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27 de setembro de 2011

Notícias – Chinês compra fábrica local da Owens Corning

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Publicado por: Rose de Moraes
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    Principal importadora de commodities brasileiras, a China se tornou desde maio deste ano uma grande competidora direta do setor de fibras de vidro no Brasil, ao adquirir a fábrica da norte-americana Owens Corning, em Capivari, no interior paulista. A primeira pergunta que vem à tona perante o investimento chinês se vincula a uma possível mudança na política de preços. Mas a hipótese foi afastada pelos atuais dirigentes da empresa que, primeiro, pretendem se ambientar à demanda local e estudar possíveis diversificações na oferta com produtos mais alinhados com aplicações automotivas, para construção civil, energia eólica e para eletrônicos.

    Vitalizar a oferta e a diversidade de produtos é, portanto, o objetivo inicial desse empreendimento fabril, adquirido pela chinesa Chongqing Polycomp International Corporation (Cpic), pelo valor de US$ 60 milhões. Destacada no rol dos maiores fabricantes de fibras de vidro do mundo, com patrimônio de US$ 1,14 bilhão, a Cpic representa formalmente uma joint venture, formada pelo grupo chinês Yuntianhua, pelo árabe Amiantit e pelo fundo Carlyle.

    Instalada em Capivari-SP, desde 1992, em área de 200 mil m², dos quais 24 mil m² construídos, a fábrica já pertenceu à Cia. Vidraria Santa Marina – Divisão Vetrotex, e esteve sob o comando do grupo francês Saint-Gobain, até 2008, quando viria a ser adquirida pela Owens Corning. Passados três anos, porém, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça do Brasil, vetou a transação de compra da fábrica pela Owens Corning, em fevereiro de 2011, mas autorizou, por outro lado, a venda da unidade para a chinesa Cpic, em maio último.

    Em meio a mais de uma centena de convidados presentes à solenidade de comemoração da aquisição pelos chineses e demais grupos de investidores, realizada no dia 13 de julho, autoridades e empresários não pouparam comentários positivos às alianças e aos negócios firmados entre as duas maiores economias em desenvolvimento do mundo.

    “As relações entre China e Brasil já ultrapassaram o plano bilateral e assumiram importância estratégica”, afirmou em português fluente o ministro Zhu Qingqiao, da Embaixada da República Popular da China na República Federativa do Brasil.

    A presença da Cpic no Brasil, que ilustra a primeira aquisição global de uma fábrica de fibras de vidro no exterior, integrando plano de expansão da internacionalização das empresas chinesas, “é o símbolo da evolução do intercâmbio entre China e Brasil e mais um resultado de nossa aproximação iniciada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Hu Jintao, quando as nossas relações comerciais passaram a evoluir muito rapidamente, baseadas na confiança recíproca, e culminaram com a elaboração entre os líderes dos dois países de um plano de ação conjunta para execução no quinquênio entre 2010 e 2014, envolvendo cooperações, compras de aviões executivos da Embraer, compras de alimentos, além de grandes projetos nos setores econômico, financeiro, comercial, ciência e tecnologia e turismo, entre outros, que mais tarde receberam o referendo da presidente Dilma Rousseff”, afirmou o ministro chinês.

    Ao pronunciar-se sobre a aquisição, o vice-gerente geral da Cpic Brasil Fibras de Vidro Ltda. (nome que passou a ter após as negociações), Zhou Bin, enalteceu a crescente demanda por fibras de vidro para materiais compósitos, cujo crescimento é duas vezes superior ao do PIB (Produto Interno Bruto), graças às compras realizadas pelos setores automotivo, de infraestrutura e de mercados em plena expansão, como o de equipamentos para a produção de energia eólica, setor no qual a China se destaca por ser o maior produtor mundial desses equipamentos.

    “Conseguimos abrir novos mercados com muito esforço e dedicação e somos, agora, protagonistas de um novo momento ao apresentar a Cpic Brasil Fibras de Vidro Ltda. Estamos certos de que continuaremos a escrever uma história de sucesso porque para nós não existem barreiras e sim disposição para evoluir e para crescer com as mudanças buscando renovações contínuas nos negócios”, afirmou Zhou Bin.

    Também convidado a manifestar-se, Marcio A. Sandri, vice-presidente global glass reinforcements da Owens Corning, afirmou que a concorrência tornará a empresa mais criativa. A unidade de produção de fibras de vidro de Rio Claro continua sob o comando da Owens Corning. Disse ainda que as maiores aplicações por fibras de vidro continuarão a surgir em virtude do crescimento da demanda por equipamentos para energias renováveis, automóveis mais leves e construções mais duráveis, áreas nas quais os compósitos ainda têm muito a contribuir. “O crescimento no mercado de compósitos no Brasil continuará ocorrendo nos próximos cinco a dez anos a taxas duas vezes superiores às taxas globais”, considerou Sandri.

    Com três bases de manufatura, onze linhas em operação, e produção de 540 mil toneladas por ano, a Cpic ingressou no ramo de fibras de vidro na China desde a década de 70, sendo a primeira a produzir fibras de vidro do tipo E pelo processo de fusão direta, no ano de 1986, ocupando, atualmente, a liderança na produção de vidros E e ECR, considerados estes últimos de alta performance para aplicações em tubulações, tanques para acondicionar ácidos e materiais para isolamento.

    Os produtos fabricados pela Cpic na China também incluem fios têxteis e grande variedade de reforços, como rovings, mantas (emulsões/pós), tecidos, fios picados e fibras longas para aplicações em termoplásticos, entre outros.


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