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17 de maio de 2009

Notícias – Calçados atraem plásticos para a Fimec

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Consagrada como uma das mais tradicionais feiras da cadeia produtiva do couro, a Fimec-2009 (Feira Internacional de Couros Químicos, Componentes e Equipamentos para Calçados e Curtumes), realizada de 24 a 27 de março, em Novo Hamburgo-RS, registrou dez mil visitantes a menos na comparação com 2008. Deixou um ou outro expositor contrariado, mas foi festejada por seus organizadores.

    Plástico Moderno, Marco Antonio Cunha, da área de vendas técnicas, Notícias - Calçados atraem plásticos para a Fimec

    Cunha: foco é mostrar a viabilidade de compor um calçado todo de PU

    Apesar da queda de 20% no público, os líderes do setor coureiro-calçadista minimizaram os efeitos da crise e a colisão de data com a maior feira do setor no mundo, realizada na China. De acordo com o presidente do evento, Ricardo Michaelsen, todas as expectativas foram superadas.

    Com isso, a Fimec 2009 recebeu atenção especial da área de desenvolvimento de polímeros para peças técnicas aplicadas nos calçados. A unidade de poliuretanos da Basf participou da Fimec apresentando sistemas de PU e TPU, que podem ser utilizados no segmento calçadista, em todas as partes do calçado.

    Para tanto, o grupo alemão desenvolveu o Pure 1.0, calçado conceitual confeccionado com Elastollan e Elastopan, um poliuretano termoplástico desenvolvido na Europa em menos de um ano, numa parceria entre várias empresas da área petroquímica, de design e de transformação de termoplásticos, com foco na indústria de calçados. De acordo com Marco Antonio Cunha, da área de vendas técnicas, o projeto tem como objetivo mostrar que um calçado pode ser confeccionado 100% de poliuretano, sem qualquer blenda ou resina adicional. A Basf apresentou ainda uma versão de bota de PU projetada pela Fujiwara, uma empresa de origem japonesa.

    Outro peso pesado da química global com fortes investimentos em poliuretanos para calçados é a Rhodia.  Um dos destaques é o denominado PUBD, poliuretano de baixa densidade. A Rhodia passou a reforçar ainda sua participação no segmento de borrachas sintéticas. Com efeito, em 2009 lança uma nova linha de sílicas com nome comercial Zeosil 185 GR. A empresa anuncia que esses produtos reduzem o tempo de processo na obtenção de borrachas, principalmente de artefatos técnicos empregados em calçados desportivos.

    Plástico Moderno, Notícias - Calçados atraem plásticos para a Fimec

    Peça conceitual moldada com poliuretano termoplástico

    No segmento de calçados, as sílicas funcionam como reforço da borracha e conferem propriedades de resistência mecânica e maior durabilidade. A Rhodia investe 3% de seu faturamento anual em pesquisas com sílicas, direcionadas também para a indústria de pneus. As sílicas de última geração vêm sendo empregadas nos chamados pneus verdes, que contribuem para a diminuição das emissões de CO2.

    A Artecola, de Novo Hamburgo, promoveu, nos últimos anos, fortíssima expansão no mercado mundial, por meio de fusões, aquisições e outras formas de parceria, e agora investiu no desenvolvimento de compósitos de polímeros com fibras naturais, novos adesivos com a incorporação de nanotecnologia e produção de adesivos à base de água. A ideia é acelerar a substituição dos solventes aromáticos.

    Um lançamento em primeira mão da Artecola foi o Ecofibra Utility, uma blenda de PP com fibras naturais para uso em diversos processos de transformação, tais como prensagem, injeção e termomoldagem. Segundo o gerente de aplicações laminadas da Artecola, Marcos Henrique Wendt, o Ecofibra Utility tem bom apelo ecológico por se constituir numa blenda de fibras vegetais com polipropileno. O produto também pode ser empregado em chapas de paredes e laminados por extrusão ou prensa.

    Para componentes de calçados, dentro da linha Ecofibra, a Artecola criou um poliuretano termoplástico obtido de fonte renovável, produzido na unidade de Tatuí, em São Paulo. Segundo Wendt, a linha Ecofibra para calçados não usa polipropileno porque esse tipo de artefato precisa de memória térmica e de formato consistente, mesmo diante de variações de temperatura.

    Como explica Wendt, a série provém de uma rota bioquímica e não petroquímica. O princípio ativo é fornecido pelo fabricante europeu e foi certificado no Brasil pela mesma empresa que examinou e aprovou os polietilenos da Braskem, provenientes da rota etanol. “A Artecola garante por testes de biomassa que apontam 82% da resina proveniente de material não fóssil e 18% de conteúdo fóssil. Só que no mercado calçadista, tradicionalmente, os insumos são fabricados somente com produtos de fonte fóssil”, disse Wendt.

    De acordo com ele, a Artecola realizou eventos com clientes e a partir de agora começa a comercializar o produto. A linha Ecofibra é vendida em chapas para a produção de couraças e contraforte de calçados. Na versão laminada, pode passar por prensagem para a confecção de paredes e divisórias e placas para a montagem de móveis. “É um WPC. Em injeção, serve à confecção de peças técnicas e utilidades domésticas, revestimento interno de construção civil e interiores de automóveis. Não tem pigmentação nem masterbatches de cores. Preserva a cor natural”, complementou Wendt.

    Outra novidade da Artecola foram as novas famílias de adesivos sem isocianato, que não necessitam de reticulação. Conforme o gerente de mercados e serviços para adesivos, Luís Carlos Pasa, a empresa fornece produtos de acabamento para empresas que exportam calçados, até mesmo para a África, e esses adesivos precisam resistir às altas temperaturas dos desertos da África Subsaariana e do Oriente Médio. Na linha de adesivos, lançou ainda um sistema one way, que permite a colagem com a adição do adesivo em apenas uma das superfícies. Serve para unir peças de PVC, EVA, TR, SBR, sem ter de colocar o adesivo em duas superfícies.

    O Arteclean LS limpa PVC e TPU e promove adesão sem catalisador. Somente numa peça, normalmente no cabedal – porque é mais fácil. Não gera efluente e, por conta dessa especificação, se enquadra na categoria de produtos voltados a processos industriais mais limpos.


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