Ferramentaria Moderna

11 de novembro de 2011

Ferramentaria – Risco de desindustrialização atinge níveis alarmantes

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Publicado por: Alexandre Fix
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    Plástico Moderno, Alexandre Fix, Presidente da Abimaq, Ferramentaria - Risco de desindustrialização atinge níveis alarmantesNós e a Plástico Moderno começamos praticamente na mesma época. Os mais jovens do que eu talvez tenham dificuldade de imaginar a grande evolução tecnológica ocorrida nestes 40 anos. Por incrível que possa parecer, não existiam máquinas de controle numérico, computadores tipo PCs, softwares dedicados, internet, o sistema telefônico era precário etc… etc… Além das dificuldades tecnológicas, enfrentávamos a inflação galopante e os inúmeros planos econômicos que de uma hora para outra modificavam em muito a vida dos empresários. Poucos sobreviveram. Produzir produtos tecnológicos naquela época, em que o Brasil estava fechado ao mundo, era uma tarefa extremamente árdua.

    Nos anos 90, com a abertura do país e a estabilização da economia, praticamente zerando a inflação, conseguimos evoluir muito tecnologicamente. Somos hoje capazes de produzir moldes e produtos de plástico na maioria das aplicações com a mesma qualidade de qualquer país do chamado primeiro mundo. Hoje contamos com amplos recursos, tanto humanos como de máquinas e equipamentos. Ser industrial no Brasil continua sendo um enorme desafio e infelizmente começamos a ter saudades do passado. Agora que estamos numa fase de aparente crescimento da economia e que muito se fala que o Brasil é a bola da vez, quando o país está crescendo proporcionalmente mais que a maioria dos países, os industriais estão correndo um grande risco de desaparecer.

    A desindustrialização vem aumentando dia a dia!!! Alguns setores da indústria brasileira, como os de autopeças e de máquinas e equipamentos, enfrentam o processo de desindustrialização de forma extremamente preocupante. A expressiva perda de espaço de alguns setores na economia pode se disseminar, se o país não adotar medidas para aumentar a competitividade do produto nacional. A desindustrialização vai atingindo aos poucos setor por setor. O momento é de urgência. Não podemos mais esperar.

    A perda de competitividade da indústria é resultado das deficiências na infraestrutura, da elevada carga tributária, do excesso de burocracia, da desvalorização do dólar diante do real, e principalmente da concorrência predatória dos asiáticos, notadamente da China. As indústrias brasileiras não estão conseguindo competir com os estrangeiros. Não sou alarmista, sempre fui considerado empreendedor e otimista. Há um ano e meio aceitei o desafio de ingressar na Abimaq, presidindo a Câmara de Ferramentaria e Modelação. Os preços praticados pelos asiáticos na maioria dos casos é 50% menor que o brasileiro, muitas vezes eles oferecem moldes prontos abaixo do custo da matéria-prima brasileira. Como podemos competir? Já estamos importando em muitos casos não apenas o ferramental, mas sim as peças prontas, prejudicando toda a nossa indústria secundária. Se não conseguirmos alterar essa política seremos apenas montadores de produtos.

    Plástico Moderno, Ferramentaria - Risco de desindustrialização atinge níveis alarmantes

    Graças ao empenho e dedicação de alguns dos meus colaboradores, conseguimos sensibilizar parcialmente o governo, elevando o imposto de importação de moldes e componentes de 14% para 30%. Foi um grande tento, porém muito pequeno em relação ao grande problema. Precisamos fortalecer nossas entidades de classe, precisamos urgentemente nos unir e lutar para conseguir manter e fazer crescer o parque industrial nacional. Infelizmente, o empresário brasileiro, notadamente da pequena e média empresa, ainda não se sensibilizou com a necessidade de participar das entidades patronais e de prestigiar a imprensa especializada. Para termos força nos órgãos governamentais, precisamos ter representatividade, caso contrário, jamais seremos ouvidos.



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