Ferramentaria Moderna

5 de março de 2011

Ferramentaria moderna – Ligas metálicas especiais proporcionam melhor relação custo/benefício

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    Moldes para injeção e sopro. Roscas para extrusão. O que esses componentes, importantíssimos para o bom desempenho dos três meios de transformação de plásticos mais utilizados pela indústria, têm em comum? Todos precisam ser fabricados com matérias-primas adequadas às condições de trabalho com as quais vão operar. No Brasil, as preferências são bem definidas. No caso dos moldes para injeção, o mais usado é o aço P20 – estima-se que é o escolhido em mais de 80% dos casos. Os moldes de sopro, em quase 100% das vezes, são feitos de alumínio. Nos produtores de roscas de extrusão, por sua vez, a escolha quase sempre recai sobre o aço 8550 ou o aço 4140 – em ambos os casos, é comum usar revestimentos de ligas bimetálicas.

    Os fabricantes oferecem essas matérias-primas com muitas variáveis, em especial para as ferramentarias especializadas em injeção e para os fabricantes de roscas. Entre as soluções, algumas recentes, desenvolvidas depois de muita pesquisa e com desempenho superior ao dos materiais tradicionais. Os fornecedores se esforçam para convencer os clientes sobre os benefícios proporcionados pelos produtos com valor agregado superior. Mas alterar o perfil das vendas é desafio difícil de ser superado. Prevalece, entre os usuários, a atração exercida pelo preço. Mesmo que o uso de um metal de maior qualidade aumente a produtividade e permita uma maior durabilidade do componente em questão.

    O processo de seleção da matéria-prima é feito com base na análise de algumas variáveis. As mais importantes são o material plástico processado, as características das peças a serem fabricadas e a produtividade desejada. A durabilidade pretendida para moldes e roscas também precisa ser considerada com atenção. Conforme o caso, esses componentes estão mais ou menos sujeitos a problemas como corrosão, abrasão e adesão. Entre os materiais plásticos, os mais desafiadores são os que se utilizam de cargas, em especial a fibra de vidro. Eles causam graves problemas de abrasão. O PVC é conhecido por ser corrosivo. Em muitos casos, exige o uso de aços inoxidáveis.

    Mercado acirrado – No caso dos moldes de injeção, a dureza é a propriedade mais importante do aço a ser utilizado. Em relação a esse quesito, a matéria-prima pode ser dividida em quatro grupos. Na escala de dureza até 30 HRC, encontram-se os aços de resistência menor, como os 1045, usados em matrizes de peças com exigências menos rigorosas. Os P20, preferência nacional, apresentam dureza entre 30 e 34 HRC. Os presentes no intervalo entre 38 e 42 HRC são indicados para transformar resinas mais abrasivas. Acima de 42 HRC se encontram os chamados aços especiais, voltados para aplicações que exigem muito rigor. Quanto maior a dureza, maior a polibilidade, propriedade exigida para a obtenção de peças com aparência impecável, caso, por exemplo, das lanternas dos automóveis.

    Esse nicho é marcado pela disputa acirrada entre fornecedores nacionais e importadores. Entre os nacionais, a empresa líder é a Villares Metals, que oferece linha bastante diversificada. Seu produto mais vendido é o VP20ISO, com dureza entre 30 e 34 HRC. Um dos produtos mais recentes da empresa é o aço VP 100, lançado durante a Brasilplast de 2009. A matéria-prima compete com as ligas 1045 e, no mercado de moldes menores, com o P20. Entre os importados, os produtos chineses são vistos como ameaça. Não só pelas encomendas de aço feitas pelas ferramentarias brasileiras. Há grande preocupação com a importação de moldes prontos, ação que prejudica não só os fabricantes nacionais, como seus fornecedores.

    Plástico Moderno, Francisco Arieta, Gerente geral técnico, Ferramentaria moderna - Ligas metálicas especiais proporcionam melhor relação custo/benefício

    Arieta: falta um pouco de análise crítica dos clientes

    O mercado também conta com empresas de renome internacional, cujos produtos chegam ao Brasil por meio de escritórios de representação. Uma dessas empresas é a Schmolz-Bickenbach, criada na Alemanha no início do século XX e com instalações próprias de revenda no Brasil desde 1998 – quando chegou tinha o nome de ThussenKrupp, depois alterado para o atual. De acordo com o gerente geral técnico Francisco Arieta, o mercado do plástico é muito importante para a empresa, corresponde a de 20% a 25% das vendas no país. A intenção é aproveitar o aumento da participação do plástico em produtos dos mais variados segmentos da economia para incrementar as vendas. Entre os setores promissores, encontram-se as indústrias de embalagens, automobilística, de construção civil e de artefatos, entre outras.

    O ano de 2010 foi considerado de recuperação, depois das dificuldades enfrentadas em 2009, quando a crise econômica mundial e as importações da China atrapalharam os negócios. Para 2011, a expectativa é otimista. De acordo com Arieta, uma das preocupações do marketing da empresa é difundir no mercado maiores informações sobre os materiais de ponta desenvolvidos nos últimos tempos pela empresa no exterior. “Falta um pouco de análise crítica por parte dos usuários, eles preferem comprar aços mais baratos, perdem desempenho por não levarem em consideração as características técnicas dos lançamentos”, revela. Ele também acredita que falta diálogo entre os fabricantes dos aços e os fornecedores de materiais poliméricos. Esse diálogo poderia ajudar a esclarecer os usuários finais sobre as características desejadas dos aços usados para transformar os produtos plásticos.


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