Embalagens

29 de dezembro de 2008

In mold labeling – Indústria de embalagens começa a fazer encomendas e tecnologia ganha espaço no mercado nacional

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    A operação ocorre em alguns segundos, em regime de rigorosa precisão. A garra do robô pega o rótulo, com a ajuda de ventosas. Os rótulos são levados para as cavidades do molde de injeção e lá fixados por meio de uma descarga elétrica – em torno de 15 mil a 20 mil volts – ou de sistema de vácuo presente na ferramenta. A escolha entre a descarga elétrica ou o sistema de vácuo depende das características da peça. O ciclo prossegue. A resina é injetada e incorpora o rótulo. A peça é retirada, já decorada e pronta para ser usada de acordo com sua finalidade.

    A tecnologia in mold labeling (IML), expressão que pode ser traduzida em português como “rotulando no molde”, já é bastante difundida nos países avançados e começa a ser utilizada no Brasil. A técnica é bastante indicada para a fabricação de embalagens, em especial de produtos alimentícios ou químicos. São os casos, por exemplo, de potes de sorvete, margarina, iogurte, tintas ou produtos de limpeza. Também é usada para a confecção de móveis, como as cadeiras e mesas promocionais muito encontradas em bares pelo Brasil afora, decoradas com marcas de bebidas, entre outras aplicações.

    As vantagens do processo são significativas. Uma vez injetada, uma embalagem não precisa sofrer operações posteriores, como colagem de etiquetas, colocações de cintas de papelão ou gravações feitas em serigrafia. A qualidade da impressão obtida é muito superior à dos outros métodos. Um produto com embalagens IML se destaca nas gôndolas das lojas e supermercados, fato hoje em dia muito valorizado em razão da elevada competitividade do mercado nas mais diversas categorias de produtos. Em geral, embalagens como potes de sorvete são reaproveitadas. A marca do produto permanece gravada para sempre e será lembrada pelo consumidor por todo o período em que ele a reutilizar.

    Os obstáculos a serem enfrentados para a popularização da tecnologia, porém, não são pequenos. Os investimentos necessários feitos pelos transformadores para atender a esse mercado são pesados. O know-how exigido é complexo. O grande impedimento, na área técnica, se encontra na produção dos rótulos, problema que há alguns anos dificultou o ingresso da tecnologia no exterior e hoje é barreira para o desenvolvimento do mercado brasileiro. Os preços das peças feitas com a tecnologia não são competitivos em relação aos demais métodos.

    Com essas dificuldades, o IML ainda é adotado de maneira muito incipiente por aqui. O número de transformadores com capacidade para realizar a operação talvez possa ser calculado com o auxílio dos dedos das mãos. O potencial desse nicho de mercado para as empresas brasileiras interessadas em investir na técnica, no entanto, é considerado excelente por especialistas. Na prática, existem provas desse potencial, como a recente chegada ao varejo de produtos apresentados com essas embalagens, fabricados por gigantes como Nestlé e Sadia. A demanda deve crescer muito nos próximos anos e, com o aumento previsto da escala de produção, o processo deve se tornar mais competitivo.

    O IML conta com cadeia de fornecedores um tanto extensa. Tudo começa pelo fabricante dos filmes especiais de BOPP, utilizados para a confecção dos rótulos. No Brasil, a única fabricante desses filmes é a Vitopel. Passa pelas gráficas, responsáveis pelo corte e gravação dos rótulos. Entre as poucas que realizam o serviço no país, se encontram Rami e Flexoprint. As empresas fornecedoras de robôs comercializam os sistemas de automação necessários para a realização dos ciclos de injeção. Entre elas, podemos citar a Dal Maschio, de origem italiana com fábrica no Brasil, e a japonesa Star Seiki, com escritório de representação.

    As injetoras precisam ser dotadas de sistemas de controle compatíveis para o diálogo com os sistemas de automação instaláveis. Fornecedores multinacionais de injetoras oferecem soluções completas, até os sistemas de automação. A Wittmann, multinacional com forte presença no mercado de robôs voltados para o mercado plástico, está oferecendo projetos completos. A empresa comprou, há poucos meses, a Battenfeld, tradicional marca alemã de máquinas injetoras de plástico.

    Plástico Moderno, Artur Avelino Machado, Diretor, In mold labeling - Indústria de embalagens começa a fazer encomendas e tecnologia ganha espaço no mercado nacional

    Machado: IML facilitou entrada da Pavão no setor de embalagens

     

    A mesma solução é oferecida pela SumitomoDemag, que entre os equipamentos oferecidos ao mercado traz para o Brasil a linha de automação para IML Simpac, marca da japonesa Sumitomo. As peças quase sempre são injetadas com polipropileno. No caso das embalagens, os moldes precisam ser muito precisos e rápidos.

    Porta de entrada – Fundada em 1975 e localizada em São Paulo, a Pavão é apontada pelos profissionais do ramo como pioneira na realização de investimentos significativos para a adoção da tecnologia IML em injetados no Brasil. Tudo começou há seis anos, quando a empresa, até então com forte atuação no mercado de utilidades domésticas, decidiu participar do nicho de embalagens. “Tínhamos que enfrentar concorrentes muito grandes nesse setor e decidimos investir na técnica para entrarmos no mercado com um diferencial”, explica o diretor Artur Avelino Machado.


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