Economia

27 de outubro de 2012

Notícias – Estudo do Governo federal suscita investimentos em nanotecnologia

Mais artigos por »
Publicado por: Domingos Zaparolli
+(reset)-
Compartilhe esta página

    O governo federal resolveu dar uma mãozinha para incentivar a implantação no Brasil de uma indústria de insumos nanométricos para a produção de embalagens plásticas para alimentos. Encomendou, por meio do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), um estudo de viabilidade econômica para balizar a decisão de empresários interessados no empreendimento. A consultoria contratada para a empreitada, a Nanobusiness, concluiu que há um grande potencial mercadológico, principalmente se a rota tecnológica adotada for a nanoargila.

    O estudo, que está disponível para consulta pública no site do MDIC, já despertou o interesse preliminar de dois grupos investidores, informa Ronaldo Pedro da Silva, diretor da Nanobusiness. Um grupo é produtor de argila e o outro é uma indústria de embalagens plásticas. Os nomes são mantidos em sigilo por questões contratuais. A expectativa é que, até o final do ano, esses ou outros possíveis investidores manifestem o interesse em avançar os estudos de engenharia que envolvem o projeto. O investimento fabril, caso confirmado, espera-se que ocorra entre 2013 e 2014.

    “Nossa meta inicial, que era instigar o interesse dos investidores, já foi atingida. Demonstramos que o Brasil reúne condições tecnológicas, acesso aos insumos necessários, e apresenta um potencial mercadológico grande, o que torna interessante o investimento fabril”, diz João Batista Lanari Bó, diretor do departamento de Tecnologias Inovadoras do MDIC e responsável pela encomenda do estudo.

    Lanari Bó relata que empresas europeias e japonesas já possuem tecnologia para produção de nanoargila para a aplicação em embalagens de alimentos. Sendo o Brasil um grande exportador de alimentos, principalmente carnes, é estratégico o desenvolvimento de fornecedores locais. O estudo da Nanobusiness aponta que, no mundo, o mercado de insumos nanotecnológicos para embalagens plásticas foi de US$ 250 milhões em 2011, sendo 70% deles com base em nanoargilas. Aproximadamente 500 produtos em embalagens de uso comercial possuem alguma nanotecnologia e, no prazo de uma década, acredita-se que 25% das embalagens de alimentos utilizarão algum tipo de nanotecnologia.

    No Brasil, a estimativa é que a demanda de nanoinsumos para embalagens plásticas para a indústria de alimentos em 2016 chegue a 390 toneladas, podendo gerar receitas de até R$ 41 milhões, o que viabilizaria a introdução de uma indústria local. Segundo os cálculos da consultoria, para cada tonelada de embalagem plástica produzida, a indústria de transformação deverá usar 80% de resinas convencionais e 20% de masterbatches obtidos com nanotecnologia.

    Mesmo em pequenas quantidades, menos de 10% do peso final, os insumos nanométricos são capazes de gerar melhorias significativas na embalagem, ampliando suas propriedades mecânicas, térmicas, elétricas, de impermeabilidade para gases, no retardamento de chamas e na estabilidade dimensional. Além disso, não interfere negativamente na densidade do compósito ou na transmissão de luz do plástico.

    O estudo da Nanobusiness aponta que há viabilidade para diferentes processos produtivos de nanoinsumos, porém, opta pela rota tecnológica da nanoargila. O material seria feito por meio do tratamento de argila do tipo bentonita com um modificador orgânico, do qual se obtém uma argila organofílica. Masterbatches de nanoargila pura ou funcionalizada com sais de prata ou ferro seriam o produto final.

    Ronaldo da Silva relata que alguns pontos foram decisivos para a opção por esta rota tecnológica. O primeiro deles é a abundância da matéria-prima, a argila, no Brasil. O segundo são as propriedades bactericida e de eliminação de oxigênio e de gases do material. Principalmente quando enriquecido com prata, no primeiro caso, e ferro, no segundo. “Uma camada de nanoargila em um filme plástico com EVOH potencializa em duas ou três vezes as barreiras ao oxigênio”, diz o consultor. Os nanoinsumos, diz Silva, não substituem tecnologias, como a coextrusão de filmes plásticos, apenas agregam valor ao produto final.

    Também conta a favor da nanoargila a grande disponibilidade de patentes desenvolvidas, facilitando o acesso à tecnologia, e a ausência de toxidade comprovada, apesar de estudos já realizados na Europa, Japão e nos Estados Unidos. Silva relata, porém, que uma das recomendações para os investidores interessados é a contratação de um estudo técnico a respeito. E lembra que tanto o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por meio da Rede Nanotox, dedicada à análise da nanotoxidade dos produtos, como o Instituto Fiocruz seriam parceiros adequados ao desafio. “Não faria sentido construir uma fábrica de um produto que, mais adiante, pode ter sua toxidade questionada”, diz.

    A proposta industrial elaborada pela Nanobusiness é a construção de uma fábrica com capacidade de produção de 1.800 toneladas por ano de masterbatches de nanoargila pura e 400 toneladas de masterbatches de nanoargila funcionalizada, o que seria suficiente para atender 100% da demanda brasileira até 2019. Numa segunda fase, a fábrica poderá ser ampliada para a produção de 4.100 toneladas de masterbatches puros e 900 toneladas da nanoargila funcionalizada.

    Na primeira fase, os investimentos na implementação da fábrica seriam de R$ 12,8 milhões a R$ 19,25 milhões. Com um custo fixo posterior de R$ 2,85 milhões por ano e um custo variável de R$ 6,89 milhões anuais. A expansão exigiria um investimento extra, calculado entre R$ 8,58 milhões e R$ 12,87 milhões.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *