Máquinas e Equipamentos

12 de setembro de 2010

Mercado de moldes – Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

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Publicado por: Renata Pachione
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    O mercado nacional de moldes para transformação de termoplásticos torna o chavão “cada caso é um caso” verdade absoluta. Trata-se de um universo heterogêneo e multifacetado, no qual os fabricantes buscam unidade, para juntos combaterem a crescente invasão chinesa. Estimuladas pelo aquecimento das vendas domésticas, as empresas, cada uma à sua maneira, tentam oferecer algo a mais ao cliente, seja com a renovação do parque industrial ou com melhorias no portfólio.

    Plástico Moderno, José de Oliveira Miranda Neto, Gerente-comercial da Miranda Industrial, Mercado de moldes - Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

    Miranda: oferta de produtos combinados facilita negociação

    A procura pela diferenciação tem norteado os novos rumos do setor, sobretudo no ramo de porta-moldes, no qual tecnicamente há muita similaridade. Tradicional na fabricação desse tipo de produto, a Miranda Industrial assumiu como postura a oferta de pacotes completos, o que os marqueteiros de plantão gostam de denominar “soluções”. Em suma, a ideia é abastecer o cliente com o máximo de opções possíveis. “Isso gera muitas vantagens: da agilidade que eles obtêm de encontrar tudo em um único endereço à condição de pagamento mais favorável”, defende José de Oliveira Miranda Neto, gerente-comercial da Miranda Industrial.

    Por isso, aliás, a empresa montou parceria com a Yudo, fornecedora coreana de câmara quente. “Para facilitar a venda de porta-moldes, indicamos a câmara quente da nossa parceira”, comenta. Apesar de tratar-se de dois produtos completamente diferentes – o primeiro é considerado commodity, enquanto o segundo embute mais valor agregado –, a fabricante garante, com a venda casada, certa vantagem competitiva nas negociações.

    Apresentar lançamentos também está no foco. Os destaques ficam por conta da linha de pinos extratores. Trata-se de uma tecnologia importada com a qual a fabricação da cabeça não é forjada, e, por isso, assegura, segundo o gerente-comercial, maior durabilidade.

    Plástico Moderno, Wilson Teixeira, Diretor técnico da Tecnoserv, Mercado de moldes - Vendas aquecidas fortalecem indústria nacional contra Ásia

    Teixeira: é preciso padronizar o tamanho do molde

    Para ser mais competitivo – Adotar esse tipo de estratégia, no entanto, não basta nesse mercado caracterizado por indústrias de tamanhos e perfis variados. Por isso, os fabricantes aproveitam o aquecimento das vendas domésticas para aumentar o portfólio e promover modificações no parque fabril. O esforço tem sido no sentido de oferecer algum atrativo aos compradores, especializando-se em certos produtos ou por meio de ações particulares, seja com a personalização do atendimento ou a redução dos custos e prazos de entrega.

    Coincidência ou não, entre as tendências anunciadas para o setor, uma delas está nos prazos, cada vez mais reduzidos. Segundo Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, um molde, em média, demora três meses para ser entregue. O ideal seria absorver a metade desse tempo. “É preciso padronizar os tamanhos de molde e de placa”, avisa. No caso específico da Tecnoserv, não por acaso, uma estratégia adotada dá conta da oferta de produtos padronizados, ou seja, o tipo standard na configuração do molde. A empresa é especializada na fabricação de porta-moldes, componentes para moldes de injeção, sistemas de câmara quente e acessórios para ferramentaria.

    Além de mais agilidade, apostar em nichos de mercado é outro caminho para driblar a concorrência. Líder na fabricação de porta-moldes, a Polimold Industrial se destaca por ter um portfólio voltado para o segmento de moldes de múltiplas cavidades e para a transformação do polietileno tereftalato (PET), dois ramos em que poucos atuam. Para serem mais competitivas, as companhias também investem na pluralidade do negócio. Por isso, um ponto favorável dessa fabricante, que também disponibiliza sistemas de câmara quente, pinos extratores e acessórios para moldes, se refere justamente a isso: atuar em diversas frentes, como os mercados automotivo, de embalagem, de linha branca e eletroeletrônicos, entre outros. “Quando um não está indo bem, o outro compensa”, explica Alexandre Fix, diretor da Polimold. Essa flexibilidade é bastante eficiente, se não fosse isso, possivelmente teria falido. A saber: no passado, a fabricante de brinquedos Estrela foi seu principal comprador, em termos de volume. No entanto, com a avalanche de produtos importados dos últimos anos, esse cliente deixou de comprar da Polimold.

    Carlos Roberto Campos, diretor da CRW, tem outra opinião acerca dessa postura. Para ele, especializar-se em certos produtos tende a ajudar na manutenção de bons níveis de ocupação das ferramentarias. Localizada em Guarulhos-SP, a CRW Moldes possui cinquenta máquinas (CNC e convencionais) e constrói ferramentas de até sete toneladas e dispõe de 16 estações de CAD/CAM.

    A CRW, que atua no desenvolvimento e construção de moldes e na transformação de termoplásticos por injeção, aliás, tem uma trajetória curiosa. Foi fundada em 1979, em São Paulo; em 2000, criou a CRW Joinville-SC, após convite da Embraco; e três anos depois, por conta do incentivo da Philips Walita, inaugurou a CRW Varginha-MG. No ano seguinte, deu um passo ainda maior: ingressou em outros países, como Eslováquia e Estados Unidos. Hoje o grupo conta com 1.500 colaboradores. “Somos a primeira multinacional brasileira de transformação de termoplásticos”, orgulha-se Campos.


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