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2 de maio de 2014

Notícias: Bom desempenho esconde as turbulências na petroquímica

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Os resultados da Braskem em 2013 foram muito positivos: recorde na produção de eteno e de polietilenos, com aumento de 6% das vendas de resinas ao mercado interno. Com isso, a receita líquida da companhia atingiu a invejável marca de R$ 41 bilhões, 13% acima da registrada em 2012. E o lucro, medido em Ebitda, cresceu 22%, perfazendo R$ 4,8 bilhões.

    Dados tão animadores contrastam com as nuvens negras que se avolumam no horizonte petroquímico nacional ou, talvez, regional. O shale gas norte-americano avança rapidamente e o cômputo dos projetos anunciados indica a entrada em operação de uma avalanche de crackers de etano, em volume capaz de inundar o mercado das Américas com resinas termoplásticas de baixo preço a partir de 2017.

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    Fadigas não concebe a ideia de elevar as importações de nafta

    Nesse contexto, a Braskem negocia com a Petrobras a renovação do contrato de suprimento para 70% da nafta que consome, sendo essa a principal carga dos fornos petroquímicos nacionais. Estima-se que a nafta represente por volta de 60% dos custos variáveis de uma petroquímica, motivo pelo qual essa negociação tem importância capital para a companhia. O contrato vigente termina em março. “Mantemos uma discussão permanente com a Petrobras sobre isso porque precisamos manter a competitividade global, evitando aumento de custos”, afirmou Carlos Fadigas, presidente da Braskem.

    Ele salientou que é impossível manter uma indústria petroquímica sem um fornecedor local de matérias-primas. No acordo atual, a companhia já importa 30% da carga líquida que consome. “Esse volume já nos coloca entre os maiores importadores de nafta do mundo, seria muito difícil aumentar essa participação”, considerou.

    Ao mesmo tempo, a Petrobras está ampliando o seu parque de refino de petróleo, devendo apresentar maior disponibilidade de nafta para a indústria em alguns anos. Ocorre que, com o preço dos combustíveis automotivos submetidos a férreo controle do governo federal, a estatal precisa buscar remuneração melhor dos coprodutos, entre eles a carga líquida para a petroquímica. “Talvez não seja possível baixar o preço atual da nafta, mas esse preço não pode subir”, disse.

    No mercado internacional, a tonelada de nafta petroquímica está cotada entre US$ 900 e US$ 950. Nesse patamar, Fadigas calcula que produzir uma tonelada de polietileno custa US$ 1,2 mil. Esse custo cairia para US$ 300/t se fosse utilizado etano de shale gas. “É preciso adicionar os custos de fretes, impostos e margem de lucro, entre outros, que acabam equilibrando um pouco o jogo, mas a diferença é gritante”, comentou.

    Nesse sentido, o alívio da carga de Pis/Cofins incluída no Regime Especial da Indústria Química (Reiq) contribuiu para o resultado positivo da atividade no ano passado. Em contrapartida, o setor sentiu a extinção, em 2013, do programa Reintegra, que devolvia 3,5% do valor exportado às indústrias, compensando a retenção antecipada de impostos na cadeia produtiva. “O Reintegra gerava um impacto de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões por ano para a Braskem, isso deveria ser mantido”, avaliou Fadigas.

    Em 2013, a companhia petroquímica conseguiu manter em 90% a ocupação média de suas capacidades, apesar da parada programada para manutenção no site de Camaçari-BA. Isso permitiu produzir 3,4 milhões de toneladas de eteno e 2,6 milhões de toneladas de polietilenos no ano.

    A companhia apontou que a demanda brasileira por poliolefinas (polietilenos e polipropilenos) chegou a 4,1 milhões de toneladas em 2013, 7% a mais que o registrado em 2012. Fadigas atribuiu a evolução ao desempenho dos setores automotivo, alimentício, construção civil e agronegócio e também à entrada oportunista de grande volume de resinas importadas. Ao mesmo tempo, as vendas da Braskem para esses produtos cresceram 5%, chegando a 3 milhões de t, dominando 74% do mercado local. Para tanto, a exportação dessas resinas caiu 15% em relação a 2012.

    No campo dos vinílicos, a companhia respondeu por 50% do suprimento ao mercado interno em 2013, contando com a produção aumentada pela conclusão dos investimentos em Alagoas, tendo vendido 637 mil t no ano. A demanda no país totalizou 1,3 milhão de t, 12% superior ao volume de 2012, crescimento puxado pelo setor de construção civil.

    Essa posição de mercado tende a crescer. A Braskem adquiriu a Indupa (vendida pelo grupo Solvay), produtora de soda/cloro e de PVC na Argentina e no Brasil, adicionando 540 mil t/ano às 710 mil t anuais de capacidade produtiva dessa resina. A capacidade consolidada chega a 1.250 mil t/ano. Fadigas salientou que ainda será preciso completar a negociação, mediante a aquisição por oferta pública dos 30% do capital da Solvay Indupa, em poder de investidores atuantes na Bolsa de Valores de Buenos Aires.


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