Ferramentaria Moderna

4 de junho de 2007

Moldes – Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O número não é preciso, mas se estima que no Brasil existam entre duas e três mil ferramentarias. Diante de tamanha pulverização, alguém menos avisado poderia imaginar que o setor estaria muito bem representado na Brasilplast. Na prática, ocorreu o inverso. Raríssimas empresas nacionais do ramo estiveram presentes na feira.

    Alguns fatores ajudam a explicar a participação tão tímida. Composto, em sua grande maioria, por empresas de pequeno porte, o setor conta com raros representantes em condições de investir na aquisição de espaço em evento tão concorrido. Não bastasse a verba escassa, nesse nicho de mercado a Brasilplast sofre a concorrência da Intertooling Brasil, feira e congresso internacional de tecnologia de ferramentas. O evento será realizado de 24 a 27 de julho no Centro de Exposições Imigrantes, também na capital paulista.

    Como exemplo dessa interferência, podemos citar a ausência na Brasilplast da Btomec, ferramentaria localizada na cidade de Joinville-SC. A empresa é uma das principais do mercado nacional e atende o nicho de mercado formado pelos transformadores que trabalham com tecnologia de ponta. “Preferimos expor na Intertooling por se tratar de um evento especializado”, resume de forma clara Wiland Tiergarten, diretor da empresa catarinense.

    Mesmo considerando decepcionante a presença de ferramentarias na feira, os profissionais interessados no assunto que foram ao Anhembi não perderam a visita: puderam conferir produtos tradicionais e lançamentos de vários fornecedores de componentes para moldes. As novidades apresentadas mostraram de matérias-primas mais resistentes a câmaras quentes e porta-moldes, além de vários outros itens usados na produção de matrizes.

    Ferramentarias – A encomenda de uma ferramenta é feita com base na necessidade dos transformadores de produzir determinada peça. Envolve reuniões demoradas, nas quais se discutem a máquina onde a peça deve ser fabricada e o desenvolvimento do projeto mais adequado para a matriz. Em uma feira onde dezenas de pessoas circulam entre os estandes, fechar um negócio desse gênero é praticamente impossível.

    “A presença das ferramentarias na Brasilplast tem função institucional, é uma boa chance para nos relacionarmos com os principais parceiros e clientes”, explica Peter Schulze, coordenador de vendas da Moltec. A empresa é nome bastante tradicional do setor. No mercado desde 1971 e com um time de 300 colaboradores, ela foca seus serviços na área de embalagens e produz moldes para injeção e sopro.

    Plástico Moderno, Peter Schulze, coordenador de vendas da Moltec, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos

    Schulze: presença na mostra reforça laços com os clientes

    Entre as especialidades da Moltec se encontra a produção de matrizes para tampas, pré-formas e garrafas de PET, mercado que anda bastante promissor nos últimos tempos. O PET vem conquistando espaço no campo das embalagens por suas boas propriedades físico-químicas e também pelo preço competitivo em relação a outras matérias-primas – caso do polipropileno, por exemplo.

    De acordo com Schulze, a feira foi uma oportunidade para a empresa demonstrar sua especialização nessa área. “Existe a tendência das empresas de personalizar garrafas, frascos e tampas e nós ajudamos os clientes a obter embalagens diferenciadas, mas que respeitem a identidade das marcas”, garante.

    Outra demanda do mercado é por embalagens que, apesar de manter a resistência, sejam cada vez mais leves. “Ajudamos a criar projetos que privilegiem esse aspecto. Cada seis ou sete gramas que economizamos por embalagem proporciona grande economia ao transformador”, explica.

    Schulze lembra que para chegar ao projeto ideal, a Moltec presta serviços de engenharia que contam com sofisticado equipamento computadorizado. “Todo o nosso desenvolvimento é feito com o uso de imagens tridimensionais”, revela. Antes de chegar ao design final da embalagem, a ferramentaria procura aperfeiçoá-la com base na manufatura de réplicas, ou mock-ups, o que ajuda a visualizar a solução encontrada. “Temos condições de fazer mock-ups até flexíveis”, garante.

    Toda a tecnologia da Moltec foi utilizada para chegar aos moldes da embalagem de PET com capacidade para 400 ml da Coca-Cola Zero, que está chegando ao mercado. O molde e a nova garrafa do refrigerante fizeram sucesso entre os visitantes do estande da empresa.

    “A Brasilplast oferece a oportunidade de fazer contatos muito positivos”, resume José Antonio Costa, diretor-geral da Moldit. A unidade brasileira da empresa de origem portuguesa está instalada na cidade de Camaçari-BA. “Temos capacidade de fabricar moldes com até 50 toneladas e para diferentes tecnologias, como injeção, injeção a gás, injeção sobre tecidos, biinjeção e matrizes de compressão”, conta o dirigente.

    Plástico Moderno, Emerson Cheng, gerente de projetos da Easton, Moldes - Ferramenteiros marcam presença institucional, mas aproveitam para divulgar a carteira de produtos

    Cheng: molde chinês é até 50% mais barato que o brasileiro

    Entre os diferenciais da empresa, Costa aponta a possibilidade de fabricar em Portugal moldes de maior porte, em prazos menores, e a custos mais compensadores do que os produzidos no Brasil. “Lá conseguimos comprar placas de aço de grande dimensão a preços mais competitivos e com entrega mais rápida do que aqui”, justifica. Para atender às encomendas feitas pelos transformadores brasileiros, no entanto, a empresa raramente conta com suas instalações localizadas no Velho Continente. “Quase tudo que vendemos aqui é feito na Bahia”, informa.

    Asiáticas – Ferramentarias orientais deram o ar da graça na Brasilplast em modestos estandes. A intenção de fechar bons negócios, no entanto, não foi nada modesta. Atraentes por apresentarem preços competitivos, em especial em época de real forte, essas empresas aproveitaram a feira para fazer vários contatos com transformadores nacionais.


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