Ferramentaria Moderna

24 de novembro de 2014

Ferramentaria moderna: Sofisticação dos periféricos exige mais precisão dos moldes de sopro

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    As ferramentarias especializadas em moldes de sopro vivem situação semelhante. O desempenho do ano está longe de atender as expectativas mais otimistas. O resultado das empresas é diferenciado, depende do perfil do cliente atendido. Também pulverizado, o nicho é formado em sua grande maioria por empresas de pequeno porte. Existem as especializadas em determinados nichos, é verdade, mas a grande maioria está apta a realizar projetos de ferramentas os mais variados, de sopro de extrusão contínua ou de pré-formas de PET. A concorrência é para lá de acirrada.

    A boa notícia é a presença tímida dos importados no caso dos moldes mais simples. Ao contrário do que ocorre com a transformação por injeção, os países asiáticos não são uma ameaça forte aos empresários nacionais. Vale lembrar: os preços dos moldes de sopro são bem inferiores aos de injeção, o que torna os brasileiros mais atraentes. No caso dos tipos sofisticados, a concorrência é maior e vem dos Estados Unidos e da Europa. Os importados apresentam tecnologia de ponta e o real valorizado torna as matrizes internacionais competitivas.

    Em termos de tecnologia, as ferramentarias estão sendo cada vez mais exigidas. A sofisticação das máquinas periféricas presentes nas linhas de transformação, casos, por exemplo, das envasadoras e rotuladoras, requer a produção de peças cada vez mais precisas. E os moldes precisam acompanhar essa demanda, têm de trabalhar de forma a permitir rigorosa repetição das medidas projetadas. Por outro lado, o excesso de competição favorece os clientes, sempre interessados em barganhar preços, mas reduz a rentabilidade dos fornecedores. Por tabela, fica difícil para os ferramenteiros realizarem os investimentos necessários para a compra de equipamentos de usinagem com tecnologia de ponta.

    Apesar de o molde de sopro convencional, na maioria das vezes, ser mais simples do que o de injeção, algumas particularidades dificultam a vida de quem os fabrica. As injetoras contam com sistema de funcionamento similar. As sopradoras não, as máquinas instaladas nos transformadores são muito distintas umas das outras, o que dificulta a realização dos projetos. Também ao contrário do que ocorre na injeção, não há fornecedores de peças padronizadas. Essa ausência prolonga o período de fabricação e, no caso de necessidade de substituição de peças, exige a produção dos itens a substituir.

    Encomendas internacionais – A paulistana Technical Blow Mould, ou TBM, como é conhecida no mercado, tem trabalho diferenciado. Ela se dedica à produção de moldes para o sopro de peças técnicas. No mercado desde 1997, a empresa é bastante procurada pela indústria automobilística, para quem produz moldes para tanques de combustíveis e outras peças voltadas para aplicações em condições críticas.

    Essas matrizes exigem know how elevado. Nas ferramentas para tanques de combustíveis, por exemplo, é comum o uso de parisons coextrudados com até seis camadas de materiais. Outro desafio é projetar o perímetro mais adequado da linha de fechamento em peças não simétricas, comuns nesse nicho de mercado.

    Manoel Paiva, diretor técnico-comercial, explica que o resultado da empresa no ano foi ligeiramente superior ao do ano passado. Ao contrário do que possa parecer, isso não representa uma notícia muito alvissareira. “Os anos de 2012 e 2013 foram muito ruins”, explica. Bastante dependente do lançamento de automóveis, a empresa foi beneficiada, este ano, com encomendas voltadas para três novos modelos, um da Volkswagen e dois da Toyota. “As encomendas foram feitas por plantas dessas montadoras instaladas no exterior, aqui no Brasil a indústria automobilística está em momento difícil”, lamenta.

    O dirigente se mostra bastante preocupado com o desempenho da empresa no próximo ano. “Esses trabalhos terminam em dezembro e não temos nenhuma perspectiva para 2015”. Apesar da incerteza, a TBM não deixou de lado os investimentos. “Compramos um centro de usinagem da Romi no valor de R$ 700 mil”. A ideia é manter a fábrica preparada. “Espero que em 2015 haja uma mudança de postura do mercado e o Brasil volte a crescer”.

    Ano ruim – A Vath Moldes, de Indaiatuba-SP, produz moldes de sopro de extrusão contínua, PET e injection blow. Atende encomendas para moldes de recipientes com volumes dos pequenos até cinquenta litros. A grande maioria dos serviços se destina para frascos menores, fabricados em sopradoras com sistema de extrusão contínua. “O ano foi ruim”, queixa-se o diretor Idevalte Nascimento.

    Acostumado a atender nichos da economia acostumados a investir, como os segmentos de higiene e limpeza, cosméticos e alimentos, o dirigente se mostra surpreso com o desempenho negativo. “Mexo com moldes há 25 anos e nunca vi isso acontecer, o mercado parou nos últimos três meses”. Ele nem se arrisca a explicar o que vem acontecendo. “Não sei se é por causa das eleições, se é reflexo da política”. Ele acha que se a economia está num mau momento, os novos projetos estão em baixa. “Só resta ficar na torcida para que 2015 seja um ano melhor”.



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