Máquinas e Equipamentos

7 de abril de 2007

Injetoras – Alta nas importações de manufaturados e queda das vendas internas emperram rentabilidade do mercado

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Publicado por: Simone Ferro
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    Plástico Moderno, Injetoras - Alta nas importações de manufaturados e queda das vendas internas emperram rentabilidade do mercado

    Pressionada pelo aumento das importações de produtos plásticos manufaturados e pela forte concorrência das máquinas asiáticas, a indústria brasileira de injetoras teve poucos motivos para comemorar em 2006. Nem mesmo a ligeira queda das importações, em torno de 16%, trouxe o alívio esperado. Na verdade, o resultado reflete a retração das vendas internas de máquinas para o processamento de plásticos, cujo faturamento nominal ficou 18,3% abaixo no comparativo com o ano anterior, passando de R$ 807 milhões para R$ 659 milhões.

    As vendas de injetoras representam 38,6% do faturamento nominal do setor, seguidas pelas extrusoras, com 18,8%; pelas sopradoras, com 5,1%; e outros equipamentos com 37,5% de participação. Os dados foram obtidos por meio de pesquisa por amostragem realizada pela Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Conforme dados da Secex, as exportações de injetoras recuaram mais de 9%, e comprometeram a rentabilidade das empresas com parte do faturamento atrelada às vendas externas. “Além da desvalorização do dólar, que favorece a entrada de máquinas estrangeiras e prejudica as exportações, o segmento de injetoras sofre com a importação fraudulenta e com a concorrência desleal”, diz a diretora de financiamento da Abimaq e vice-presidente da CSMAIP, Maristela Simões.

    Plástico Moderno, Cristian Heinen, gerente-comercial da Himaco, Injetoras - Alta nas importações de manufaturados e queda das vendas internas emperram rentabilidade do mercado

    Heinen lamenta falta de apoio à produção nacional

    Segundo ela, a Abimaq trabalha no combate às importações fraudulentas, o que inclui apresentação de ação antidumping, cujo estudo ocorre sob sigilo. Em 2005, a entidade recorreu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com pedido de salvaguarda, porém sem resultados.

    A queixa dos fabricantes recai sobre o sigilo das importações, com a omissão do nome do fabricante, da descrição comercial da mercadoria, dos detalhes da documentação e do pagamento dos impostos. A passividade das autoridades e, principalmente, os preços irreais também geram grande descontentamento.

    De acordo com as empresas do setor, as máquinas asiáticas entram no País com preços entre 25 centavos e US$ 2,5 o quilo, valor inferior ao custo dos insumos. “A desvalorização cambial, aliada aos impostos nacionais, está provocando um desestímulo ao desenvolvimento industrial do Brasil. Estamos mais inclinados a importar insumos do que fabricá-los no País”, lamenta o gerente-comercial da Himaco, Cristian Heinen.

    Apesar das dificuldades do mercado nacional, as vendas registram leve ascendência, segundo Heinen. “Os produtos brasileiros, e a Himaco em especial, sempre se basearam nos níveis tecnológicos alemães ou italianos, superiores ao asiático”, justifica.

    Apoio – No ano passado, a Abimaq inaugurou um escritório comercial em Pequim, na China. A iniciativa visa assessorar e dar atendimento aos associados interessados em vender e comprar bens de capital mecânico naquele país. “O escritório apóia as indústrias de bens de capital, auxiliando a identificar revendedores, fornecedores e até parceiros comerciais naquela região”, diz Maristela.

    As principais origens das importações do setor por ordem de grandeza são Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão, China, França e Suíça. Embora a China não ocupe a primeira posição, as máquinas vendidas no País concorrem diretamente com os equipamentos fabricados localmente, ao contrário dos demais importadores que abastecem o mercado de alta produção e tecnologia.

    Recentemente, o presidente da CSMAIP e diretor da unidade de injetoras de plásticos da Romi, um dos principais fabricantes do setor, Giordano Romi Jr., divulgou estudo comparativo prático do desempenho de injetoras brasileiras e chinesas. “Ao avaliar a relação custo/benefício os transformadores chegam à conclusão de que algumas tecnologias importadas não oferecem vantagens apesar do preço inferior da máquina.”
    De acordo com o estudo conduzido pela Romi, em seis meses, a produção de sete máquinas nacionais foi equivalente ao volume obtido em dez injetoras chinesas. “Só em moldes, o transformador vai investir 45% a mais. É o barato que sai caro”, diz Romi. (Leia outros detalhes do estudo elaborado pela Romi em PM, edição 387, pág. 12.)
    Tradicionais fabricantes do setor, a Jasot e a Sandretto também fazem coro contra as importações chinesas. As empresas ressaltam ainda a retração da demanda interna e a falta de ações governamentais de apoio às exportações.

    A Himaco exporta para toda a América do Sul, porém, segundo Heinen, as quantidades estão abaixo do esperado. “As vendas externas são sacrificadas por uma política financeira que visa o equilíbrio da dívida pública, com a entrada de capital especulativo. O aparente equilíbrio nas contas públicas, mantido pela entrada de capital que visa remuneração financeira temporária, supervaloriza o real em relação às outras moedas. Enquanto isso acontecer no País, poucos segmentos industriais poderão exportar”, diz Heinen.

    Vitrine – Máquinas mais precisas, econômicas, produtivas e silenciosas. Essas são as promessas dos fabricantes de injetoras para a Brasilplast 2007. Na avaliação do gerente de engenharia de marketing e vendas de injetoras para termoplásticos da Romi, Antonio Dottori, essas são as principais tendências.


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