Ferramentaria Moderna

10 de abril de 2007

Moldes – Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

    Traçar o perfil do mercado nacional de moldes para transformação de termoplásticos não é tarefa fácil. Inexistem informações precisas sobre as cifras que o segmento movimenta na economia e até mesmo sobre o número de empresas que ele envolve. Nem mesmo no foro criado para o setor existem informações confiáveis. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) tem uma câmara de discussão voltada para ferramentarias e modelação. “Lá existem poucas empresas associadas e não temos dados representativos”, informa Alexandre Fix, integrante da câmara e diretor da Polimold, empresa líder do mercado brasileiro de porta-moldes.

    Plástico Moderno, Alexandre Fix, integrante da câmara e diretor da Polimold, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

    Fix: resultado de 2006 não trouxe retorno

    O que se tem certeza é de que o setor é formado por algumas centenas de ferramentarias. A grande maioria dessas empresas é de pequeno porte, inúmeras são as criadas por profissionais do ramo interessados em ter seu próprio negócio. Outra constatação não deixa dúvidas. O Brasil conta com três grandes pólos produtores, instalados na Grande São Paulo e nas cidades de Joinville-SC e Caxias do Sul-RS.

    Como faltam estatísticas e sobram dúvidas, para se ter idéia do mercado de moldes é preciso utilizar alguns parâmetros. Profissionais experientes do mercado estimam que de 50% a 70% das matrizes para injeção de plástico no Brasil são feitas com base na compra de porta-moldes. Esse dado faz do desempenho dos principais fabricantes desses produtos um bom termômetro para se avaliar como anda o setor das ferramentarias.

    Duas empresas nacionais de destaque no ramo de porta-moldes, Polimold e Miranda, vivem momentos semelhantes quando a conversa recai sobre os resultados das vendas. O ano de 2006 não foi dos melhores para elas. O primeiro trimestre de 2007, no entanto, apresentou recuperação e as perspectivas para este ano são bem mais otimistas.

    Entre as explicações para o fraco desempenho no ano passado se encontram velhos problemas da economia brasileira, causadores de choradeira generalizada entre representantes das indústrias dos mais diversos segmentos. Na opinião dos empresários, valorização do real, juros elevados e carga tributária excessiva são gargalos que inibem o crescimento da economia, brecam investimentos na produção e aumentam a competitividade dos importados. Basta uma análise do crescimento do PIB do ano passado para confirmar o desempenho nada animador apresentado pela indústria.

    “No ano passado crescemos 5%. Pode parecer um resultado razoável, mas nosso negócio exige muitos investimentos e esse número é pífio”, avalia Fix. Para justificar sua análise pessimista, o executivo lembra do grande investimento feito pela empresa nos últimos anos. Hoje ela conta até com um galpão climatizado para garantir tolerâncias nas operações de usinagem das placas de aço que fazem parte de seus produtos.

    O dirigente também ressalta o investimento feito pela empresa para que seu catálogo passasse a possibilitar desde o ano passado mais de 600 mil combinações de medidas para os compradores, número três vezes maior que o oferecido anteriormente. “O catálogo aumentou muito nosso potencial de vendas, mas os negócios não corresponderam às expectativas”, afirma.

    A Polimold surgiu em meados dos anos 80 ocupando um pequeno pedaço da Bracofix, transformadora de peças plásticas que pertencia à família de Alexandre Fix. Hoje, ocupa cinco prédios, instalados em um terreno de 15 mil metros quadrados localizado em São Bernardo do Campo. A empresa conta com um time de 400 colaboradores e, além de ser líder do mercado interno, exporta para países da Europa, Ásia e América Latina. A Polimold também representa no Brasil a fabricante norte-americana de porta-moldes DME.

    Amaury Alves, gerente-comercial da Miranda, concorrente da Polimold no território nacional, faz leitura parecida do mercado. “O que posso dizer é que em 2006 tivemos de lutar muito para vender”, explica. As vendas de porta-moldes representam 35% do faturamento da empresa, que também atua nos mercados de bases de estampo e de outros produtos.

    A Miranda tem planta industrial localizada no município de Suzano-SP e no ano passado também trabalhou no desenvolvimento de um novo catálogo, que possibilita mais de 500 mil combinações de medidas, contra as 50 mil a 60 mil oferecidas antes. “O novo catálogo já está à disposição do mercado, mas vamos fazer seu lançamento oficial na Brasilplast”, revela Alves.

    Plástico Moderno, Amaury Alves, gerente-comercial da Miranda, Moldes - Sofisticados nacionais concorrem com europeus, e chineses incomodam ferramentarias simples

    Alves: número de empresas é um mistério

    A boa notícia para as duas empresas é que desde o fim de 2006 os negócios estão em alta. “No ano passado nosso lucro foi zero. Neste ano, tivemos um pequeno lucro no primeiro trimestre. As vendas evoluíram, mas ainda estamos trabalhando com rentabilidade muito baixa”, diz Fix. “A expectativa para esse ano é boa, o mercado vem se aquecendo e há mais confiança entre os nossos clientes”, emenda Alves.
    A análise feita pelos representantes da indústria de porta-moldes coincide com a percepção de mercado de profissionais experientes das ferramentarias. “O ano passado foi fraco para o setor, mas este ano está começando muito bem”, garante Alan Miguel Ayres, gerente-comercial da Btomec, localizada na cidade de Joinville-SC.

    A empresa, uma das principais do mercado nacional, encontra-se no seleto clube das que atuam com tecnologia de ponta. Entre suas especialidades está a fabricação de moldes de múltiplas cavidades e de stack molds.  A mesma informação é dada por Nelson Gonçalves, gerente de engenharia da paulistana Moltec e presidente da câmara de engenharia da Abimaq.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *