Economia

21 de dezembro de 2011

Ferramentaria moderna – Setor cresce pouco neste ano, mas satisfaz os fabricantes brasileiros

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Plástico, Ferramentaria moderna - Setor cresce pouco neste ano, mas satisfaz os fabricantes brasileiros

    Para a maioria das empresas envolvidas com o mercado de moldes o ano foi ótimo até setembro. No último trimestre, as vendas caíram e o setor não deve crescer de forma significativa em relação ao ótimo resultado de 2010. Muitas empresas mantiveram o mesmo patamar de negócios, outras caíram um pouco. Nem por isso, os empresários do ramo lamentam os resultados.

    Plástico, Alexandre Fix, Presidente CSFM, Ferramentaria moderna - Setor cresce pouco neste ano, mas satisfaz os fabricantes brasileiros

    Fix vê com cautela o desempenho do mercado para o próximo ano

    A preocupação, agora, recai sobre o futuro. O que virá divide opiniões, entre os cautelosos e ressabiados e os otimistas. Para Alexandre Fix, presidente da Câmara Setorial de Ferramentarias e Modelações (CSFM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor da Polimold, tradicional fabricante nacional de porta-moldes e câmaras quentes, entre outros componentes padronizados, o ano de 2011 foi bem razoável. Ele engrossa o coro da maioria dos principais representantes do setor.

    De acordo com Fix, o crescimento do setor, em relação ao ano passado, deve girar em torno dos 3%. “Até agosto/setembro foi bom, depois houve uma queda grande nos negócios”, explica. Ele ameniza um pouco os resultados pós-outubro. “A comparação com o mesmo período do ano passado é difícil, os últimos meses de 2010 foram excelentes”, ressalta. Para o próximo ano, a expectativa do presidente da CSFM é cautelosa. Ele se lembra das previsões dos especialistas econômicos, que apontam para 2011 um crescimento do PIB entre 2% e 3%. “A indústria do plástico, na média, cresce de duas a três vezes o valor do PIB. Para mim, o setor crescerá entre 4,5% e 5%”, calcula.

    O desempenho, na opinião do dirigente, vai depender de uma série de variáveis. A principal é o rumo a ser tomado pela economia. Com a crise internacional em curso, a torcida é pelo bom desempenho do mercado interno, fator primordial para aquecer as encomendas.

    Muito importante será o comportamento das montadoras, responsáveis por importante fatia do mercado de matrizes. Se a elevação de alíquota de importação de veículos decretada pelo governo, que entra em vigor em dezembro, resultar em investimentos no Brasil, ótimo. Se isso não ocorrer, certamente ocasionará problemas para muitas ferramentarias. Um aspecto positivo foi a recém decretada redução do IPI para eletrodomésticos da linha branca.

    Caso a economia esfrie demais, um problema grave pode recrudescer: a competição desigual resultante dos preços baixos dos moldes asiáticos. Não por acaso, a CSFM negocia com o governo federal vários pleitos voltados para a proteção da indústria nacional. Vale lembrar: no início do ano, empresários e governo federal firmaram um acordo que aumentou, a partir de março, a alíquota de importação dos moldes de 14% para 30%. A medida tem duração até o próximo dia 31 de dezembro e ainda não foi definido se será prorrogada.

    Para Fix, o acordo foi positivo, mas, ainda que seja prorrogado, não significará o fim da ameaça dos importados. “Nós exportamos moldes a US$ 33 o quilo, importamos da Alemanha e dos Estados Unidos a US$ 40 o quilo. Os chineses chegam aqui a US$ 13 o quilo, a diferença é enorme”, justifica. Para ele, o lado mais importante do acerto entre empresários e governo é outro. “Não acreditava no aumento da alíquota dos importados. Foi bom ver que existe possibilidade de diálogo com o governo, vamos continuar negociando para obter benefícios para a indústria nacional”, explica.

    Fix não se esquece de mencionar a velha queixa de todo o empresariado, o incômodo “custo Brasil”. Para eles, fatores como impostos muito elevados para os que se dedicam à atividade produtiva, juros estratosféricos, dificuldades na infraestrutura do país entre outros continuam a atrapalhar. A esses itens, ele soma a recente mudança na lei que prevê o aumento da multa relacionada ao FGTS paga pelas empresas aos trabalhadores demitidos. “É mais um encargo que cai nas costas dos empresários”, lamenta.

    Tampas– O setor de moldes é muito pulverizado. Não há estatísticas precisas, mas se estima que existam centenas de ferramentarias espalhadas pelo país, em sua grande maioria, pequenas empresas. Não são muitas as dotadas com equipamentos de elevada tecnologia. As mais bem equipadas, independentemente do seu tamanho, conseguem sobressair em momentos prósperos, como os vividos nos últimos dois anos.

    Plástico, Eduardo Cunha, Diretor executivo, Ferramentaria moderna - Setor cresce pouco neste ano, mas satisfaz os fabricantes brasileiros

    Graças ao mercado de embalagens, Cunha superou as expectativas

    O mercado esteve melhor ainda para as especializadas, com excelência para fabricar matrizes bastante procuradas pelo mercado. São os casos das voltadas para a indústria de embalagens. Esse é o nicho predileto da paulistana Moltec, empresa de porte médio fabricante de matrizes para injeção e sopro. “Estamos na contramão do mercado. O ano não foi igual ao de 2010, mas o segundo semestre foi muito bom, nós superamos as nossas expectativas”, informa Eduardo Cunha, diretor executivo.

    Para o próximo ano, o dirigente está muito otimista. A explicação do bom momento se concentra, em especial, no mercado de frascos e tampas para produtos alimentícios, de higiene e limpeza e cosméticos. “Hoje as empresas estão investindo bastante na substituição de embalagens, é uma fórmula que estão usando como forma de atrair os consumidores”, explica. Ele conta um dos segredos do sucesso. “Trabalhamos para contar com tecnologia de ponta para a fabricação de moldes de injeção de tampas.”

    A empresa também trabalha no segmento de matrizes para PET, tanto para a fabricação de pré-formas quanto para frascos soprados. Esse nicho também é visto pelo diretor como de grande potencial. Para ele, não é segredo para ninguém que o PET está ganhando espaço em diversas aplicações. Para melhor atender os clientes, a empresa tem sofisticado sua estrutura. “Fizemos investimentos pesados na aquisição de máquinas de usinagem, como equipamentos de furação profunda e de metrologia”, informa.

    O mercado de tampas é o filão explorado pela W Plastic, outra ferramentaria localizada na capital paulista. De pequeno porte, com apenas seis colaboradores, a empresa conta com moderno equipamento de usinagem e tecnologia sofisticada. “Nossas vendas foram bastante positivas, por enquanto não sentimos os problemas resultantes da crise”, revela o seu diretor Welington Pavarini.

    Ele reconhece uma pequena queda de procura por serviços em relação a 2010. “O ano passado foi ótimo”, justifica. Esse ano, os negócios esfriaram um pouco a partir de outubro. Nada suficiente para atrapalhar o sono do dirigente. “Estamos lotados de encomendas feitas até setembro.” Para 2012, a perspectiva é otimista. “Se for igual a 2011 para mim está ótimo”, resume.

    Múltiplas cavidades e injeção multicores – A especialização também é a estratégia adotada pela catarinense Btomec, de Joinville-SC. A empresa, com sessenta colaboradores, atua com força no segmento de moldes de múltiplas cavidades – entre eles, os da faixa entre 96 e 128 cavidades – e de moldes para componentes bi ou tri. São nichos de mercado onde o número de concorrentes é reduzido.

    Em2011, atática se revelou vencedora. “Não posso me queixar, tivemos o melhor desempenho em 25 anos”, informa o diretor Wiland Tiergarten. Mesmo a redução na procura a partir de outubro não abala o bom humor do dirigente. “Houve queda na solicitação de orçamentos, mas nossa carteira de pedidos está muito forte, estamos nos segurando bem”, justifica.

    Para2012, aexpectativa é conservadora. “Não estou nem otimista nem pessimista”, diz. Um dos motivos da previsão cautelosa se encontra no futuro comportamento da indústria automobilística, um dos segmentos com os quais a empresa atua com força. Caso dê certo o plano do governo federal de incentivar a produção nacional de veículos, sustentado pelo aumento da carga tributária dos modelos importados, existe ótima possibilidade de no ano que vem os bons resultados se repetirem. Outro setor bastante ligado à atuação da ferramentaria, o de embalagens para cosméticos, tem previsão positiva.

    Investir na qualidade dos serviços prestados é visto pela Btomec como essencial para manter-se em estágio competitivo. A empresa tem adquirido de forma regular, ao longo dos últimos anos, equipamentos modernos de usinagem de metais. Outro tipo de aquisição merece destaque. A empresa espera contar com duas máquinas injetoras em sua planta para a realização de try-outs.

    Uma delas já se encontra instalada na linha de produção. Trata-se de uma máquina Arburg, com 400 toneladas de força de fechamento e capacidade de produção de peças tricomponentes. A segunda deve ser adquirida em 2012. “Estamos comprando um modelo de 200 toneladas de força de fechamento e capacidade para produzir peças bicomponentes”, diz. A empresa conversa com fornecedores do equipamento para fechar o negócio.

    R$ 8 milhões– Ligada ao grupo português Durit, especializado em produtos de precisão feitos de metais, a ferramentaria Moldit chegou ao Brasil em 1974. Instalou-se em Camaçari-BA, com o objetivo de servir a fábrica da Ford montada na região. Com o tempo, diversificou seus clientes e se transformou em uma das principais empresas do ramo no Nordeste. Hoje conta com 34 colaboradores.

    Plástico, José Teixeira, Diretor industrial, Ferramentaria moderna - Setor cresce pouco neste ano, mas satisfaz os fabricantes brasileiros

    Teixeira quer elevar as vendas em pelo menos 40%

    “Os nossos clientes são os principais nomes da indústria automobilística e os fabricantes de utilidades domésticas”, informa José Teixeira, diretor industrial. De acordo com o executivo, a empresa está habilitada em recursos humanos e técnicos para realizar qualquer tipo de molde de injeção de termoplásticos, dos mais simples aos voltados para peças bimaterial, com gás, sobre moldagem de têxteis ou insertos metálicos. Conta com experiência em matrizes de 200 quilos a 24 toneladas.

    “As vendas no ano de 2011 ficaram alinhadas com as de 2010, não se verificou alteração no perfil das solicitações dos nossos principais clientes”, diz. Nos últimos meses, com a redução da atividade automotiva, a prestação de serviços da empresa se concentrou na manutenção das ferramentas instaladas em seus clientes.

    Para o próximo ano, a expectativa é ambiciosa. A Moldit espera aumentar suas vendas em pelo menos 40%, sustentadas por um projeto de investimentos em curso, dotado com verba de R$ 8 milhões. A empresa quer duplicar suas instalações e aplicar no treinamento de seus funcionários. O objetivo é oferecer ao mercado tecnologia de design e engenharia de peças ao projeto, construção e validação dos moldes. Entre as compras realizadas, dois centros de usinagem, de médio e grande porte. Também foram adquiridas duas injetoras da KraussMaffei, com 650 e 1,3 mil toneladas de força de fechamento. Essas máquinas serão utilizadas para a realização de try-outs. “Oferecemos projetos ‘chave na mão.’”

    Fornecedores – Termômetro para lá de preciso, o desempenho dos fornecedores de porta-moldes e outros componentes para ferramentarias comprova o bom ano vivido pelo setor. As palavras de Fix na condição de representante patronal das ferramentarias se repetem quando ele fala sobre o desempenho do ano da Polimold. “Foi igual, até agosto/setembro estávamos muito bem, depois as vendas se reduziram”, diz.

    A empresa, não faz muito tempo, conseguia exportar valores significativos. Com o aquecimento do mercado interno e as dificuldades geradas pelo dólar, as exportações diminuíram. Apesar disso, a empresa pretende instalar um escritório na China, onde suas câmaras quentes fizeram sucesso. “Hoje não estou exportando muita coisa para lá, mas nossa ideia é prestar serviços aos que contam com nosso produto”, explica.

    “Foi um ano muito bom”, resume José Miranda Neto, consultor comercial da Miranda, localizada em Suzano-SP e com forte atuação na área de porta-moldes. Para ele, nem mesmo a queda nas consultas verificada no último trimestre foi motivo para preocupação. “Não acredito que a redução nas vendas tenha sido fruto da crise mundial. Acho que foi uma coincidência, grandes projetos da indústria automobilística terminaram ao mesmo tempo”, avalia.

    Ele está bastante otimista em relação a 2012. “Acredito em retomada já a partir de fevereiro”, avalia. Prova do seu sentimento positivo em relação ao futuro se encontra na estratégia da Miranda. A empresa vai lançar, nas próximas semanas, nova linha de porta-moldes. “Nossos produtos vão ficar mais sofisticados, ganharão melhor acabamento, com tolerâncias de medidas mais apertadas”, informa.

    A Tecnoserv, de Diadema-SP, conta em sua linha de produção com porta-moldes e outros componentes, além de representar no Brasil várias fornecedoras de produtos para a confecção de matrizes. Uma das novidades recentes da empresa, anunciada durante a realização da Brasilplast, no último mês de maio, foi o acordo fechado com a alemã Strack-Normalien, fabricante de mais de 80 mil itens, como puxadores, gavetas, buchas e colunas. Outra marca representada é a neozelandesa Mastip, conhecida por suas câmaras quentes.

    “As vendas caíram no final do ano, mas não posso dizer que o ano foi ruim. Esperávamos crescer 15%, mas devemos crescer entre 5% e 10%”, avalia Wilson Teixeira, diretor técnico. Para ele, o mês mais crítico foi setembro. “Em outubro e novembro notamos o início de uma recuperação nas vendas”, informa. No balanço geral, a área de porta-moldes foi a que obteve resultados mais conservadores. “Acho que vamos ficar iguais ao ano passado.” Os demais nichos se mostraram mais promissores. “Acredito que vou atingir a meta no caso das câmaras quentes e a procura por acessórios foi superior a2010.”

    Para 2012, um palpite cauteloso. “O mercado está meio nublado, um tanto incerto. Acho que a crise europeia vai longe e não temos certeza de como ela vai repercutir por aqui”, diz. Para ele, a notícia boa tem sido a preocupação do governo em lançar medidas para incentivar o consumo interno. Entre elas, a queda nos juros. “O mercado interno tem sido fundamental para o desempenho da economia.”


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