Compósitos

25 de junho de 2016

Náutica: Embarcações sofisticadas buscam materiais avançados para aprimorar desempenho

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Iate IM-80, da Intermarine, tem casco feito com resinas plásticas reforçadas

    Iate IM-80, da Intermarine, tem casco feito com resinas plásticas reforçadas

    As crises econômicas afetam em diferente escala os variados segmentos da economia. Alguns sofrem mais, outros menos. Talvez existam até os que por algum motivo lucrem. Entre os que sofrem menos, especialistas no assunto apontam as empresas fabricantes de produtos para o público de grande poder aquisitivo. Elas atendem consumidores em geral imunes às turbulências da economia.

    O mercado de embarcações de alto luxo para esporte e recreio, voltado para a classe AA, se encaixa nessa categoria. E os resultados de alguns dos principais estaleiros nacionais confirmam a tese. Eles apresentaram crescimento no ano passado, a despeito do ambiente recessivo. O raciocínio não deve ser estendido para a indústria náutica como um todo. A procura por barcos de menor valor sente mais os reflexos das dificuldades geradas pela recessão, assim como a indústria naval de grande porte, que naufragou com o cancelamento dos planos de investimento da Petrobras.

    Um exemplo é a Intermarine, empresa nacional atuante no mercado desde 1973. Ela começou fabricando barcos esportivos e, com o tempo, de olho num mercado mais promissor, especializou-se em embarcações maiores e luxuosas, com foco no uso familiar. Possui 650 funcionários e oferece dez modelos, de 42 a 95 pés. “É claro que a crise econômica afeta o setor de maneira geral, mas no nosso caso não podemos reclamar. De 2014 para 2015, crescemos 40% em vendas e para este ano nossa meta é manter o mesmo volume de vendas do ano passado”, informa Allyson Yamamoto, diretor de marketing. Para ele, como a empresa trabalha com clientes de poder aquisitivo muito elevado, consegue bons resultados mesmo em momentos econômicos desafiadores. “Esse é um nicho que possui poucos players no Brasil”, ressalta.

    Além disso, esse nicho lucrou com a valorização do dólar, fenômeno que favoreceu a indústria nacional. “A importação de embarcações acabou se tornando inviável”. Para Yamamoto, o potencial do negócio para os próximos anos é animador. “Há perspectiva de crescimento das vendas de embarcações cada vez maiores no mercado interno”. O mercado externo também traz perspectivas otimistas. “Estamos nos preparando para exportar para os Estados Unidos”.

    Felipe Berra, diretor de engenharia da Intermarine, informa que os barcos produzidos são feitos em compósitos. “Usamos basicamente resinas termofixas reforçadas com fibra de vidro, fibra de carbono e fibra de aramida. Os cascos e todos os componentes estruturais são produzidos internamente”, diz. Os processos de fabricação são o de laminação manual e o de laminação por infusão a vácuo, dependendo do tipo de peça. Também são usadas nos barcos, em outras aplicações, peças produzidas a partir de placas de PVC, polietileno, polipropileno e acrílico. Estas são adquiridas de fornecedores.

    Berra se queixa dos tipos de resinas termofixas disponíveis no mercado nacional para laminação. “Elas são muito limitadas em relação ao que existe no exterior. Enfrentamos algumas dificuldades para obter resinas com bom desempenho, principalmente as indicadas para os processos de infusão a vácuo”. Esse fato acaba por restringir o uso do processo de infusão. “O desenvolvimento interno de resinas mais adequadas a esse processo permitiria ampliar o uso desse método, mais produtivo e confiável do que a laminação manual”.

    Águas tranquilas – Outra empresa a viver bom momento por aqui, o grupo italiano Azimut-Benetti, detentora das marcas Azimut Yachts e Benetti, tem perto de 50 anos de história. O grupo foi reconhecido este ano, pela 16ª vez, como o maior produtor de iates de luxo do mundo, conforme publicado no Global Order Book 2016 (Show Boats International). Na Itália, possui cinco fábricas instaladas em área de 450 mil metros quadrados e conta com mais de 1,2 mil colaboradores.

    Instalou sua fábrica em território brasileiro em 2010, em uma área de 3 mil metros quadrados. Hoje a planta nacional já tem mais de 16 mil m² e produz seis diferentes modelos, de 43 a 83 pés, todos com a marca Azimut Yachts. Por aqui, conta com 300 colaboradores e tem planos de expansão ambiciosos. “O mercado náutico no Brasil ainda é jovem e com grande potencial de crescimento. O país tem uma costa privilegiada de 8,5 mil km, além de lagos, rios e represas, próprios para navegação durante os 12 meses do ano graças ao clima favorável”, explica Roberto Paião, diretor industrial no Brasil.

    Para ele, apesar do recente crescimento da infraestrutura náutica no país, com a implantação de marinas e centros de serviços para comportar e atender as embarcações, tudo poderia ser melhor se o setor recebesse mais investimentos. “O desenvolvimento do mercado náutico, especialmente na área de luxo, impacta significativamente o crescimento econômico, pois envolve uma série de setores produtivos”.

    No ano passado, a Azimut Yachts produziu 35 iates no território nacional, número que representa 15% de crescimento em relação ao ano anterior. “Em dois anos, a meta é duplicar a produção atual”. O dirigente lembra que com a globalização e o avanço da tecnologia na última década, o brasileiro passou a ter mais acesso a grifes e marcas de luxo, tanto nacionais quanto internacionais, e se tornou mais seletivo.


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