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8 de março de 2011

Notícias – Braskem avança no México com PE

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Contratempos empacam os projetos da Braskem na Bolívia e na Venezuela. A situação é muito melhor no México, onde firmou parceria com o grupo local Idesa (35%) para erguer um cracker de gás e três unidades de polietilenos, sob as bênçãos da Pemex, a estatal que lhes fornecerá 66 mil barris por dia de etano pelos próximos vinte anos.

    Plástico Moderno, Roberto Ramos, Vice-presidente de negócios internacionais, Notícias - Braskem avança no México com PE

    Ramos aposta na atuação globalizada

    Mediante investimento estimado em US$ 2,5 bilhões, o Projeto Etileno XXI, a ser instalado em Coatzacoalcos, no estado de Veracruz, está em fase de detalhamento de engenharia, com previsão de partida para janeiro de 2015, segundo Roberto Bischoff, CEO da Braskem-Idesa, que lidera os trabalhos de construção. “Para tanto, devemos começar a quebrar o chão nos últimos meses de 2011”, afirmou.

    A demanda mexicana por polietilenos chega a 1,8 milhão de t/ano, dos quais 70% são supridos por importações. O projeto contará com duas linhas para polietileno de alta densidade, com capacidade combinada de 750 mil t/ano. Além delas, será erguida uma linha de 300 mil t/ano de polietileno de baixa densidade convencional (alta pressão).

    Em novembro do ano passado a Braskem assinou um contrato de licenciamento tecnológico com a Ineos, pelo qual poderá usar a sua avançada tecnologia de produção e catálise para as unidades de PEAD. “Poderemos usar a tecnologia Ineos para erguer até o limite de 4 milhões de t/ano de capacidade produtiva nas Américas, Angola e Moçambique”, comentou Roberto Ramos, vice-presidente de negócios internacionais da companhia.

    Plástico Moderno, Cleantho Paiva Leite, Diretor comercial e de desenvolvimento de negócios da Braskem-Idesa, Notícias - Braskem avança no México com PE

    Leite elogia tecnologia adotada pela Ineos na produção de polietilenos

    As duas plantas de polietileno que estão sendo projetadas para a Venezuela também usarão a mesma tecnologia.

    Ele justificou a escolha do fornecedor pela sua adequação para gerar os tipos de polímeros que são mais demandados no México, em especial os voltados para a confecção de tubos, contêineres soprados, peças injetadas, tanques rotomoldados e filmes. Além disso, ela permite operar com mais flexibilidade as unidades, reduzindo o custo de produção. Por fim, a Ineos apresentou a melhor proposta econômica para o projeto. A Braskem não usa essa tecnologia em nenhuma de suas unidades atuais.

    Curiosamente, a seleção do licenciador do cracker ainda não foi definida. “Trata-se de tecnologia mais corriqueira, que pode ser contratada depois”, explicou Ramos.

    O diretor comercial e de desenvolvimento de negócios da Braskem-Idesa, Cleantho Paiva Leite, saudou a escolha pela Ineos. “A tecnologia deles para produção de polietilenos em slurry em grandes loops é imbatível”, avaliou. “Com ela poderemos fazer até bimodais para injeção, sopro e extrusão de filmes.” Ele pede para não compará-la com o antigo conceito de slurry em tanque, considerado adequado apenas para a obtenção de grades especiais, mas ultrapassado para os tipos mais usados da resina. O processo da Ineos também prevê a aplicação de um solvente de processo muito leve, que é removido por efeito flash sem exigir altas temperaturas.

    A terceira unidade do Projeto XXI, para o PEBD convencional, usará a tecnologia Lupotech T, da holandesa LyondellBasell. A escolha agregará à joint venture extensa gama de polietilenos, comdiversos índices de fluidez e excelentes propriedades ópticas e mecânicas. Na opinião de Bischoff,  essa tecnologia também irá conferir à empresa melhores condições de competição no mercado norte-americano. “Com ela seremos líderes em custos de produção e teremos um portfólio de produtos mais amplo.” Será a primeira licença para planta tubular de PEBD nas Américas em mais de 20 anos. Os trabalhos de engenharia básica para a planta de PEBD começaram no início de março, na Alemanha e na Itália. Quando entrar em operação, será a maior do gênero em capacidade nas Américas.

    Embora seja considerado um produto tradicional, o PEBD apresenta capacidades únicas de estiramento e adesividade, não alcançadas pelos polímeros lineares mais modernos. A planta mexicana contará com um reator de alta pressão tubular, mais atualizado que as antigas linhas de autoclave, muitas das quais ainda em operação, inclusive no Brasil.

    A situação dos projetos de polietileno e de polipropileno na Venezuela não é muito animadora. A Braskem não conseguiu contratar com a PDVSA o suprimento necessário de gás natural para fazer o eteno. No PP, a situação é aparentemente mais confortável, com fôlego para retomada dos trabalhos da Propilsur em 2011. “O governo venezuelano já aprovou o suprimento necessário de propeno”, afirmou Roberto Ramos.

    O vice-presidente de negócios internacionais explicou que nenhum equipamento para esses projetos foi ainda contratado com fornecedores. “Nunca iniciamos o procurement antes de assinarmos o contrato de fornecimento de matéria-prima, mas os projetos das plantas já estão completamente detalhados”, comentou.

    Dificuldades para garantir o suprimento de gás natural também estão retardando o anúncio de projetos petroquímicos no Peru e na Bolívia. “Em ambos os casos, é preciso que eles comprovem suas reservas de gás e firmem contratos de longo prazo, mas continuamos dispostos a investir nesses países”, explicou Ramos.

    Ao mesmo tempo, a companhia estuda a possibilidade de expandir suas fronteiras para o continente africano. “Angola tem muito petróleo e gás, mas já está comprometida com o suprimento de gás natural liquefeito para os Estados Unidos”, disse Ramos. Com a entrada em cena do shale gas, pode ser que esse gás fique disponível e será possível pensar em extrair dele o etano para alimentar um cracker, com o intuito de suprir o mercado africano e a região do Mediterrâneo. Em Moçambique, a ideia é aproveitar as grandes reservas de carvão para produzir metanol. “Há tecnologia para converter metanol em olefinas”, salientou.


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