Máquinas e Equipamentos

10 de maio de 2016

Máquinas: Variação cambial assusta compradores de importados

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    As coisas não estão fáceis para ninguém. Não só os fabricantes nacionais enfrentam momento delicado. Para os importadores, o momento também é duro. “O ano foi bastante complicado para toda a indústria. Acredito que a queda no número de máquinas importadas em 2015 deva ficar entre 17% e 18%”, informa Christopher Mendes, diretor financeiro e responsável pela comissão para máquinas de plástico e papel da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei).

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    No período de janeiro a outubro, a importação de bens de capital ficou na casa dos US$ 32,4 bilhões. No mesmo período do ano passado, ela havia movimentado US$ 40,2 bilhões. “Esses números se referem a todos os tipos de máquinas. Não temos estatística específica para o segmento do plástico”. Para o segmento, as injetoras são as máquinas mais adquiridas. Sopradoras e extrusoras também são procuradas, mas em número menor. “Não tenho o número exato das máquinas vendidas por tipo”. Ele também não conta com informações sobre os países de origem. “O maior percentual é de máquinas chinesas. As alemãs, bastante sofisticadas, são vendidas em número menor”.

    Para Mendes, o grande problema tem sido o ambiente econômico e político confuso pelo qual passa o país. A economia vive uma recessão e as indústrias, muitas delas com capacidade ociosa, desistem de investir. O que para os fabricantes nacionais foi um bálsamo em momento delicado, para os importadores atrapalhou muito. Com o valor do dólar alto, as máquinas importadas perderam competitividade.

    O pior, para o dirigente, não é só a desvalorização do real. A flutuação cambial atrapalha mais. As variações bruscas e imprevisíveis das cotações impedem os compradores de se planejar. “Todos se assustam ao saber que uma máquina que eles financiaram por um determinado valor em moeda forte pode, no espaço de três meses, estar custando 20% a mais. Ao efetuarem a compra, eles querem saber o quanto vão gastar”, exemplifica.

    O diretor da Abimei também se queixa da carga tributária enfrentada pelas máquinas importadas. “O Brasil está há anos-luz de outros países, no exterior há muito mais incentivos para quem adquire equipamentos”. Ele dá um exemplo. “Na China, as empresas podem comprar um centro de usinagem com zero de imposto. No Brasil, no mínimo, é preciso pagar 14%”. O apetite fiscal atrapalha. “A indústria perde competitividade, utiliza equipamentos mais antigos”.

    Como não poderia deixar de ser, Mendes faz propaganda da ótima oportunidade que os dias atuais oferecem para as empresas adquirirem equipamentos mais modernos. “O momento está muito interessante para quem deseja substituir equipamentos antigos por outros que proporcionam maior produtividade e economia de energia elétrica. Muitos transformadores de ponta estão aproveitando”.

    Entre os clientes de máquinas importadas, alguns dos mais ativos no momento são os produtores de embalagens de cosméticos e produtos farmacêuticos, calçados e brindes. As indústrias automobilísticas e de linha branca são as que mais reduziram os investimentos. “Nos últimos três meses, a procura de equipamentos pelos fabricantes de linha branca praticamente parou”, enfatiza.

    O dirigente garante que a estrutura montada pelas marcas internacionais no Brasil atende inteiramente a necessidade dos clientes. “Elas oferecem assistência técnica e contam com estoques de peças adequados. Conseguem competir de igual para igual com os fabricantes nacionais”. Também destaca os prazos de entrega muito rápidos. “As máquinas são fabricadas com sistemas de montagens eficientes, isso quando as empresas não contam com os modelos em estoque”.

    Projeto adiado – No campo da injeção, no qual a concorrência entre nacionais e importados é a mais intensa entre os equipamentos para transformação de plástico, são muitas as marcas internacionais com escritórios no Brasil. Alguns profissionais responsáveis pelas vendas dessas empresas explicam a situação pela qual estão passando nos dias de hoje.

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    Representante do país que disputa a participação do mercado nacional de forma mais acirrada com os brasileiros, a Tederic é a quarta maior fábrica da China. De 2011 a 2014, alcançou resultados excelentes por aqui. Tanto que na Feiplastic, no último mês de maio, divulgou a possibilidade de inaugurar uma fábrica em 2016 no estado de Santa Catarina – o estado catarinense concorria com a possibilidade de a planta industrial ser instalada no Uruguai.


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