Máquinas e Equipamentos

27 de novembro de 2007

Máquinas – Injetoras – Transformador nacional é obrigado a se modernizar para não fechar as portas

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Publicado por: Simone Ferro
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    Com a demanda em alta e a forte concorrência dos produtos plásticos importados, os transformadores nacionais não têm opção: ou modernizam o parque fabril ou vão perder mercado. A obsolescência do setor é assunto recorrente. Além da falta de produtividade e do excessivo consumo energético, as injetoras antigas, muitas com mais de quinze anos de uso, deixam a desejar ainda no quesito segurança.

    A boa notícia é que a procura por injetoras está em alta. Porém, o câmbio e a forte concorrência asiática prejudicaram a participação do fabricante brasileiro no mercado local. A Cobrirel, de São Paulo, está entre os transformadores que optaram pelas máquinas asiáticas em virtude do custo.

    De acordo com o diretor da empresa, Antonio Trevisan, vários critérios foram avaliados, tais como produtividade, consumo energético, qualidade das peças produzidas e assistência técnica. Porém, o fator decisivo foi o preço. “A diferença fica entre 30% e 40% quando comparada à injetora nacional”, diz.

    A necessidade de ampliar a capacidade de produção e de reduzir o consumo energético justificou a substituição de sete injetoras na Cobrirel, transformadora de termoplásticos e fabricante de moldes. A empresa opera com 19 máquinas, das quais 11 asiáticas, incluindo as novas, e oito nacionais, com forças de fechamento entre 60 e 450 toneladas.

    As sete máquinas asiáticas foram instaladas entre fevereiro e setembro de 2007 e substituíram injetoras com cinco até dezesseis anos de uso. “A redução no consumo energético chega a 30% em relação aos equipamentos antigos”, afirma Trevisan.

    Os investimentos começaram no final de 2006, ano em que as vendas da Cobrirel cresceram 30%, e foram concluídos na última edição da Brasilplast, realizada em maio deste ano. “Finalizamos as negociações na feira”, diz. A empresa gastou em torno de R$ 800 mil com as sete injetoras e um centro de usinagem.

    Além disso, a companhia conclui o aperfeiçoamento de seu departamento de projetos com a aquisição de novos softwares CAE-CAD-CAM. Como resultado dessas ações, a sua capacidade de produção saltou para 160 toneladas/mês, um aumento de 30% em relação a 2006.

    A Cobrirel presta serviços para terceiros e conta ainda com uma linha de produtos próprios para o segmento de utilidades domésticas, responsável por 50% do faturamento. Conforme Trevisan, o lançamento de novos produtos aumentou a participação no mercado de UD e exigiu a ampliação da capacidade produtiva. “As vendas já estão 20% superiores aos volumes registrados em 2006”, comemora.

    Entre os lançamentos, cita os acessórios para o mercado de água mineral, como a bomba para galões de 10 ou 20 litros. “Evita o contato da água com o meio externo e o desperdício, além de aumentar a higiene durante o consumo.” A empresa fabrica ainda caixas plásticas, pisos, cabides e outros itens.

    Trevisan lamenta, no entanto, a forte concorrência asiática no segmento de transformados plásticos e de moldes. “Para fazer frente aos produtos chineses, é preciso baixar custos de produção, incluindo a hora/máquina. Uma das soluções encontradas foi comprar uma injetora asiática a um preço inferior. Parece incoerente, mas é a realidade.”

    Na opinião do empresário, o governo brasileiro deveria tomar ações mais efetivas para evitar tais distorções tanto no segmento de máquinas e moldes quanto no de transformados plásticos. “Equipamento mais barato é ótimo para o transformador, mas arrebenta com a indústria nacional de bens de capital.”

    Dessa opinião compartilha Weslei M. Lautenschleguer, da 9Injet, de Ipeúna-SP: “Existe uma gama de problemas que afetam a transformação nacional. Desde as questões inerentes ao custo Brasil à concorrência dos tigres asiáticos, subsidiados por seus governos e mal fiscalizados pelos nossos governantes.”

    Moldes – No segmento de moldes, a concorrência chinesa também é grande. “Recebemos nove moldes de um grande cliente do setor eletroeletrônico. O valor pago pelas ferramentas não compra os porta-moldes nacionais”, afirma Trevisan. Antes de iniciar a produção, foi necessário realizar diversas alterações e melhorias nos pinos extratores, cavidades etc. “Não atendem a altas produções. São ferramentas para pequenos lotes de peças.”De acordo com Trevisan, até as ferramentarias portuguesas perderam mercado para os asiáticos no Brasil. Outra preocupação do empresário se refere ao aumento no preço das resinas plásticas. “Só em 2007, as altas ficaram na ordem de 30%. Estamos pressionados entre os grandes clientes e os grandes fornecedores de insumos.”

    A 9Injet opera com máquinas asiáticas e nacionais. Em setembro, a empresa adquiriu sete injetoras de 450 a 1.300 toneladas de força de fechamento de um grande fabricante nacional. “Foram investidos R$ 9 milhões”, diz Lautenschleguer. A fábrica opera ainda com três injetoras asiáticas de 200, 300 e 600 t. “São máquinas com baixo custo de manutenção, confiáveis e de fácil operação. Porém, com recursos tecnológicos limitados”, diz.

    De acordo com Lautenschleguer, os critérios que mais pesaram na decisão foram prazo de entrega das máquinas atendendo ao projeto, baixa depreciação dos equipamentos, facilidades para execução do projeto, linha de financiamento oferecida pelo fabricante, valor da marca adquirida e a parceria firmada entre as empresas.


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