Ferramentaria Moderna

17 de janeiro de 2014

Ferramentaria moderna: Setor aposta em melhores resultados no próximo ano

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    O otimismo prevalece entre os representantes das ferramentarias quando questionados sobre o desempenho esperado pelo setor no próximo ano. Não se trata de entusiasmo exagerado. A expectativa é de obter resultados um pouco mais positivos do que os deste ano. Em 2013, os negócios não decepcionaram. Também não arrancaram suspiros. Duas características contraditórias sobressaíram. Por um lado, as empresas do ramo tiveram volume de trabalho satisfatório. Por outro, lutaram contra o arrocho dos preços imposto pelos clientes.

    O cenário é resumido por Alexandre Fix, presidente da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelações da Abimaq e da Polimold, fabricante de porta-moldes e padronizados e de aparelhos para controle de temperatura dos ciclos de injeção, entre outros itens. “O setor, em sua grande maioria, vendeu bem. Não faltaram encomendas. O problema se encontra na queda de rentabilidade, na grande pressão exercida pelos clientes para a redução dos preços”, reclama.

    Além disso, muitos clientes estão com dificuldades para honrar as dívidas e arrastam os pagamentos. Para Fix, esses problemas acabam prejudicando até mesmo quem compra. “As dificuldades financeiras desmotivam as ferramentarias, elas deixam de investir na melhoria de suas estruturas”, diz.

    Faltam estatísticas confiáveis e o dirigente não arrisca dar um palpite sobre o desempenho do setor em 2013. “Nosso mercado é muito pulverizado, temos centenas de ferramentarias de todos os portes, com especialidades variadas, é difícil chegar a um número”, explica. Enquanto algumas ferramentarias se mostram muito felizes, outras reclamam. “Quem atende de maneira preferencial um segmento da economia que vai bem se dá melhor do que quem tem foco para um setor que está mal. A indústria automobilística está melhor do que a de brinquedos.”

    Para o ano que vem, a perspectiva do presidente da Câmara Setorial da Abimaq é de otimismo moderado. Uma conquista do setor, a inserção das ferramentarias no programa Inovar-Auto, que prevê benefícios fiscais para as montadoras que lançarem modelos de automóveis com elevado índice de nacionalização de peças, gera perspectivas positivas. Mas não o suficiente para os empresários do ramo “soltarem fogos”.

    Existem obstáculos a serem superados. “O crescimento da indústria tem sido bastante pífio nos últimos tempos, é preciso que a economia cresça de forma mais vigorosa”, reclama o presidente da câmara setorial. Outro tormento continua a tirar o sono dos empresários brasileiros. São os moldes vindos da China, com seus preços para lá de competitivos. A desvalorização do real ocorrida este ano amenizou um pouco a situação, mas a zona de conforto está longe de ser atingida.

    Termômetro, parte I – O fato de existirem centenas de ferramentarias Brasil afora, a grande maioria das quais de pequeno porte, dificulta a geração de estatísticas confiáveis sobre o desempenho do setor. Um termômetro, no entanto, pode ser usado para se chegar a números próximos da realidade. As vendas de porta-moldes dão uma boa ideia de como vão os negócios.

    “Não existe um número grande de empresas fornecedoras de porta-moldes. Se extrapolarmos os resultados obtidos por elas nós conseguiremos calcular a tendência do mercado com exatidão”, reconhece Fix. O dirigente analisa o desempenho da Polimold, de São Bernardo do Campo-SP. A empresa conta com em torno de um milhão de combinações de porta-moldes disponíveis. Caso o cliente queira, é possível agregar serviços ao produto, como a realização de operações de usinagem extras.

    “Nossas vendas de porta-moldes este ano refletem bem o que se diz por aí sobre o setor. O volume de vendas foi bom, mas a rentabilidade do negócio está muito baixa. No fim das contas, o resultado foi razoável”, informa. A empresa espera fechar o ano com crescimento do faturamento de 9,6% em relação a 2012. “O resultado está 1% acima do que tínhamos orçado.” Apesar dos números parecerem bons, o dirigente faz ressalvas. “O faturamento cresceu, mas nossas despesas também. A inflação está alta, na casa dos 6% e nossa folha de pagamento sofreu reajuste de 8%. Não dá para comemorar muito.”

    A maior novidade da Polimold este ano não foi na área de porta-moldes. Foi o lançamento do minicontrolador de temperatura de câmaras quentes MS, com tamanho 60% menor do que o modelo anterior. “Apesar de menor, ele tem mais recursos.” Um dos diferenciais é a possibilidade de, partindo de um primeiro módulo, gerenciar os demais módulos presentes em uma planta.


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