Economia

22 de maio de 2016

Máquinas: Falta de confiança no governo impede avanço de novos investimentos

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    A indústria brasileira de bens de capital vive em 2015 um ano difícil, com expectativa de redução nas vendas. A receita líquida do setor no período de janeiro a outubro ficou na casa dos R$ 73,8 bilhões, com queda de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Não são divulgadas estatísticas oficiais sobre as vendas específicas para o setor de transformação do plástico.

    O cenário se deve a uma conjunção de fatores. O principal, sem dúvida, é a crise política. Ela provoca um clima de instabilidade, tira a confiança dos consumidores e desestimula os empresários a investir em seus empreendimentos. A política econômica, que prevê a redução de gastos para se atingir o equilíbrio fiscal, enfrenta dificuldades. Para ser posta em prática de maneira eficiente, precisaria da colaboração do Legislativo, que anda às turras com o Poder Executivo federal.

    Além dos ingredientes ligados ao atual momento do país, também merecem ser citados antigos “vilões”, motivos de queixas frequentes da indústria de base há muitos e muitos anos. Entre eles, juros altos e carga tributária elevada e confusa. O câmbio defasado, outro problema muito citado nos últimos tempos como causador da falta de competitividade da indústria brasileira, sofreu reviravolta positiva. Neste ano, houve forte desvalorização do real.

    Plástico Moderno, Paulucci: crise automotiva derrubou venda de injetoras

    Paulucci: crise automotiva derrubou venda de injetoras

    Os fornecedores de máquinas voltadas para a transformação do plástico não escapam do cenário. Também passam por dificuldades, embora um pouco menores do que as vividas pelos especializados em equipamentos para outros segmentos industriais. “Temos sofrido nos últimos anos um processo de desindustrialização. No setor do plástico, isso vem ocorrendo em grau menor”, resume Gino Paulucci Junior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Para o dirigente, essa atenuante se explica pelo fato do plástico, por sua versatilidade e praticidade, estar ganhando espaço de outras matérias-primas em várias aplicações. Podem ser citados, por exemplo, os casos do setor de embalagens, no qual as resinas substituíram metais e vidros em diversas categorias de produtos, ou da indústria de autopeças, com o uso crescente do plástico em aplicações antes inimagináveis.

    Apesar de tal avanço, as estimativas de vendas para o fechamento do ano de 2015 são pouco animadoras. Vale lembrar que se trata de mercado formado por diferentes tipos de máquinas e equipamentos. Cada nicho apresenta situações distintas. Os fabricantes brasileiros de injetoras foram os que mais sofreram. “As vendas de injetoras devem fechar o ano com queda de 10%. O segmento sofreu grande impacto com a crise do setor de autopeças”, calcula Paulucci.

    A queda nas vendas das sopradoras está estimada em 7%. “Existe procura razoável por máquinas para fabricar embalagens de determinados produtos, como os de higiene e limpeza ou o de águas minerais”, explica. O caso das extrusoras é o menos crítico. “A queda deve ficar em torno dos 3%. O plástico avançou bastante nos segmentos de embalagens flexíveis”. O mesmo nicho de embalagens flexíveis amenizou a situação dos fabricantes de outros tipos de equipamentos, como impressoras e máquinas de corte e solda. “A queda deve ficar em 3% também”.

    Para os fornecedores de periféricos, a redução das vendas deve girar entre 4% e 5%. “Hoje há um crescente interesse no uso de periféricos”. A explicação é simples. A automação gera melhoria do processo produtivo e resulta em ganho de eficiência, condição para lá de desejável em tempos de vacas magras. “Quem pode está investindo”, resume.

    Agora uma dose de otimismo. Para o próximo ano, o dirigente acredita em resultados melhores. O fato de os negócios estarem em ritmo lento pode ser revertido, muitos projetos de empreendimentos estão sendo represados e uma hora vão sair do papel. “Espero que o país retorne à normalidade política. O Brasil tem muito potencial, as pessoas não vão deixar de consumir o básico”. Se o momento agora não é lá dos melhores, tudo pode mudar de forma rápida. “Temos condições de conseguir uma retomada em ritmo veloz, basta apenas que a situação se acalme”.

    Para quem pode – O constante avanço tecnológico verificado nos últimos anos tem gerado equipamentos cada vez mais capazes de proporcionar vantagens aos transformadores. Entre elas, maior produtividade e economia de energia, aspectos capazes de acelerar de forma considerável o retorno do investimento necessário para a compra de máquinas. Em um mercado para lá de competitivo como o atual, esses atributos chegam a ser quase exigências.

    Com isso, não faltam bons argumentos de venda aos fabricantes. “O momento é ideal para as empresas substituírem máquinas antigas e ficarem preparadas para o momento em que houver a retomada da economia”. Paulucci lembra que uma máquina moderna gasta de 20% a 40% menos tempo para transformar a mesma tonelada de resina do que uma antiga, com economia de energia que pode girar em torno dos 30% a 40%. Some-se a isso o momento recessivo, no qual os compradores conseguem negociar condições vantajosas junto aos fornecedores.


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