Compósitos

22 de janeiro de 2014

Notícia – Compósitos: Em ano adverso, mercado de compósitos cresce

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Publicado por: Renata Pachione
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    Química e Derivados, Para Lima, 2013 será marcado pela perda de competitividade do setor

    Para Lima, 2013 será marcado pela perda de competitividade do setor

    O mercado brasileiro de materiais compósitos deve encerrar o ano com faturamento de R$ 3,2 bilhões e produção de 210 mil toneladas, segundo projeção da consultoria Maxiquim. Os dados apontam as sucessivas altas registradas pelo setor, que faturou R$ 831 milhões no terceiro trimestre, quando processou 53,6 mil toneladas de matérias-primas. Este faturamento foi 3% superior ao registrado nos três meses anteriores e representou crescimento de 8,1% sobre o mesmo período de 2012.

    Segundo Gilmar Lima, presidente da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco), no entanto, para que se confirmem, as previsões dependem da estratégia de nível de estoque de cada segmento. “Poderemos ter um corte de programa para dezembro nos principais mercados”, anuncia, projetando que 2014 será um ano de incertezas, sobretudo nos primeiros meses. A associação mantém suas previsões, porém não descarta a possibilidade de defasagem, da ordem de 5%.

    Os saldos de 2013 estão diretamente ligados ao bom desempenho de três setores: eólico, construção civil e agronegócio, nesta ordem de importância. Aliás, juntos representam algo em torno de 65% do mercado. Neste ano, em particular, o agronegócio saiu na dianteira e alavancou as vendas. A excelente safra e os financiamentos subsidiados pelo governo federal foram a engrenagem para consolidar o segmento como o maior contribuinte do setor.

    De alguma maneira, serviu também para compensar a fraca demanda das montadoras de ônibus e caminhões. Conforme Lima explica, em relação aos ônibus, a indefinição das políticas de financiamentos e do Caminho da Escola, programa do governo federal que prevê a renovação da frota de veículos, contribuiu com esta baixa. “É normal o mercado se retrair em momentos de incertezas. O segmento de ônibus e caminhões utiliza um volume elevado de soluções em compósitos, por isso, o nosso setor é tão afetado quando esses segmentos diminuem os seus volumes”, argumenta Lima. Em tempo, dados da Almaco dão conta de que o setor de transportes respondeu pelo segundo maior consumo de compósitos no ano passado.

    No geral, 2013 ficará marcado, na opinião de Lima, pela perda de competitividade do setor. Ele responsabiliza esta conjuntura a velhos conhecidos da indústria: o alto custo Brasil e os tributos praticados no país. “É um absurdo, mas hoje é melhor contratar um profissional especializado em tributação e leis trabalhistas do que um engenheiro de processo e aplicação”, reclama.

    Mas o ano também foi permeado por boas notícias. Novas aplicações surgiram, como postes, produtos à base de resíduos e a consolidação do sistema construtivo modular para a fabricação de escolas e casas. E o potencial do país ainda é enorme. Até mesmo setores como o da construção civil e transporte – dois importantes consumidores de compósitos – ainda têm muito a evoluir. Na construção civil, exemplos ficam por conta de fachadas, revestimentos, painéis de fechamento interno e externo e postos de atendimento. Já no caso dos transportes, são pouco exploradas as aplicações do material em pisos, que podem substituir a madeira e peças metálicas.

    Essa evolução passa pela adoção de processos mais automatizados e pela eficiência operacional das fábricas. A utilização de Resin Transfer Molding (RTM), infusão, compressão a quente (SMC), pultrusão, enrolamento filamentar e laminação contínua aumentou. Há dez anos, os moldes abertos representavam em torno de 65% de todos os processos adotados pelo setor, hoje o índice caiu para 56%. A meta da Almaco é reduzi-lo ao menos a 50% nos próximos cinco anos. “Evoluímos, mas ainda existe muito discurso teórico”, afirma Lima.

    No mundo existem mais de cinquenta mil aplicações catalogadas de produtos compósitos. No Brasil, no entanto, há muito a ser explorado. Na área de infraestrutura, há oportunidades em tubulações e pontes; e na construção civil, nas fachadas de casas, prédios, pavilhões, hospitais, estádios e escolas, entre outros. “Temos muita estrada pela frente”, finaliza.


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