Máquinas e Equipamentos

20 de abril de 2009

Máquinas – Abimei – Associação defende benefício dos equipamentos asiáticos

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Apesar de um último trimestre que assustou os agentes da economia mundial, 2008 foi um bom ano para os negócios. Não foi diferente para os importadores brasileiros de máquinas para plásticos que, a despeito da perda de um quarto do ano, depois de instalada a crise, ainda comemoram o saldo das vendas no ano passado.

    Thomas Lee, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), reputa 2008 como um ano “muito bom”, amparado por dados que revelam acentuado crescimento das importações brasileiras de máquinas para plástico. Nesse universo, que inclui injetoras, sopradoras, extrusoras e equipamentos periféricos, predominam os equipamentos de transformação por injeção. Segundo Lee, o Brasil consumiu, em 2008, cerca de 2 mil injetoras, das quais 70% importadas (metade da China), e 30% nacionais. Essa divisão entre máquinas do exterior e do Brasil é muito diferente do que acontecia até bem pouco tempo (cerca de três anos), quando a demanda brasileira por injetoras era suprida, em sua maior parte, por fornecedores nacionais.

    Uma primeira análise poderia indicar que o principal artífice dessa inversão foi a desvalorização do dólar, mas, para o presidente da Abimei, não é bem assim. “A cotação do dólar é importante na decisão de compra de uma máquina, mas não é predominante”, explica Lee. Na visão do presidente da associação, o fator principal de decisão de compra de uma máquina é a ocorrência de negócios no mercado, ou seja, o comprador potencial precisa de novas máquinas para aumentar sua produção porque a demanda do mercado por seus produtos está maior. “O cliente compra a máquina porque precisa produzir mais, e não porque o dólar está favorável, pois ninguém compra máquinas para estocar. O essencial é um bom panorama de negócios”, conclui Lee.

    Mas, se não foi o dólar o responsável pela tomada do mercado de injetoras pelas importações, falta definir o “culpado”; e, nos dias atuais, notícias de invasão de produtos importados estão, quase sempre, relacionadas à China. No caso da perda de espaço das injetoras nacionais no mercado interno, é exatamente o país asiático o vetor das mudanças. O presidente da Abimei afirma que as exportações chinesas para todo o mundo experimentaram grande crescimento, e a produção chinesa, por esse motivo, também se ampliou fortemente. O efeito foi uma grande queda dos custos fixos de produção, decorrentes das benesses do aumento de escala. Lee argumenta: “Em 2008, o Brasil comprou, no ano inteiro, 2 mil injetoras. Na China, o maior fabricante local produz mil injetoras por mês. E existem cerca de 100 fabricantes chineses de máquinas injetoras. Com essa economia de escala, é impossível competir em termos de custo” diz o presidente.

    A conquista do mercado nacional de injetoras pelas asiáticas também é explicada por Lee pelo fato de a China possuir certa tradição na fabricação desse tipo de máquina, o que não ocorre com outros equipamentos de processamento de plásticos. O país da Ásia fabrica injetoras há mais de quarenta anos. Além disso, o presidente da Abimei pondera que a indústria chinesa atraiu concorrentes multinacionais que contribuem para a manufatura de produtos de qualidade no país asiático. Esses fabricantes, embora estejam produzindo em solo chinês, se estabeleceram por intermédio de montadoras de equipamentos: elas produzem máquinas com componentes oriundos de diversos países, ostentando qualidade internacional. Esse, na visão de Thomas Lee, é o acontecimento que traz qualidade para as injetoras chinesas, contrariando o senso comum de que a produção daquele país gera, na sua maior parte, quinquilharias. E como essas montadoras estão produzindo no padrão de demanda chinês, ou seja, em altíssimas quantidades, elas conseguem comprar componentes de qualidade a preços competitivos, aliando tecnologia a custo atraente.

    Plástico Moderno, Máquinas - Abimei - Associação defende benefício dos equipamentos asiáticos

    Guarnieri (dir.) e Lee: importado gera emprego e traz tecnologia

    Roberto Guarnieri, presidente da comissão setorial de plásticos da Abimei, reforça as cores do quadro, adicionando que muitos dos produtores asiáticos de injetoras montam equipamentos em harmonia com regulamentações norte-americanas e europeias. Guarnieri reforça a defesa das máquinas asiáticas encampada por Thomas Lee, e tem na ponta da língua a resposta para a manutenção da importação de injetoras. Contrapondo as reclamações de produtores nacionais, ele afirma que as empresas nacionais têm capacidade fabril limitada, produzem sob encomenda e, em decorrência, dispõem de menor capacidade de investimento em tecnologia. “A entrada de muitas injetoras estrangeiras aconteceu porque em diversas vezes o cliente precisa de máquinas, mas o produtor brasileiro não tem capacidade produtiva para entregar a quantidade de máquinas desejada no prazo necessário. Então, quem quer comprar é obrigado a recorrer a quem tem máquina para vender, seja ela nacional ou importada”, afirma o presidente da comissão de plásticos.

    Mas, e os efeitos danosos que a importação tem sobre a indústria nacional de injetoras? Lee e Guarnieri mantêm o discurso afinado: “A importação possibilitou o aumento do consumo brasileiro de máquinas, porque elas ficaram mais baratas, e isso gera novos empregos. A importação também permite que pequenas fábricas funcionem, pois elas passam a ter acesso a máquinas com custo menor”, diz o primeiro. Guarnieri complementa: “No Brasil, também há muitas máquinas antigas. Com a possibilidade de importação da China, o transformador nacional consegue agregar tecnologia sem aumentar os custos, em comparação à aquisição de máquinas da Europa ou dos EUA.”


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