Compósitos

4 de junho de 2016

Náutica: Plásticos tem posição de destaque no setor náutico

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    As vendas até 2013 vinham bem. Com a convulsão política iniciada em 2013, elas foram desacelerando, hoje não estão tão boas”. A avaliação sobre a indústria náutica como um todo é de Jorge Nasseh, profundo conhecedor do setor. Ele é engenheiro-chefe da Barracuda, empresa fornecedora de compósitos para estruturas que tem na indústria naval alguns de seus bons clientes. Há muitos anos na área e autor de vários livros, ele também é vice-presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar) e membro do comitê executivo da International Council of Marine Engineers (Icomia).

    Plástico Moderno, Jorge Nasseh, vice-presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar)

    Jorge Nasseh, vice-presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar)

    Nasseh calcula que o mercado de barcos movimenta, no Brasil, algo em torno de R$ 5 bilhões. Do total, R$ 2,5 bilhões se referem à venda de modelos novos. A outra metade fica com a venda de usados e todas as demais somas envolvidas por essa indústria. Vale lembrar: a indústria náutica é mercado importante para a indústria do plástico. As resinas estão presentes desde caiaques, pranchas a vela e motos aquáticas até iates de alto luxo, trawlers e veleiros de longo curso, capazes de dar a volta ao mundo.

    Entre os caiaques, a grande maioria dos cascos dos modelos é fabricada em polietileno rotomoldado (veja o box). Nos cascos dos barcos, iates e embarcações de maior porte reina o composto de poliéster enriquecido com fibra de vidro. Outros reforços, também são aproveitados conforme a aplicação, caso das fibras de carbono. Nas peças menores feitas de compósitos, a transformação de forma manual é o método de mais usado. Nas maiores, os estaleiros utilizam o processo de infusão. Outras resinas são aproveitadas em várias peças presentes no interior das embarcações.

    Nasseh estima, em média, que os plásticos utilizados respondem por 3% do custo das embarcações de maior porte. Em peso, a participação é maior. “De um barco de 20 toneladas, em torno de seis toneladas são de plástico”, exemplifica. O poliéster reforçado fornecido no mercado nacional não apresenta formulações com características muito diferenciadas em relação ao de outras aplicações. “É o mesmo usado em pás dos geradores de energia eólica, tanques e outras peças”.

    De acordo com estudo da Acobar realizado em 2013, o mercado brasileiro possuía na época 120 estaleiros formais em operação, voltados para a produção de embarcações de 16 pés ou mais. Nesse universo, 70% dos estaleiros fabricam apenas lanchas e 15% deles oferecem modelos de 50 pés ou mais. Os estaleiros dedicados apenas à produção de veleiros representam 13% do total, e o restante dos fabricantes oferece um mix de produtos variados que inclui infláveis, monotipos com tamanho inferior a 16 pés e até trawlers de longo curso, fabricados por encomenda. O cenário hoje, apesar de não existirem dados atualizados, não deve ser muito distinto.



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