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15 de setembro de 2010

Notícias – Demanda de commodities cresce

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    A indústria brasileira do plástico aponta fôlego para sustentar um crescimento da ordem de 10% na demanda de resinas commodities neste ano, puxada sobretudo pelos bons ventos que sopram e empurram para o alto os negócios da construção civil, privilegiando o PVC, resina fortemente atrelada ao desempenho desse setor. A previsão é do presidente da Braskem, Bernardo Gradin, e foi feita durante a divulgação do balanço da empresa para o segundo trimestre. Se confirmada, a demanda brasileira de resinas cravará 4,7 milhões de toneladas neste ano, contra 4,2 milhões em 2009.

    Plástico Moderno, Bernardo Gradin, Presidente da Braskem, Notícias - Demanda de commodities cresce

    Gradin prevê recuperação dos preços das resinas no mercado internacional

    Após a aquisição da Quattor e dos ativos de polipropileno da Sunoco Chemicals nos Estados Unidos, a Braskem elevou em 1,4 ponto percentual a margem EBITDA (lucro antes dos impostos, taxas, depreciações e amortizações) e alcançou 15,9% no trimestre. No semestre, o EBITDA superou R$ 2 bilhões, com margem de 15,2%. Até 2012, a empresa espera capturar 400 milhões de reais anuais em sinergias com a Quattor, nas malhas logísticas e industriais, que devem absorver, contudo, investimentos da ordem de R$ 350 milhões nos próximos dezoito meses.

    O quadro de alta nos preços das resinas termoplásticas no mercado internacional até o final de abril refletiu nos negócios domésticos da empresa, visto que a indústria de transformação preferiu consumir seus estoques, à espera de melhores oportunidades para compra. A queda nas cotações veio no rastro da volatilidade da economia mundial. Os valores internacionais já esboçam uma retomada e as expectativas para o mercado doméstico sugerem essa tendência. “Esperamos uma recuperação nos preços a partir de agosto”, declarou Gradin.

    As vendas da empresa no mercado interno no primeiro semestre do ano, no total de 1,6 mil toneladas de resinas (polietilenos, polipropileno e PVC), equivalem a 13% acima do desempenho registrado no mesmo período do ano passado, com destaque para o PVC, que subiu 24% e atingiu 244.052 t. A comercialização de PP cresceu 15% e a dos polietilenos, 9%, somando, na mesma ordem, 585.012 e 774.829 toneladas nos seis primeiros meses de 2010. Nesse período, o mercado brasileiro absorveu 2,3 milhões de toneladas de resinas commodities, volume 18% acima do primeiro semestre de 2009.

    A maior valorização no mercado internacional das resinas e dos petroquímicos básicos entre maio e junho propiciou uma elevação de 4% na receita líquida da Braskem, em relação aos três primeiros meses do ano. A receita líquida consolidada de janeiro a junho atingiu R$ 12,8 bilhões, 62% acima do mesmo período de 2009.

    Projetos – Com previsão para entrar em operação já em setembro, a planta de eteno derivado de etanol de cana-de-açúcar, em Triunfo-RS, demandará 460 mil m³ de álcool por ano e possibilitará produção de 200 mil toneladas anuais de polietileno verde. A empresa será uma das maiores consumidoras de etanol para alcoolquímica do mundo: cerca de 700 milhões de litros por ano. “Há várias parcerias para o fornecimento desse etanol, muitas alianças em andamento”, disse Gradin.

    O presidente da empresa revelou que as conversações prosseguem além da fronteira, pela busca de cooperação com outras empresas e governos, para obtenção de outras fontes de matérias-primas além do etanol brasileiro. Os planos da empresa para o futuro são ambiciosos e contemplam parcerias no exterior para o desenvolvimento de novas rotas e produção de resinas de fonte renovável. “Há muitas alianças em andamento e avaliações para outras fontes de matérias-primas”, informou.

    Expansão internacional – Atrás da meta de crescimento e posicionamento entre as maiores petroquímicas globais, a Braskem move vários projetos, como a parceria com a Idesa, no México, com participação de 65% da empresa brasileira e 35% do grupo mexicano, para produção anual de 1 milhão de toneladas de polietileno. O negócio deve se sustentar no fornecimento de gás etano da Pemex-Gás, em contrato firmado por vinte anos, que alimentará a produção da petroquímica com 66 mil barris diários de etano. O empreendimento absorverá da ordem de US$ 2,5 bilhões e tem a conclusão da obra e partida das unidades previstas para o início de 2015.

    Na Venezuela, onde mantém parceria com a Pequiven, braço petroquímico da estatal petrolífera PDVSA, em duas joint ventures, a Braskem pisou no freio. Em abril, anunciou que estudava uma nova modelagem para os projetos, a fim de ajustá-los à nova realidade do mercado internacional. A Propilsur, que previa uma planta integrada de 450 mil toneladas anuais de polipropileno, no Complexo Industrial de Jose, no estado de Anzoátegu, seria transferida para o Complexo de Refinação de Paraguaná, no estado de Falcón. A capacidade também deve encolher para cerca de 300 mil t/ano. Os investimentos necessários caem em mais de 50%.

    As conversas com a Pequiven também redundaram na postergação por um ano do projeto Polimérica, desenhado para a implantação de três unidades de produção de PE, totalizando perto de 1,1 milhão de toneladas anuais, integradas a uma planta de 1,3 milhão de t/ano de eteno, mediante investimento de cerca de US$ 3 bilhões. A ideia do adiamento é a de avaliar as condições de suprimento de matéria-prima pelo Complexo Paraguaná, considerada uma opção mais competitiva.

    Recentemente, a grande imprensa divulgou nota que o governo venezuelano não teria cumprido sua parte nos investimentos acordados com a Braskem e que apenas cinco das 30 pessoas mantidas até então pela empresa em Caracas continuariam naquele país. Gradin negou qualquer intenção de desistência dos negócios e declarou que os executivos foram deslocados para outros projetos, como México e Peru, porque concluíram suas tarefas no local. “É uma equipe dedicada ao desenvolvimento de projetos, terminaram seu dever de casa e migraram para outros locais. O projeto na Venezuela continua, os planos se mantêm”, assegurou Gradin.

    No Brasil, além da entrada em operação da unidade de polietileno verde, a Braskem planeja expandir em 200 mil toneladas anuais a sua capacidade de produção de PVC, com investimentos de US$ 470 milhões. Ainda neste ano, a empresa deve desembolsar cerca de R$ 50 milhões no empreendimento e encomendar novos equipamentos. Cumprido o cronograma, a oferta extra deverá estar disponível no primeiro semestre de 2012. Outros investimentos contemplam a realização de paradas programadas para manutenção. Ainda em 2010, o cracker de eteno de Camaçari, na Bahia, deve parar por 40 dias, em novembro.

    Flexível amplia penetração no mercado de leite UHT

    A Pavlat, empresa de laticínios de Paverama-RS, elevou sua produção de leite UHT (Ultra High Temperature) de 85 mil litros/dia para 200 mil litros/dia. Esse incremento foi possível por causa da instalação, neste mês de setembro, de uma segunda máquina de envase das embalagens flexíveis DuPont Pouch.

    As vantagens desse tipo de embalagem se referem ao baixo custo – são 50% mais baratas quando comparadas às demais disponíveis no mercado – e às facilidades logísticas, como a preservação das propriedades nutricionais, sabor e qualidade do alimento por um período de até três meses, sem necessidade de refrigeração.

    Composta por filme multicamada, a embalagem é resistente e garante máxima proteção contra a luz ou qualquer contato com oxigênio e aromas presentes no meio ambiente durante o transporte ou o armazenamento. Essas características a tornam indicada para o envase de alimentos líquidos e pastosos perecíveis.

    As pouches também são conhecidas como sachês multicamadas e representam um importante filão do mercado de embalagens para alimentos. Um dos principais expoentes entre as flexíveis se refere justamente às embalagens multicamadas assépticas para o leite UHT. Aliás, a sigla UHT significa temperatura ultra-alta, nome dado ao processo de ultrapasteurização pelo qual o leite é submetido, caracterizado pelo seu aquecimento a temperaturas entre 130ºC e 150ºC, durante dois a quatro segundos, seguido de resfriamento a temperatura inferior a 32ºC.

    Segundo estimativas da DuPont, o potencial da pouch asséptica para o leite UHT no Brasil é de até 30% do volume total envasado. “O market-share ainda é pequeno se comparado ao cartonado, mas a tendência é de forte crescimento nos próximos anos”, propõe Sérvulo Dias, gerente de negócios da DuPont Packaging Systems da DuPont do Brasil.

    A Pavlat faz uso do sistema de embalagens flexíveis da DuPont desde setembro de 2009. Na época, a produção inicial era de 30 mil litros por dia, número que dobrou semanas depois, alcançando a marca de 85 mil litros/dia no final do ano. O êxito na aplicação do sistema DuPont Pouch levou a Pavlat a ampliar sua atuação em outras regiões do país no início de 2010. A empresa, que até então vendia seus produtos apenas no sul do país, passou a comercializar o leite em pequenas e médias cadeias varejistas da região metropolitana de São Paulo. Hoje, aproximadamente 27% da produção atende o mercado paulista.

    Renata Pachione

     

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