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12 de janeiro de 2012

Notícias – Centro inova e transforma resíduo em matéria prima

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Publicado por: Jose Valverde
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    Extrair de efluentes e resíduos industriais os metais valiosos e compostos, sintéticos e naturais, com potencial para se transformarem em matérias-primas diversas é o core business do recentemente inaugurado Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (Cita), instituição anexa à Cetrel S.A., a empresa de soluções ambientais controlada pela Braskem (53%), com participação do estado da Bahia (23%).

    A pretensão do Cita, onde foram investidos R$ 15 milhões, passa pelo desenvolvimento e registro de patentes em atendimento à onda inovadora de reciclar os resíduos integralmente e transformá-los em riqueza em vez de descartá-los, mesmo parcialmente, através das chamadas soluções “fim de tubo”.

    O líder de pesquisa e desenvolvimento de inovação da Cetrel, Alexandre Machado, ressalta a determinação de antecipar-se à tendência global de valorização do resíduo. Ele enfatiza: “Pensamos no resíduo como matéria-prima, fonte de muita riqueza”; e apresenta a “filosofia” que tem a ver com essa estratégia: fechar o ciclo de recuperação de metais e substâncias compostas sem gerar qualquer resíduo. Sete a dez por cento da receita da Cetrel deve ser investida em pesquisa e desenvolvimento.

    Como exemplo de metais com grande potencial de recuperação no polo industrial de Camaçari, o ambiente da Cetrel/Cita, o líder de pesquisa aponta enxofre e mercúrio. E dentre os compostos com potencial de retorno à cadeia produtiva enumera termoplásticos descartados na própria indústria ou usados, principalmente polietilenos (PE), polipropilenos (PP) e policloreto de vinila (PVC); restos de celulose e outras fibras naturais; além de resíduos particulados, ricos em carbonato e sílica, que podem entrar na formulação de compósitos.

    O Cita desenvolve também um projeto para produzir material de pavimentação, à base de um diversificado conjunto de matérias-primas potenciais: cinzas e escórias procedentes da indústria siderúrgica e metalúrgica; solos contaminados por resíduos do tipo classe dois, incluindo borras oleosas e outros sistemas orgânicos.

    Machado lista os equipamentos já instalados no Cita: difratômetro de raios X, para análise mineralógica de materiais; fluorescência de raios X; termobalança, para análises termogravimétricas TG/DSC/DTA; equipamentos diversos para caracterização e desenvolvimento de cimentos e misturas asfálticas; equipamentos diversos para o desenvolvimento de compósitos poliméricos; equipamentos diversos para o desenvolvimento e caracterização de materiais para a indústria metal-mecânica.

    Compósitos – Uma das linhas de compósitos em desenvolvimento é a da madeira plástica, barras e perfis adequados à construção de decks de piscinas, tablados de varandas e áreas externas, revestimentos de paredes, bancos de jardins etc. Tal madeira resulta da combinação de polímeros sintéticos com restos de fibras naturais.

    Grãos de PP, PE e PVC caídos do reator, perdidos no decorrer dos processos e nos efluentes, decantados nas barreiras de contenção do sistema de água pluvial ou sob forma de aparas procedentes de empresas de transformação, são a matéria-prima da madeira plástica, juntamente com restos de celulose de uma fábrica local.

    A motivação dessa linha reside no mercado florestal, que no Brasil movimenta US$ 28 bilhões/ano e rende ao país embaraçoso passivo de acusações de desmatamento, destruição do meio ambiente e outros desmazelos.

    Com compósitos formados por restos de PP e PE e fibras naturais particuladas, como sisal ou bagaço da cana-de-açúcar, já foram produzidos protótipos de contêineres, móveis e cadeiras, manequins para roupas e outros objetos. Uma educativa exposição desses objetos está presente em uma das salas do prédio recém-concluído na área da Cetrel, onde o Cita foi instalado.



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