Economia

28 de agosto de 2011

Injeção – Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

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Publicado por: Renata Pachione
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    Plástico Moderno, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

    Multinject, da KraussMaffei

    Incipiente, mas com um potencial enorme de crescimento. Talvez, por enquanto, não haja outra maneira de configurar o mercado de injeção de múltiplos componentes no Brasil. Apesar de se caracterizar por uma poderosa combinação, seja de materiais ou cores, num único processo, e por isso, se fincar na possibilidade de ofertar ao transformador competitividade, economia e acabamento superficial da mais alta estirpe, essa tecnologia ainda não deslanchou em território nacional. A sua aplicação esbarra na falta de escala.

    Mesmo com itinerário incerto, o prognóstico é positivo. Os fabricantes de máquinas fazem sua parte: abastecem o setor com desenvolvimentos de ponta e apostam em recursos para tornar esse processo mais acessível por aqui. Aliás, essa postura não se dá por acaso. A indústria se mostra aberta para comprar cada vez mais produtos de alto valor agregado, e tem a seu favor o aumento do consumo de setores como o de higiene pessoal e de cosméticos.

    Esse enredo se repete há alguns anos. Desde os primórdios, a tecnologia de multicomponentes progride num ritmo letárgico no país. A saber: a técnica foi desenvolvida na década de 60, mas só despontou por aqui no final dos anos 90, com o interesse da indústria automotiva. Nessa época, as lanternas multicolores dos veículos deixaram de ser produzidas pela sobreinjeção e se passou a adotar o processo. Mais tarde, o seu uso se disseminou, abarcando outros produtos como escovas de dente, cabos de aparelhos de barbear, além de celulares e televisores.

    A sua penetração avançou paulatinamente e ratifica, a cada ano, o potencial dessa tecnologia. No entanto, está longe de atingir os patamares idealizados pelos fabricantes de máquinas. “É uma ferramenta de marketing amplamente difundida no mundo, sendo no Brasil ainda usada com menor intensidade, em virtude da grande sensibilidade de aumento de custos e preços do mercado de consumo”, explica Udo Löhken, diretor da Engel do Brasil.

    O processo foi introduzido no país para aplicações especiais, e apesar de sua evolução, ainda carrega esse ranço. “Esse é um mercado em desenvolvimento, temos uma cultura de comprar ‘preço’, o que dificulta o uso em produtos populares”, reforça Leandro Goulart, gerente de vendas da Arburg. Em suma, trata-se de um setor ainda restrito. No Brasil, o grande volume de aplicações está relacionado às empresas multinacionais. E isso, em todos os âmbitos, não só na transformação. Ou seja, o abastecimento de injetoras é de domínio das gigantes estrangeiras, no caso, as europeias, e boa parte das ferramentas também precisa ser importada. “Acho que 99% dos moldes vêm de fora”, estima Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld do Brasil.

    Plástico Moderno, Leandro Goulart, Gerente de vendas da Arburg, Injeção - Mercado de múltiplos componentes esbarra na falta de escala, mas ratifica potencial de crescimento

    Goulart: tecnologia ainda é nova para a indústria nacional

    A indústria local, no entanto, esboça uma reação. Alguns fabricantes já conseguem comercializar suas injetoras para empresas 100% nacionais, o que sustenta projeções de crescimento. Cardenal, aliás, prevê que nos próximos três anos as vendas do segmento devem aumentar ao menos 20%. A previsão é crível, pois a aceitação desse tipo de processo vem em curva ascendente. Há cerca de cinco anos, o mercado era ainda mais embrionário do que é hoje. De alguma maneira, vender máquinas para múltiplos componentes já começa a figurar entre as metas dos fornecedores. “Antes, o próprio fabricante não dava muita atenção para o setor. Nem se cogitava a venda, agora já faz parte do portfólio a ser apresentado para o cliente”, reconhece Luis Guerra, gerente de vendas da Sumitomo Demag.

    Aplicações – Por tradição, no Brasil, o maior consumidor desse tipo de máquina é a indústria automobilística. Na Sumitomo Demag, cerca de 70% dos negócios em injeção de múltiplos componentes se voltam para esta aplicação. Esse não é um exemplo isolado, pois para boa parte dos fornecedores as vendas se concentram nesse segmento. As fábricas de automóveis estão cada vez mais inseridas nos padrões internacionais e exigem peças bicomponentes. Na avaliação de Cardenal, no entanto, mesmo este ramo ainda é pouco explorado. Ao contrário do que acontece na Europa, os carros fabricados no Brasil embutem menos sofisticação. “Esse setor não se desenvolveu muito, porque aqui os carros são mais simples”, comenta.

    Apesar da hegemonia do mercado automotivo, esse reduto está se desfazendo e diluindo-se em outras frentes. Setores como o de eletrônicos (leia-se: aparelhos celulares, frontal de televisores, teclados de computador e afins) e de utilidades domésticas têm endossado os negócios. “Isso está acontecendo porque a biinjeção dá um aspecto mais nobre ao plástico”, argumenta Guerra. Por conta desse movimento, as perspectivas para o setor mudaram. “Vejo que a escala virá não da indústria automotiva, como a gente poderia prever, mas dos mercados de higiene pessoal e de embalagem”, declara Cardenal.

    De forma geral, onde é necessário agregar funcionalidade e valor (no caso, design diferenciado e alta qualidade) ao produto, a injeção de múltiplos componentes tem sido muito bem-vinda. Por isso, não por acaso, as apostas de alguns fabricantes de máquinas recaem nos promissores números do mercado nacional de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria. “Nessas áreas há grandes volumes”, afirma Hercules Piazzo, gerente comercial da Milacron do Brasil.


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