Ferramentaria Moderna

24 de fevereiro de 2010

Microinjeção – Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico Moderno, Tadeu Leite Silva, Gerente de projetos da ferramentaria, Microinjeção - Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores

    Silva: Emicol verticaliza o projeto e a fabricação do molde

    Precisão. O dicionário do Aurélio Buarque de Holanda define essa palavra com alguns significados. Entre eles, exatidão de cálculo, funcionamento sem falhas, perfeição. Na indústria do plástico, a precisão é cobrada em várias aplicações. Difícil, no entanto, encontrar um momento no qual é mais necessária do que na hora de se injetar micropeças. Estamos falando de itens com poucos gramas de peso ou, nos casos mais extremos, com alguns centésimos ou até milésimos de grama. A tolerância dimensional quase sempre fica na casa dos milésimos de milímetros.

    Essas peças são usadas com frequência por indústrias de vários segmentos econômicos. Uma delas é a automobilística. Os veículos contam com vários conjuntos de componentes montados paradiversas finalidades, nos quais se encontram itens quase imperceptíveis. O mesmo ocorre com componentes elétricos, aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos, artefatos médicos ou em aparelhos ortodônticos e na indústria de relógios. Não raro, também são encontradas em embalagens de cosméticos. Entre outras aplicações.

    Plástico Moderno, Microinjeção - Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores

    Etapas de manutenção do molde da tramela, peça fabricada pela Emicol, que equipa geladeiras e pesa 0,01 grama

    Do design da peça à operação de extração na injetora, os responsáveis pelos projetos precisam estar preparados para se deparar com dificuldades muito particulares. Só para lembrar uma: a presença de rebarbas é impensável, em muitos casos não pode haver marcas relativas à extração das peças. E por aí vai.

    São raros os transformadores capacitados para atender esse nicho de mercado. Pela particularidade das características desses moldes, alguns deles apostam na verticalização, preferem resolver a questão em ferramentarias próprias. Uma empresa com essas características é a brasileira Emicol. Localizada em Itu-SP, ela fabrica centenas de produtos voltados para as indústrias de eletrodomésticos da linha branca e de componentes elétricos. Nesse universo, muitas peças de dimensões mínimas. Batizada de “tramela”, a menor delas equipa geladeiras e tem peso de 0,01 g. “Criamos os projetos e construímos os moldes internamente”, revela Tadeu Leite Silva, gerente de projetos da ferramentaria.

    Em situação semelhante se encontra a gigante Tyco Electronics. No Brasil, a multinacional tem fábrica em Bragança Paulista-SP. Ela fornece vários produtos, entre os quais alguns dotados com peças muito pequenas. “A microinjeção é uma operação bastante específica, é difícil achar fornecedores capacitados. Por isso, verticalizamos nossa produção”, justifica Eduardo Vinícius Berti, técnico de melhoria contínua da empresa.

    O número de fabricantes de matrizes aptos a desenvolver e construir moldes do gênero é reduzido. Contar com profissionais especializados para criar projetos ou para operar máquinas de usinagem muito sensíveis é uma das barreiras a ser superada. Os fabricantes de ferramentas também precisam investir altas somas na compra de sofisticados equipamentos de usinagem de aço, usados na fabricação dos componentes das cavidades.

    Esses moldes são caros. O preço elevado, no entanto, não atrapalha os negócios de quem os projeta e fabrica. Como em terra de cego quem tem um olho é rei, a especialização ajuda essas empresas a enfrentar as alterações de humor do cenário econômico. “Esse é um bom mercado para trabalhar. Nunca fizemos propaganda de nossos serviços e sempre somos bastante procurados”, atesta Orlando Tirolla, proprietário da Oficina Jawar Indústria e Comércio, localizada em São José do Rio Preto-SP, com excelência nesse tipo de trabalho. “Somos um ‘ateliê’ com apenas três funcionários”, informa.

    Outra ferramentaria, a Digimold, tem maior porte e é voltada para o projeto e construção de moldes complexos, entre os quais alguns voltados para micropeças. A empresa está instalada em Bragança Paulista-SP. “Recebemos várias encomendas de interessados nesses tipos de ferramentas”, informa Celso Luiz Camargo Barneze, sócio da empresa.

    Plástico Moderno, Celso Luiz Camargo Barneze, Sócio da Digimold, Microinjeção - Exigência de precisão desafia os projetistas de ferramentas e os transformadores

    Barneze: algumas peças exigem moldes com gavetas

    Passo a passo – Cada etapa da produção de uma micropeça plástica conta com algum diferencial em relação aos moldes de peças maiores. O primeiro cuidado ocorre já no projeto da peça. Seu design deve evitar ângulos negativos, furos ou outras características que exijam a instalação de gavetas ou insertos nas ferramentas. “Sempre que possível, conversamos com os especialistas em design para não termos problemas desse tipo”, conta Barneze. O uso da expressão “sempre que possível” não foi usada pelo dirigente à toa. “Às vezes, a funcionalidade da peça exige formatos complexos, e nesse caso precisamos adaptar o projeto à necessidade do cliente”, explica.

    As matérias-primas utilizadas são sempre de elevada qualidade. “Os ciclos são muito rápidos, precisamos de materiais de excelente desempenho. Usamos apenas plásticos de engenharia em nossa linha de produção”, diz Berti, repetindo o discurso de todos os profissionais envolvidos com esse tipo de trabalho. Uma das características desses materiais é o reduzido índice de contração, característica indispensável para esses projetos. Os preços “salgados” dessas matérias-primas não pesam tanto. “O volume utilizado é muito pequeno”, ressalta o executivo.

    Definir o número de cavidades é outra questão a ser muito bem estudada. A tarefa envolve alguns quesitos. Primeiro, escolher em qual injetora a matriz vai ser instalada. Não é sempre que o transformador conta com máquinas muito pequenas, com capacidades inferiores a 20 toneladas de força de fechamento. Nas de maior porte, a produção de peças por ciclo não pode ser muito baixa, pois a unidade de plastificação do equipamento é grande para a tarefa e pode comprometer as propriedades da matéria-prima.


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