Máquinas e Equipamentos

7 de abril de 2007

Máquinas – Após enfrentar diversos percalços em 2006, setor reage e injeta ânimo nas projeções doas fabricantes para as vendas deste ano

Mais artigos por »
Publicado por: Simone Ferro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Máquinas - Após enfrentar diversos percalços em 2006, setor reage e injeta ânimo nas projeções doas fabricantes para as vendas deste ano

    Depois de enfrentar um ano difícil, com queda de 18,3% no faturamento nominal, os fabricantes de máquinas para processamento de plásticos têm pelo menos dois bons motivos para apostar na recuperação do mercado em 2007. O primeiro se refere à reação do próprio setor, cujas vendas do primeiro trimestre registraram alta em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as estimativas divulgadas pelos fabricantes.

    O outro, diz respeito à Brasilplast. A mostra promete, mais uma vez, alavancar novos negócios.Conforme os indicadores da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor faturou cerca de R$ 659 milhões no ano passado, contra pouco mais de R$ 807 milhões de 2005. Impulsionadas pelo câmbio, as importações registraram alta de 19,4%.}

    Parte desse resultado se deve à forte concorrência das injetoras chinesas. Porém, as importações de extrusoras também foram expressivas e já começam a chamar a atenção da entidade. “Cresceram 87% entre 2005 e 2006”, afirma a vice-presidente da CSMAIP e diretora de financiamento da Abimaq, Maristela Simões.

    Plástico Moderno, Newton de Mello, presidente da Abimaq, Máquinas - Após enfrentar diversos percalços em 2006, setor reage e injeta ânimo nas projeções doas fabricantes para as vendas deste ano

    Mello: produto brasileiro seguirá perdendo mercado

    As exportações do setor caíram 11,2%. Na avaliação de Maristela, as previsões de crescimento devem ser cautelosas. “Caso o mercado se mantenha comprador, a exemplo dos primeiros meses do ano, poderemos sinalizar um início de recuperação.”

    Apesar da pequena reação, os preços e a rentabilidade estão comprometidos, principalmente para as empresas com parte do faturamento atrelado às exportações. “Com o câmbio nesse patamar, a alternativa é aumentar a produção.” Maristela ressalta ainda que é importante os fabricantes buscarem novos fornecedores, aprimorarem parcerias e os contratos de fornecimento dos insumos, entre outras ações que visem melhorar as margens.“A situação cambial vai continuar muito desfavorável para o investimento produtivo no País. O resultado é que o produto brasileiro fica com custo mais elevado em relação ao similar importado. Além disso, os grandes investimentos em fábricas acabam sendo direcionados para países como Índia, China e México”, diz o presidente da Abimaq, Newton de Mello.

    O desempenho do segmento de máquinas para o processamento de plásticos refletiu os números da indústria de bens de capital mecânico. No ano passado, o setor apresentou queda nas principais variáveis econômicas, como faturamento (-1,9%), com R$ 55,8 bilhões faturados, consumo aparente (-0,6%), nível de utilização da capacidade instalada (-1%) e emprego (-2%), de acordo com os dados da Abimaq.

    Já as exportações apresentaram elevação de 12,4%, ao totalizarem US$ 9,6 bilhões. Porém, vêm apresentando desaceleração desde o início de 2005, quando registravam crescimento acima de 40%.

    O melhor indicativo ficou por conta dos investimentos realizados pelo setor de bens de capital, da ordem de R$ 6,9 bilhões, o equivalente a 8,2% do faturamento do ano. O resultado superou o recorde histórico dos períodos anteriores e representa 93% do previsto.

    No início do ano, a Abimaq divulgou as perspectivas para 2007. A entidade prevê aumento de 3,4% na produção de bens de capital mecânico. O crescimento deve ser alto em virtude do fraco desempenho do setor nesse quesito nos últimos três anos. Já o faturamento vai apresentar recuperação moderada da ordem de 1% em relação aos valores registrados nos anos anteriores. “As margens estão muito reduzidas”, afirma Mello.

    Plástico Moderno, Maristela Simões, presidente da CSMAIP e diretora de financiamento da Abimaq, Máquinas - Após enfrentar diversos percalços em 2006, setor reage e injeta ânimo nas projeções doas fabricantes para as vendas deste ano

    Maristela aposta na exposição para elevar as vendas

    PAC – Os fabricantes de bens de capital mecânico estão otimistas também em relação às medidas do Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os estímulos ao crédito e ao financiamento, ainda que centrados nas áreas de saneamento, infra-estrutura e habitação, deverão repercutir no setor, de acordo com a Abimaq.Na avaliação de Newton de Mello, o PAC abre boas perspectivas de negócios. “O aumento dos investimentos em infra-estrutura eleva a demanda direta por bens de capital, e ainda contribui para aumentar a competitividade da máquina exportada, seja pela redução de custos em portos e melhoria das rodovias, entre outros aspectos”, afirma.

    Maristela compartilha da mesma opinião. “O setor plástico está diretamente relacionado à qualidade de vida da população. Nosso consumo per capita ainda é muito baixo, em torno de 24 kg contra 100 kg das nações desenvolvidas.”

    De acordo com a Abimaq, os efeitos do PAC devem começar a ser sentidos apenas no segundo semestre. Newton de Mello elogia ainda as medidas que visam a desburocratização das licenças ambientais e das licitações (Lei 8666) e a desoneração tributária, com a ampliação dos prazos de recolhimento do PIS/Cofins do dia 15 para o dia 20, e do INSS do dia 2 para o dia 10. “Tudo isso faz com que as empresas tenham um pouco mais de caixa, diminuindo sua necessidade de capital de giro, e com isso tendem a investir mais”, diz.

    Exposição – Para Maristela, a Brasilplast é um importante catalisador de novos negócios. “Trata-se de uma feira internacional que, historicamente, tem ajudado o setor brasileiro a crescer. Esperamos que isso ocorra novamente”, diz.

    Para os fabricantes de injetoras, a exposição representa uma boa oportunidade para confrontar a tecnologia nacional com a dos concorrentes asiáticos, entre outros. O setor é o mais afetado pelas importações da China. “A Abimaq trabalha para combater a importação fraudulenta e o dumping”, diz Maristela. No ano passado, a entidade recorreu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com pedido de salvaguarda, sem resultados. Mas o estudo da ação antidumping corre sob sigilo, segundo Maristela.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *