Máquinas e Equipamentos

27 de novembro de 2007

Moldes – Simulação evita erros nas fases de produção das peças injetadas

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    De uso corrente nos países avançados, os programas de CAE (Computer Aided Engineering), desenvolvidos há mais de vinte anos como ferramenta para a indústria simular no computador o preenchimento dos moldes, ainda são pouco explorados pelos brasileiros, a despeito dos grandes benefícios que proporcionam e dos novos recursos a eles incorporados com o avanço acelerado da informática nos últimos anos. Graças a esses aplicativos, é possível minimizar erros de projeto, economizar tempo e reduzir custos, além de melhorar a qualidade das peças plásticas injetadas.

    Quem participa dos tryouts, testes de produção de novas peças plásticas injetadas, sabe as dificuldades que este trabalho apresenta. Durante sua execução, vários quesitos precisam ser equacionados, de maneira simultânea ou não. São itens que impedem o preenchimento completo do molde ou provocam incorreções na aparência das peças, entre outros problemas.

    As causas dos erros envolvem algumas variáveis. O design da peça pode se mostrar inadequado, seja pela espessura das paredes, pela posição de alguma nervura ou por um ângulo indesejado. Os moldes podem apresentar bicos de injeção em número mal dimensionado ou em posição errada, além de nem sempre contarem com sistemas de refrigeração eficientes. A matéria-prima pode não ter sido selecionada com a devida precisão. A regulagem das máquinas é um quebra-cabeça com várias peças de difícil encaixe.

    A correção desses problemas exige idas e vindas e o desperdício do tempo de profissionais especializados. Não raro, as peças precisam ter seu formato alterado com o projeto em andamento. Também são constantes as correções feitas em moldes já usinados. Os prejuízos causados pelos ajustes são irrecuperáveis.

    Até meados dos anos 80, a grande arma para superar as dificuldades apresentadas pelo tryout era a experiência dos profissionais envolvidos em todas as etapas da produção de uma peça. De lá para cá, a disseminação do uso dos softwares de CAE (Computer Aided Engineering) começou a revolucionar a prática.

    Os aplicativos permitem a simulação virtual do preenchimento dos moldes em computadores, alternativa para lá de interessante para amenizar as dificuldades da operação. A simulação não substitui o tryout, uma vez que as condições presentes no computador nunca são as mesmas do chão de fábrica, mas permite que muitas experiências no passado feitas na prática sejam antecipadas nos computadores, o que economiza tempo, reduz o estresse dos envolvidos nos testes e privilegia a qualidade final da peça a ser injetada.

    Nos primeiros anos, a utilização do CAE era bem complexa. Com o desenvolvimento impressionante da informática nos últimos anos, os softwares ficaram cada vez mais completos e fáceis de manusear. Nos países avançados, o uso do recurso é bem difundido. No Brasil, a prática começa a ser adotada por empresas de tecnologia de ponta, mais ainda é muito incipiente. Além de superar o desconhecimento dos benefícios proporcionados pelo uso da informática, os fornecedores dos softwares nacionais ainda precisam convencer os prováveis clientes sobre o retorno rápido dos alguns milhares de dólares necessários para adquirir a ferramenta.

    Outro fator que inibe o uso da simulação por aqui reside na dificuldade para encontrar profissionais capazes de operar o recurso eletrônico. “Moscas brancas” no mercado, esses especialistas precisam aliar conhecimentos de informática e boas noções sobre polímeros, projetos de moldes e processos de injeção. Caso contrário, a solução deixa de trazer os resultados esperados.

    Falta de cultura – O desconhecimento sobre o retorno rápido dos investimentos dificulta a expansão do uso da simulação do preenchimento de moldes no Brasil. O potencial de mercado, no entanto, é enorme e o cenário de negócios, para os fornecedores de softwares, começa a se tornar mais otimista. O entusiasmo cresce com a iniciativa de algumas empresas de grande porte ligadas à produção de peças plásticas que adotaram o expediente por aqui nos últimos tempos. O investimento vale principalmente para projetos de peças com formatos complexos ou de produção em larga escala.

    Plástico Moderno, Mario Carneiro, gerente de produto da SmarTech, Moldes - Simulação evita erros nas fases de produção das peças injetadas

    Carneiro: Moldflow é sinônimo de software de simulação

    Participante do mercado com esse pensamento, Mario Carneiro, gerente de produto da SmarTech, há oito anos representante no Brasil da Moldflow, companhia norte-americana líder mundial em softwares de simulação, calcula que cerca de 80% dos aplicativos do gênero vendidos em todo mundo são produzidos pela empresa que representa. “Os softwares de simulação são chamados de Moldflow, a marca virou sinônimo do produto”, justifica.

    De acordo com Carneiro, a Moldflow domina amplamente o mercado brasileiro. “Até o ano passado, detínhamos 99,9% de participação nacional. Neste ano chegaram alguns concorrentes, mas ainda devemos ter no mínimo 98%”, garante. O gerente estima ter vendido a ferramenta para cerca de 50 empresas no território nacional, das quais 30 continuam clientes ativos. “Os compradores podem pagar uma taxa anual de manutenção, que dá direito a atualizações dos programas, pelo menos uma vez por ano, e suporte técnico”, diz.

    A SmarTech concorre no Brasil na venda de uma das linhas da Moldflow com a multinacional PTC, empresa cujo carro-chefe são as soluções de CAD/CAM e que tem acordo tecnológico internacional com a Moldflow para o desenvolvimento da série de softwares MPA. “Essa parceria permite que nós possamos ser representantes comerciais desse produto”, explica Hélio Samora, diretor para a América Latina da PTC. A linha MPA é formada pelos softwares menos sofisticados da marca. A mais complexa é a MPI, com mais recursos tecnológicos. A SmarTech comercializa as duas linhas.


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