Notícias

8 de agosto de 2008

Notícias – Abiplast sugere mudança para garantir competitividade

Mais artigos por »
Publicado por: Hilton Libos
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Na linha de diálogo aberta pelo governo federal com os empresários para criar os meios de transpor os principais obstáculos para o estabelecimento de igualdade de condições na competitividade da indústria de transformação de material plástico com seus concorrentes internacionais, os dirigentes da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) registraram a receptividade de suas propostas nos encontros com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e as diretorias da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). O presidente da Abiplast, Merheg Cachum, explicou que nesses pleitos com o governo não houve espaço para reivindicações de medidas protecionistas para o setor. Mas, sim, o entendimento para as condições necessárias para o cumprimento das exigências e cooperação com o Plano de Desenvolvimento Produtivo – em que deverá se basear a nova política industrial anunciada oficialmente em maio passado.

    “Não queremos incentivos. Queremos o realinhamento da carga tributária da cadeia produtiva para estabelecer um mecanismo de competitividade e isonomia de condições com nossos concorrentes nos países industrializados, principalmente os Estados Unidos e a Alemanha”, disse o presidente da Abiplast. O peso excessivo da carga tributária e o alto custo da matéria-prima, conforme Cachum, são as duas grandes barreiras que impedem saltos maiores na corrida do setor plástico brasileiro com as empresas do mercado exterior: “Se a questão da carga tributária não for bem encaminhada, não há como obter vantagens competitivas.” Sobre o outro problema para aumentar as condições de competitividade, o custo das matérias-primas, os dirigentes da Abiplast defendem que o seu preço deveria ser desindexado das cotações internacionais e adequado à realidade do mercado interno.

    O preço dos derivados do petróleo, à exceção da gasolina, é totalmente controlado pelo governo federal e segue a cotação do barril no mercado exterior – que já se aproximou de US$ 150/barril na primeira semana de julho. Nos últimos doze meses, essa escalada do preço do barril de petróleo refletiu-se diretamente nos custos da produção da indústria que usa subprodutos do petróleo como matéria-prima, obrigando esse segmento a repassar aumentos de até 30% para o preço final ao consumidor.

    Os resultados de uma pesquisa de preços da Abiplast entre abril de 2007 e abril de 2008 revelaram que uma das principais matérias-primas petrolíferas básicas para a indústria de transformação, a nafta, subiu 38% entre janeiro e abril de 2008 – representando aumento de 6%. No mesmo período, a resina termoplástica para a fabricação de embalagens alimentares foi reajustada em 31%. Como país auto-suficiente na produção de petróleo, segundo Cachum, o Brasil deveria assumir o status de formador dos preços do produto. “Dentro das regras vigentes, o preço pela tonelada da nafta acompanha os valores de comercialização no mercado europeu. Essa discrepância somente contribui para manter as condições de competitividade do setor plástico nacional debilitado em termos de concorrência”, avaliou o presidente da Abiplast.

    Metas e responsabilidades – Na verdade, para atingir os objetivos finais da atual política industrial, o governo deverá ouvir e aplicar as sugestões razoáveis apresentadas pelos representantes de diversos segmentos da produção industrial – de modo particular, a indústria de plástico, que participa da maioria de todas as outras cadeias produtivas em determinada etapa.

    “É justamente por causa do reconhecimento da importância estratégica do setor plástico para a produção industrial no PIB, que o governo nos chamou para conversar”, observou Cachum. Além disso, o setor industrial de transformação de material plástico atualmente é movimentado por aproximadamente 300 mil empregos em 11,2 mil fábricas. “Se nos mantivermos na retaguarda da concorrência internacional, é lógico que indiretamente estaremos contribuindo para gerar empregos lá fora em detrimento de nosso mercado de trabalho”, destacou o dirigente.

    No seu entendimento, na divisão de responsabilidades, cabe ao governo desenvolver a nova política industrial sobre o desenho de quatro linhas mestras: a primeira, com o objetivo de aumentar o investimento fixo do país de 16,8% para 21% do Produto Interno Bruto (PIB), depois fortalecer os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento, ampliar a participação do Brasil nas exportações mundiais em 1,25% do comércio mundial até 2010, e gerar o aumento de pelo menos 10% do número de micro e pequenas empresas exportadoras. Do sucesso dessas metas depende o objetivo último da nova política industrial, que é a injeção de R$ 297,8 bilhões na economia brasileira em 2010 – quando os responsáveis pela política econômica prevêem que o PIB deverá sofrer quedas variando em torno de 3% a 4%, depois do período de crescimento sustentado de 5% atualmente.

    Os empresários, por seu lado, além de questões tributárias, financiamentos e matérias-primas, apresentaram às autoridades econômicas uma série de medidas que deverão adotar na produção, inseridas no contexto das megatendências tecnológicas internacionais para se colocar à altura da concorrência que, segundo a proposta das lideranças do setor, deve ser controlada com a instituição de barreiras não-tarifárias, de normas e procedimentos para combater a concorrência desleal.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *