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23 de dezembro de 2007

K 2007 – 2ª parte

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Um grupo de 12 produtores industriais e a Alcântara Machado, promotora da Brasilplast, representaram a cadeia do plástico do Brasil em Düsseldorf. A desvalorização do dólar perante o real e a conseqüente redução da competitividade desses expositores dificultaram os negócios com o exterior nos últimos anos, mas suas apostas no mercado externo permaneceram firmes, como tentaram demonstrar com a presença na K.

    Plástico Moderno, José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, K 2007 - 2ª parte

    Grubisich: mercado mostra forte interesse por PE verde

    Provavelmente, a aparição de maior impacto foi a da Braskem, pela sintonia com a tendência marcante de lançamento de biopolímeros, obtidos de fontes renováveis. Em uma das entrevistas coletivas mais concorridas da feira, a confirmação do investimento de mais de US$ 150 milhões para produzir 200 mil t/ano de PE 100% renovável com base em cana-de-açúcar ao fim de 2009 despertou grande interesse na imprensa internacional, como já causara no mercado.

    Apresentando a empresa como uma petroquímica brasileira com pretensão a ser uma das dez com maior valor de mercado no mundo em 2012, o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, informou que o projeto está em fase final de compilação das informações de engenharia básica e refino da estrutura financeira de alocação de recursos. A tecnologia está pronta para o implemento industrial, após a solução de dificuldades como a purificação do etileno obtido da desidratação do etanol renovável. Essa etapa é essencial à nova tecnologia, porque o etileno petroquímico dispõe de uma série de métodos de purificação já disponíveis, mas o alcoolquímico, não. Como a partir da obtenção do etileno a tecnologia de polimerização é a mesma, Grubisich afirmou que a Braskem pode produzir todos os PEs que já sintetiza, e eles podem ser usados nos equipamentos de transformação existentes, sem modificações. O foco inicial serão PEADs para recipientes plásticos e PEBDLs metalocênicos para filmes e sopro de embalagens com alto potencial de agregação de valor.

    O interesse do mercado em desenvolver produtos com a matéria-prima certificada pelo laboratório Beta Analytics USA, especialista em análise de carbono 14, foi comemorado pelo presidente: há desejos por acordos de fornecimento de longo prazo, investimento conjunto em projetos de desenvolvimento e licenciamento da tecnologia para outros competidores – muitos presentes na feira. O potencial de venda do produto é maior que o inicialmente estimado, para a alegria da Braskem, cuja posição é muito confortável, pois o novo PE já tem preço competitivo em relação ao concorrente petroquímico. Conforme se comporte o preço do petróleo, ele pode se tornar mais barato, e os clientes pagariam felizes, atualmente, por um produto mais caro e com o carimbo verde, disse Grubisich. A pesquisa em alcoolquímica também abriu novas fronteiras de desenvolvimento tecnológico, que devem levar à criação de monômeros (propeno e buteno) e um PP também 100% renováveis – as primeiras amostras já estão sendo testadas na indústria automotiva. A Braskem ainda converterá sua capacidade de produção de MTBE (metil-t-butil-éter, obtido de metanol) para ETBE (etil-t-butil-éter, feito de etanol de cana). Ao fim de 2008, 300 mil t/ano de ETBE estarão disponíveis para o fornecimento ao mercado internacional, principalmente da Europa e do Japão.

    Marcar presença – Mas os expositores brasileiros nem sempre possuem novidades tão retumbantes a serem anunciadas, e a maior parte deles foi à Alemanha mais interessada em encontrar clientes brasileiros visitando a K, reforçar laços com clientes do exterior ou ampliar as exportações.

    A Suzano, outra petroquímica nacional na feira, buscou a proximidade com os brasileiros necessitando de apoio para alavancar projetos ou buscar oportunidades no mercado internacional, e também foi para o corpo-a-corpo com consumidores responsáveis por um grande volume exportado para a América Latina e, em menor escala, para Europa, a África e a Ásia. Cerca de 20% da produção de PPs da empresa é vendida no exterior.

    Quem visitou o estande pode ter estranhado a apresentação ainda como Polibrasil. A expositora não se chamará mais Suzano Petroquímica após a venda à Petrobras, e como Polibrasil é a marca de seus produtos e um nome muito conhecido fora do País, não havia sentido em usar um nome que se extinguirá.

    Mas qual é a força de uma petroquímica brasileira para exportar para mercados como o europeu?

    “O grade de BOPP de referência mundial é produzido pela Suzano”, disse o gerente de vendas Marcelo Fornereto. Há casos em que a competição se dá com outras commodities, aí é uma briga por custo, mas o portfólio de grades é muito grande, e há situações em que a produtora desenvolve especialidades a tal ponto de conquistar uma preferência como a pelo BOPP. Além disso, produtores europeus líderes de mercado podem se recusar a produzir quantidades menores de determinados polímeros. Em alguns casos, explicou Fornereto, a Suzano, que também tem grande escala, mas um mercado menor, pode se adequar para produzir essas resinas com determinadas características especiais.

    O gerente relatou diversidade de novos contatos na feira. “Se optássemos por exportar 50% da produção, os contatos realizados na feira poderiam absorver esse volume”, afirmou. Esses contatos aconteceram com potenciais clientes da Índia, da Turquia, de diversos países da África e do Oriente Médio, além de muitos europeus da Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. A Europa, em particular, vive um momento de balanço entre oferta e demanda de PP muito apertado, abrindo espaço para produtores de outros mercados.


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