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17 de junho de 2016

Náutica: Rotomoldagem transforma polietileno em caiaques

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Comino: modelo para pesca rendeu prêmio para a Brudden

    Comino: modelo para pesca rendeu prêmio para a Brudden

    Um nicho de mercado surgido há pouco mais de uma década e apontado como muito promissor navega nas águas turbulentas da crise econômica com relativa tranquilidade. Os fabricantes de caiaques produzidos em polietileno por meio de rotomoldagem veem suas vendas progredirem em ritmo bastante positivo. Hoje, esse tipo de embarcação é facilmente encontrado em hotéis, pousadas, resorts, rios, lagoas e nas praias brasileiras em geral. Existem modelos para diversos fins, como os esportivos, para pesca ou lazer, com um ou dois lugares e outras características desenvolvidas pelas empresas do ramo para atrair os consumidores.

    O número de fabricantes, por aqui, não deve chegar a uma dezena. Em sua maioria, são empresas nacionais de pequeno ou médio porte. Entre elas destacam-se quatro nomes: Caiaker, Brudden, Hidro2Eko e Lontras. “Estima-se que sejam produzidos no país em torno de 20 mil caiaques por ano. Em três ou quatro anos esse número deve chegar a 50 mil, o que condiz mais com o tamanho do mercado brasileiro”, analisa Ivo José Fernandes Filho, presidente da Hidro2Eko, empresa paulistana no mercado desde 1996 e fabricante de caiaques desde 2009.

    O processo de fabricação dos cascos dos caiaques não foge muito do convencional usado para a produção de peças rotomoldadas. O polietileno utilizado não possui características fora do padrão. Uma exigência é contar com densidade reduzida, característica necessária para se chegar ao índice de fluidez adequado. Por isso, a preferência dos fabricantes quase sempre recai sobre as formulações com baixa densidade. A matéria prima utilizada é micronizada. Entre os fornecedores, são bastante citadas pelos usuários TRM e ICO.

    Conforme o caso, as empresas usam aditivos para obter maior resistência mecânica. Uma exigência é a adição de aditivos para proteção a raios ultravioleta, por motivos evidentes. Para as demais peças, como bancos, suportes de objetos ou compartimentos para varas de pescas, por exemplo, podem ser usados outros tipos de plásticos, de acordo com a preferência dos projetistas.

    Pioneira – A história da indústria de caiaques rotomoldados em polietileno no Brasil começou há doze anos. O pioneiro foi o engenheiro naval Henrique Robba, um entusiasta do esporte, praticante há mais de duas décadas e que chegou a exercer o cargo de presidente da Confederação Brasileira de Canoagem. Com o objetivo de introduzir no mercado brasileiro esse tipo de produto, ele criou a Caiaker, empresa com sede em Taboão da Serra-SP. “No Brasil, existiam apenas os caiaques fabricados com fibra de vidro, hoje produzidos de forma artesanal em pequena escala e usados apenas em competições esportivas. Os poucos de polietileno chegavam por aqui por meio de importação e eram extremamente caros, inacessíveis para o público em geral”, conta Robba.

    O empresário lembra que o início foi difícil, pois o mercado brasileiro não estava acostumado com a novidade e associava o plástico a algo “barato e descartável”. “Na verdade, isso se tratava de um engano, pois o polietileno é extremamente resistente a impactos, muito mais durável do que as resinas com fibra de vidro”. O primeiro modelo da empresa foi chamado de Jacaré. Oito meses depois, chegou o segundo, o Pinguim, que se transformou em grande sucesso. “Este modelo redefiniu totalmente o mercado e logo se tornou o mais vendido do Brasil, mantendo-se neste posto até hoje”. A empresa também exporta para Espanha, Argentina, Uruguai e Portugal.

    A Caiaker oferece ao mercado atualmente dez modelos. Cada lançamento exige um bom tempo de maturação. Entre desenvolvimento do projeto, construção do molde e início da produção, leva-se, em média, um ano. Os investimentos são elevados, em especial para a fabricação dos moldes. “Nossos modelos são mais voltados ao lazer, são usados para pesca, passeios e outros tipos de uso”.

    Alguns são diferenciados. O Aquarius, por exemplo, é o único brasileiro que conta com duas “janelas” de acrílico transparente instaladas no fundo. Com ele, os usuários podem visualizar paisagens submarinas em locais com águas cristalinas. “A ideia foi muito bem recebida pelo mercado”. Outro lançamento recente é o caiaque movido a pedais, também inédito entre os fabricados por aqui. A empresa também oferece modelos dotados com velas e para dois passageiros.

    Em relação às vendas, o dirigente não tem do que reclamar. “A crise não nos afetou”. Houve uma pequena redução nos negócios da empresa no final do ano passado. “Muitas lojas estavam ressabiadas com a economia, reduziram as encomendas no período de festas. Mas a procura foi boa e no início de janeiro tivemos uma retomada forte”. O movimento foi tão positivo que a empresa precisou contratar três novos colaboradores no início do ano. “Nosso time saltou de 25 para 28 funcionários”.


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