Máquinas e Equipamentos

20 de abril de 2009

Máquinas – Fabricante local luta contra medo da crise, concorrência asiática e made in China meio disfarçado

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    O ano de 2008 prometia deixar boas lembranças até meados de setembro passado. As vendas no mercado interno iam bem e, se as exportações não empolgavam o suficiente, por conta do real valorizado perante o dólar, o consumo puxado pelos brasileiros era festejado no país. Mas, em outubro, as estrepolias financeiras de grandes bancos e empresas, principalmente dos Estados Unidos, precipitaram acontecimentos que assustaram o setor produtivo mundial, trazendo para o cotidiano dos empresários a palavra crise.

    Para os fabricantes nacionais de máquinas para plástico, o resumo do ano passado é muito parecido com essa imagem. A presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Maristela Simões de Miranda, confirma esse panorama: “2008 ia bem até setembro, mas em outubro o mercado interno começou a perceber uma redução na demanda, e o mercado externo praticamente sumiu”, explica. De fato, as vendas ao exterior, no quarto trimestre do ano passado, sofreram forte queda, passando a representar uma fatia menor do faturamento das empresas nacionais, ao mesmo tempo em que as próprias vendas totais, incluindo exportações e mercado interno, também caíram. Na Maqplas, fabricante nacional de máquinas para embalagens flexíveis, empresa da qual Maristela é a titular da diretoria comercial, em comparação aos tempos de “glória” do mercado externo (meados de 2006), quando as exportações chegaram a 50% das vendas totais, o nível atual é bem menor, de, no máximo, 18%.

    A deficiência nas exportações de máquinas brasileiras em 2008 é creditada pela presidente da CSMAIP ao dólar desvalorizado. No caso da Maqplas, Maristela afirma que até havia pedidos, propostas e interesse por parte dos consumidores estrangeiros, mas a empresa perdeu muitos orçamentos por não poder vender pelo preço que o mercado externo queria pagar. E por que o mercado queria pagar tão pouco?

    Como tem se tornado frequente para os brasileiros, a concorrência direta com produtores asiáticos, notadamente os chineses, impedia qualquer tentativa de competição. “A máquina asiática saía por um terço do preço da similar da Maqplas”, explica a dirigente. O disparate entre os preços dos equipamentos nacionais e os dos asiáticos era tamanho que negociações envolvendo concorrência com os orientais eram simplesmente abandonadas, pela impossibilidade de se chegar ao patamar de preços praticados pelos concorrentes.

    Por conta disso, se o Brasil realmente pretende elevar sua pífia fatia de participação no comércio mundial, estimada em cerca de 1%, precisará repensar a estrutura de custos imposta a quem produz aqui, pois até os fabricantes europeus, cujas máquinas sempre foram reputadas como caras demais para o poder aquisitivo brasileiro, estão se tornando mais competitivos em preços.

    O motivo dessa queda não é milagroso. Uma vez que a China está sedenta por novos mercados e pratica preços inimagináveis, produtores de máquinas do Velho Continente, e também do novo (os norte-americanos), estão produzindo na Ásia e se beneficiando com custos locais de produção menores. A velha máxima vem à tona: se não é possível combater o inimigo, junte-se a ele.

    Até aí, nenhum problema. Mas a presidente da CSMAIP afirma que há fabricantes europeus construindo partes de suas máquinas na China, porém sem deixar claro ao mercado que possuem fábricas no país asiático. O equipamento é feito na Ásia, retorna à Europa apenas para receber o rótulo com a marca, e é vendido como produto europeu. Essa prática não é das mais honestas, se considerarmos que muitos clientes preferem adquirir o produto com procedência europeia, isto é, o fato de a máquina ter sido fabricada na Europa ou na China é um fator de decisão. “A Maqplas fabrica uma máquina que é vendida para a Itália, onde uma empresa italiana a comercializa com a própria marca. O mesmo equipamento é vendido pela Maqplas nas Américas Central e do Sul. Um cliente da América Central, mesmo sabendo onde a máquina fora fabricada, preferiu comprar o modelo europeu, pagando mais caro por isso, por ser um equipamento de procedência europeia”, exemplifica a presidente.

    Maristela também afirma que há fabricantes produzindo máquinas com dois padrões, um deles, elevado, para os consumidores dos mercados com maior poder de compra, e outro mais adequado para o mundo emergente, sem a mesma capacidade aquisitiva. Há exemplos, segundo a presidente da CSMAIP, em que é nítida a política, pois uma mesma máquina, exibida em feira europeia, como a K, é oferecida ao público a um determinado preço. A mesma máquina, exposta no Brasil, porém, chega com preço muito menor.

    Compasso de espera – O saldo de 2008, apesar das exportações fracas, e do último trimestre anêmico, é positivo, na avaliação da dirigente. Para 2009, Maristela prefere ainda não revelar as imagens de sua bola de cristal. O que se percebe é que o mercado está protelando decisões para o segundo semestre. “Em uma situação de crise, esse assunto é abordado o tempo inteiro. A crise real pode ser menor ou maior que a propalada, mas o que se lê, vê e ouve aponta para um tamanho enorme. Mesmo que para a sua atividade a crise não se mostre tão grande, com tanto entendido falando de crise, como o empresário vai tomar a decisão de sair gastando? Não dá”, explica a presidente.


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