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13 de junho de 2009

Notícias – Empresa desenvolve aço “ecológico”

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O preço baixo é atraente, mas nem sempre a melhor opção. Fazer as contas, prestar atenção na relação custo/benefício, hábito pouco disseminado entre os empresários brasileiros, pode trazer economia significativa.

    A teoria vale para inúmeras operações industriais. Entre elas, a da escolha da matéria-prima a ser utilizada nos moldes de injeção. Um aço que reúna características como usinabilidade acima da média, acabamento de ótima qualidade e elevada capacidade de condutividade térmica custa mais caro. Até o final do projeto, no entanto, proporciona excelente retorno para as ferramentarias.

    A tese é defendida por Paulo Sergio Ribeiro, diretor de engenharia de materiais da Açoespecial, no mercado há 23 anos como distribuidora de aços. Desde o final do século, com a abertura do mercado, a empresa passou a representar no Brasil marcas internacionais. Hoje, ela vende por aqui os produtos da alemã Dillinger Hütte, da francesa Industeel e da italiana Lucchini. Há seis anos, também patrocina estudos para o desenvolvimento de fórmulas diferenciadas. O primeiro produto resultante das pesquisas feitas pela empresa, um aço 1045 diferenciado, deve chegar ao mercado nesse segundo semestre.

    Ribeiro apresenta seus argumentos. Lembra de um problema hoje enfrentado pelas indústrias nacionais do setor de plástico, a presença cada vez maior dos moldes importados. “Imagine uma situação: com os mesmos equipamentos e o mesmo time de funcionários, uma ferramentaria constrói quatro matrizes, em vez de três. Quem consegue esse ganho de produtividade gera grande economia e se torna competitivo perante os importados”, revela. Para ele, tal aumento da produtividade não se trata de nenhum milagre. “Com versatilidade e criatividade isso é possível, se forem usados os materiais com características adequadas”, garante.

    Em paralelo, Ribeiro aponta outra vantagem. Com a redução do tempo da fabricação dos moldes, ocorre maior economia de energia. Os moldes equipados com aços de maior capacidade de condução térmica permitem ciclos de injeção menores, outra poupança de energia. Caso os aços contem com menor quantidade de elementos químicos em suas formulações, podem ser reciclados com maior facilidade. Em outras palavras, as matérias-primas diferenciadas são mais amigáveis à natureza do que as tradicionais. Fator hoje nada desprezível para quem procura o sucesso.

    Novidades – A busca pela produtividade e proteção à natureza são focos de atuação da Açoespecial. A empresa oferece os produtos tradicionais, em especial nas famílias 1045 e P20, as mais usadas na fabricação de moldes. Nos últimos anos tem procurado incentivar o uso de aços com propriedades diferenciadas no mercado brasileiro. De quebra, registrou no ano passado as marcas Açoecológico e Açoverde, que pretende ligar aos produtos a ser lançados no mercado no futuro. “É uma iniciativa pioneira em todo o mundo, até hoje os processos de fabricação do aço têm sido alvos de ações ecológicas, mas não os processos de utilização dos aços nas demais etapas da cadeia produtiva”, informa.

    Dante Ribeiro, gerente de engenharia de materiais, fala sobre o primeiro aço desenvolvido pela empresa a ganhar caráter

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    Dante (esq.) e Paulo comemoram bons resultados dos testes de nova fórmula

    comercial, cuja chegada ao mercado está prevista para o segundo semestre. Trata-se de um aço 1045 com resistência mecânica 20% superior aos similares no mercado e sem perda nas propriedades de usinabilidade. “Os lingotes experimentais foram fundidos no IPT [Instituto de Pesquisas Tecnológicas], apresentaram bons resultados e até o final de junho devem ser submetidos aos testes finais”, informa. Terminada essa etapa, o material será patenteado e produzido em escala industrial por parceiros terceirizados.

    Entre os importados, destaque para alguns aços diferenciados. “O SP300, um P20 fabricado pela Industeel, possui várias vantagens para toda a cadeia produtiva”, informa Dante. Lançado há um ano, o material permite desgaste do flanco de corte de ferramenta em 41 minutos. “O P20 de melhor usinagem fabricado no Brasil consegue desgaste do flanco de corte da ferramenta em 26 minutos”, lembra o gerente.

    De acordo com Dante, essa característica do SP300 não prejudica o acabamento superficial. “Ele atinge acabamentos altíssimos, aptos para espelhamentos pela norma SPI A2 para materiais fabricados pelo processo ESR”, informa. A soldabilidade do material também é ressaltada. “Ele é passível de reparos praticamente imperceptíveis”, afirma. Além disso, o aço conta com outra propriedade importante. “A condutividade térmica é em torno de 20% superior à dos convencionais, o que implica em ganhos da ordem de 5% a 6% no ciclo total de injeção”, emenda.

    Também da família dos P20, Ribeiro ressalta a linha de chapas oferecidas pela alemã Dillinger Hütte. “As chapas têm uma planicidade ímpar, permitem às ferramentarias adquirir material com sobremetal em torno de até dois milímetros de espessura, enquanto nos aços tradicionais a tolerância mínima é de cinco milímetros. Quem compra paga por um peso menor e reduz a necessidade de usinagem”, destaca. A qualidade dos produtos da Dillinger Hütte é definida por uma frase pelo diretor: “Até hoje já fornecemos mais de 700 toneladas de aço alemão e o índice de reclamações de nossos clientes é zero”, exalta.

     

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