Máquinas e Equipamentos

20 de abril de 2009

Injetoras – Produtores aguardam feira com esperança de melhores negócios

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
+(reset)-
Compartilhe esta página

    A crise econômica está mais para marola ou tsunami? Por enquanto, a pergunta não tem resposta, dizem os fornecedores de injetoras. Não dá para negar que as vendas, com desempenho muito bom até o último trimestre do ano passado, sofreram retração com a chegada da crise. Em 2009, os negócios começaram a se recuperar em março, mas ainda de maneira desigual. Alguns fornecedores parecem mais otimistas que outros. Não se sabe em qual patamar eles se estabilizarão.

    A única certeza reside no fato de o desempenho do setor ser bastante dependente das brisas sopradas pela economia. A constatação não chega a ser novidade para ninguém. O setor de bens de capital sempre reflete forte influência dos rumos tomados pelo mercado. Em caso de retração do PIB é um dos primeiros a sofrer as consequências e um dos últimos a se recuperar. Nesse cenário, a realização da Brasilplast é para lá de bem-vinda. A feira é conhecida pela sua capacidade de gerar negócios e não poderia ocorrer em momento mais propício.

    Não existem estatísticas oficiais. Estima-se que o número de injetoras vendidas no Brasil gire entre 2,5 mil e 3 mil unidades por ano e o evento deve ajudar a turbinar esse número em 2009. São comercializadas no Brasil máquinas dos mais distintos modelos. A diversidade complica a análise deste mercado. Entre as nacionais, existem equipamentos com variadas tecnologias, adquiridos para atender aos diferentes pedidos de peças plásticas, desde aquelas com dimensões menos precisas até as com exigências de medidas bastante rigorosas. As importadas englobam dos sofisticados equipamentos europeus, procurados por transformadores interessados em tecnologia de ponta, às máquinas orientais, de preço convidativo e qualidade sempre posta em dúvida pelos concorrentes brasileiros.

    Como a crise não atingiu de forma uniforme os diferentes segmentos da economia, o desempenho das empresas varia de acordo com o perfil de atuação da clientela. O setor de bens duráveis, em especial a indústria automobilística, foi um dos que mais sentiram dificuldades no início da crise. O sofrimento foi amenizado com a redução do IPI dos automóveis promovida pelo governo federal. A partir do último trimestre de 2008, a indústria de autopeças pisou forte no freio dos investimentos. Quem vende equipamentos para o setor sentiu por tabela a retração. Ninguém arrisca palpite sobre como ficará o ritmo de vendas de veículos nos próximos meses, porém os negócios parecem mais promissores com os excelentes resultados registrados pelas montadoras no primeiro trimestre deste ano, com quase 700 mil carros comercializados.

    Já o segmento de bens não-duráveis, caso dos alimentos e dos cosméticos, foi afetado de forma mais suave. Os fabricantes de embalagens para esses produtos mantiveram as encomendas de máquinas em bom ritmo.
    O cenário influencia as estratégias de marketing a ser adotadas na Brasilplast. Os expositores vão divulgar, de forma preferencial, equipamentos voltados para os setores menos atingidos pela crise. Os visitantes encontrarão nos estandes vários modelos projetados para funcionar com ciclos rápidos, dirigidos aos mercados de embalagens. A grande esperança depositada nos resultados gerados pela feira, no entanto, a torna bastante abrangente. Quem percorrer seus corredores também poderá obter informações sobre injetoras dos mais diversos tipos. Entre elas as elétricas, bastante precisas e ainda pouco procuradas no Brasil, por conta de seus preços, considerados “salgados”.

    Nacionais versus importadas – Um dos aspectos interessantes a ser observados pelos visitantes da exposição será o do confronto entre as injetoras nacionais e as estrangeiras. A concorrência é mais acirrada entre os modelos menos sofisticados, mercado estimado em 80% das unidades vendidas por aqui. Neste nicho, as brasileiras sofrem, nos últimos anos, com a invasão das asiáticas, em especial as chinesas.

    A guerra tem a temperatura inflada pelos baixos preços praticados pelos importadores, considerados incompatíveis com a realidade. Contra a atração gerada pelo menor desembolso de recursos para a aquisição dos equipamentos, os argumentos sempre usados pelos fabricantes nacionais recaem na “qualidade duvidosa” dos modelos orientais e na falta de estrutura adequada para prestação de assistência técnica.

    No ano de 2007 e até setembro de 2008, o aquecimento da demanda provocado pelo bom momento econômico arrefeceu a ameaça vinda da Ásia. O aumento das encomendas beneficiou a todos. Mas o período de bonança parece ter se encerrado. A retração do mercado nos últimos meses promete apimentar de novo o cenário. Um novo tempero no imbróglio surgiu nos últimos meses: a desvalorização do real. A forte queda do real tem favorecido os fabricantes brasileiros. Mas é bom não comemorar muito. Há meses antes da crise, quando as chinesas já incomodavam bastante, o dólar estava em patamar mais elevado do que hoje. Engana-se quem acha que as importadas não têm preços competitivos.

    Estima-se que no mercado nacional devam ser vendidas entre 400 e 500 unidades por ano de injetoras mais sofisticadas, voltadas para a obtenção de peças de grande precisão ou para grandes volumes de produção. Em termos de faturamento, no entanto, a receita obtida por essas vendas responde por percentual mais significativo, graças ao maior valor agregado desses equipamentos.


    Página 1 de 512345

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *