Ferramentaria Moderna

5 de maio de 2012

Ferramentaria Moderna – Moldes para sobro enfrentam competição acirrada e demanda em recuperação

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Até outubro do ano passado, as coisas iam muito bem. De lá para cá, o número de encomendas nunca mais foi o mesmo. O início do ano ficou aquém das expectativas. Passou o carnaval e os negócios começaram a dar sinal de reação. Para os fabricantes de moldes de sopro, o ano não deve ser muito melhor do que 2011, apesar de certo otimismo em relação à recuperação nos próximos meses.

    Caso não seja superada, a temperatura morna da demanda por serviços dificulta a vida dos ferramenteiros. Como o setor é bastante pulverizado, conta com grande número de empresas, muitas das quais bem pequenas, a concorrência é bastante acirrada. Existem as especializadas em determinados nichos, é verdade, mas a grande maioria está apta a realizar os mais variados projetos de ferramentas, de sopro de extrusão contínua ou de pré-formas de PET.

    O excesso de competição favorece os clientes, sempre interessados em barganhar preços até a exaustão. A pequena rentabilidade dificulta os investimentos necessários para a compra de equipamentos como modernos centros de usinagem, capazes de melhorar a produtividade e a precisão das plantas industriais.

    Menos mal, para o setor do sopro, é a presença tímida dos importados. Ao contrário do que ocorre entre os fabricantes de moldes para injeção, os países asiáticos, em especial a China, não representam grande ameaça aos empresários nacionais no caso das matrizes mais simples. De acordo com os especialistas, os produtores orientais são menos competitivos, pecam pela qualidade inferior à dos produzidos aqui. Como os preços dos moldes de sopro são bem inferiores aos de injeção, os preços praticados pelos chineses são menos atraentes. Os prazos de entrega dos produtores brasileiros, mais curtos, também colaboram.

    No caso de moldes sofisticados, a concorrência é mais forte. Como as economias dos Estados Unidos e dos países europeus vivem momentos negativos, empresas do primeiro mundo passaram a ficar de olho no mercado brasileiro, mais aquecido. Os importados apresentam tecnologia de ponta e o dólar desvalorizado torna as matrizes internacionais competitivas.

    Em termos de tecnologia, as ferramentarias estão sendo cada vez mais exigidas pelos clientes. A sofisticação das máquinas periféricas, casos, por exemplo, das envasadoras e rotuladoras, requer a produção de peças cada vez mais precisas. E os moldes precisam acompanhar essa demanda, têm de trabalhar de forma que permitam uma rigorosa repetição das medidas projetadas.

    Outras particularidades dificultam a vida dos ferramenteiros. Apesar dos moldes serem, no geral, mais simples do que os de injeção, o processo de fabricação é mais complexo, em especial no caso do sopro convencional. As máquinas injetoras contam com sistema de funcionamento similar. As sopradoras, não. As máquinas instaladas nos transformadores são muito distintas, contam com características diferentes. Para os fornecedores de matrizes, essa particularidade é outro desafio.

    Também ao contrário do que ocorre na injeção, não há fornecedores de peças padronizadas para as ferramentas. Isso prolonga o período de fabricação e, no caso de necessidade de substituição, exige a produção de novas peças.

    Embalagens – Com duzentos funcionários, a paulistana Moltec é nome bastante conhecido no setor de moldes para embalagens. A empresa, no mercado desde 1971, tem faturamento dividido ao meio entre moldes de injeção e sopro. “Às vezes, o mercado está um pouco melhor para o setor de injeção, outras vezes para o sopro. De forma geral, a receita é dividida”, esclarece Bruno Chagas, gerente de engenharia.

    Vale uma ressalva: o preço dos moldes de injeção é bem maior. “Uma cavidade para injeção fica entre R$ 35 mil e R$ 40 mil, uma para sopro sai em torno de R$ 10 mil”, explica. Por isso, em número de cavidades, a produção para os transformadores de sopro é bem maior. A Moltec trabalha de duas maneiras. Ela recebe o design da embalagem da

    Plástico, Bruno Chagas, gerente de engenharia, Ferramentaria Moderna - Moldes para sobro enfrentam competição acirrada e demanda em recuperação

    Bruno Chagas: segmento de cosméticos pede moldes mais sofisticados

    agência especializada e presta serviços da viabilidade técnica ao tryout ou atua desde a fase do design. “Nosso departamento de desenvolvimento conta com profissionais bastante experientes”, garante.

    O ano de 2011, para a Moltec, não foi dos mais entusiasmantes. Este ano começou melhor. “Estamos trabalhando acima das expectativas”, diz. O lado negativo da notícia é o nicho do sopro. “A procura por moldes de injeção está muito boa, mas no caso do sopro anda em baixa.” A explicação para esse cenário? “Eu acredito que seja uma coisa passageira, os transformadores de sopro fizeram muitos lançamentos no ano passado e este ano estão em momento de acomodação”, avalia.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *