordem, segundo Pessan, os outros temas que atraíram presenças foram: extrusão, injeção, misturas e blendas, espumas, e reologia. No âmbito nacional, o PPS-23 incluiu um seminário industrial, com apresentação de palestras de executivos e engenheiros de P&D que atuam no Brasil – Richard Macret (Rhodia Poliamida); Dellyo Álvares (Petrobrás/Cenpes); Paulo Coutinho (Petroflex); Luís Cassinelli (Braskem/Poliolefinas); Antônio Rodolfo Jr (Braskem/Vinílicos); John Biggs (Dow Brasil); James Thompsom-Colón (Bayer Material / Science Latin America); Paulo Santos (GE Plastics South America); José Alexandrino de Souza (UFSCar/Magnesita); Claudio Marcondes (Suzano Petroquímica). Fizeram considerações relacionadas à prospecção de idéias, patente e preservação do sigilo, riscos na inovação, inovação competitiva etc.

    Barreira não-alfandegária – Os representantes da Braskem, Luís Cassinelli diretor de Tecnologia e Inovação das Unidades de Poliolefinas, e Antônio Rodolfo Júnior, gerente de Produtos e Serviços da Unidade de Vinílicos, ressaltaram que a empresa já superou a fase inicial, caracterizada pela importação do que havia de melhor – “às vezes com alguma adaptação” –, e agora está determinada a caminhar com as próprias pernas, seguir seu próprio roadmap.

    Cassinelli ressaltou a importância de avaliar permanentemente o grau de risco no curso de cada pesquisa com base em “certas premissas”, procedimento que permite decidir se o próximo estágio deve ser executado, se é preferível mudar de estratégia, ou mesmo abortar. Ele avalia, metodologicamente, que o risco começa em torno de 66% e no último estágio deve estar reduzido a 34%. “Mas há os projetos mais inovadores, que pressupõem rupturas radicais”, ressalvou. Estes começam com 90% ou mais de risco.

    Plástico Moderno, Elias Hage Jr., presidente e co-presidente do comitê organizador nacional, Notícias - Fórum debate novas tecnologias na Bahia

    Hage atuou como co-presidente do comitê organizador nacional

    O diretor revelou que há situações em que o risco é principalmente técnico – quando a imaginada pesquisa deriva de uma boa idéia, mas está dissociada de uma tecnologia corrente; ou é comercial – quando há a tecnologia, mas a possibilidade de o mercado rejeitar o produto depois de desenvolvido é alta. Para Cassinelli, toda a empresa deve estar mobilizada em função do desenvolvimento de um novo produto, e não apenas a área de tecnologia e inovação. Mas não apenas a empresa. Deve haver permanentemente parcerias com clientes, fornecedores e universidades. “O importante é envolver as instituições e pessoas certas.”

    Convidou alunos e professores a apresentarem projetos de pesquisas à Braskem e alertou para o excesso de confiança na criatividade individualmente. “Pessoas reconhecidamente criativas, nem sempre são eficazes, não têm a disciplina necessária.”


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